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A POÉTICA DE SÉRGIO FRUSONI


Uma Leitura Antropológica

Sérgio Frusoni é um dos poucos grandes caboverdianos que ainda não foi objecto de um estudo específico, embora bem o mereça, por vários motivos, entre os quais ter escrito sempre em “crioulo”, língua que dominou com maestria. De Frusoni existem somente referências em antologias, mas nunca alguém se abalançou a debruçar-se sobre a sua poética que, quanto a mim, constitui um “caso” verdadeiramente extraordinário, no contexto da produção poético-literária do Arquipélago. Não porque tenha, realmente, manejado o “crioulo” de S. Vicente como mais ninguém o fez, mas porque a sua produção se situa, verdadeiramente, em todos os quadrantes da poesia: lírica, romântica, de intervenção crítica, sarcástica, realista, narrativa, etc. e, o que é mais interessante, é um poeta que reflecte, pensa e critica a sua terra e a sua sociedade, através de retratos que faz de situações, factos e eventos.

Autor: Mesquitela Lima

Editor: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa; Instituto Caboverdiano do Livro e do Disco
Ano de edição: 1992

(fonte: Bibliotecas Municipais de Lisboa – Penha de França)

VAI-TE TREINANDO DESDE JÁ


Peça de teatro de João Cleofas Martins (Nhô Djunga)

Chama–se Vai-te Treinando desde já, foi escrita por Nhô Djunga nos anos 40 e entregue ao professor Mesquitela pelo próprio Djunga, dez anos depois.

MESQUITELA LIMA, neste seu vigésimo quinto livro, além de comentar a peça teatral, dá ao leitor a conhecer a vida de Nhô Djunga, ilustrando as passagens com fotografias captadas pela objectiva de João Cleofas Martins, ou melhor, Nhô Djunga.

Filho de um bravense, que foi presidente da Câmara Municipal de S. Vicente, João Cleófas Martins (1901-1970) não teve a oportunidade de partir para o estrangeiro, para um dia ser doutor ou engenheiro. Mas os conhecimentos que assimilou, na antiga 4ª classe, valeram–lhe um lugar na Western Company, uma firma de comunicações britânica que esteve em Cabo Verde até ao final da segunda grande guerra.
Quando os britânicos partiram, Nhô Djunga embarcou para Lisboa, onde fez um curso de fotografia. De regresso à sua Mindelo, tornou–se num fotógrafo com a objectiva focada para os problemas sociais e para a forma como a sua S. Vicente era tratada.

Locutor de grande audiência na Rádio Barlavento, com as suas famosas cartas radiofónicas num português “acriolado”, Nhô Djunga denunciou tudo o que queria, criticando tudo o que a sua retina captava e tudo o que merecia reparos.

Estes registos sonoros estão religiosamente guardados nos arquivos dos Estúdios da Rádio de Cabo Verde na Cidade do Mindelo.

Mesquitela Lima, que desde pequeno conheceu Nhô Djunga, lembra-o como um crítico muito inteligente que estava a par de tudo o que se passava no mundo. O professor Mesquitela descreve-o como “uma figura fascinante, cheia de história para partilhar. Não sei como, mas o Djunga tinha um conhecimento fora de série. Lia tudo o que lhe chegasse ás mãos”.

Nhô Djunga fez parte de uma geração de escritores e intelectuais cabo–verdianos onde se inscrevem nomes como Baltazar Lopes da Silva (aliás todos os dias à tarde, Nho Baltas ía buscar o Nho Djunga e ficavam horas e horas dentro do carro na Laginha), Sergio Fruzoni, ou Manuel Lopes, um decano na literatura cabo– verdiana. Djunga foi aquele que não teve a chance de embarcar no “sonho dos conhecimentos universitárias”. Mas ficou em Cabo Verde, maldizendo as pessoas que não tratavam bem a sua Mindelo. (...)

Autor: Mesquitela Lima

Editor: Vega Editora
ISBN: 972-699-759-3

In: Caboverdeonline