COLÓNIA MÁRTIR, COLÓNIA MODELO


Cabo Verde no pensamento ultramarino português (1925-1965)

Sem as riquezas “inesgotáveis” de Angola e Moçambique ou a vigorosa produção agrícola das ilhas de S. Tomé e Príncipe, o arquipélago de Cabo Verde ocupou, em todo o caso, um lugar à parte na ideologia ultramarina portuguesa a partir dos anos 30 do século passado. Dir-se-ia que a sua importância não passou tanto pelo valor comercial, mas pela “imagem” de colónia africana mais “civilizada” e até de colónia mais aparentada com a metrópole. Embora já desde o século XIX, o cabo-verdiano gozasse, pelo menos teoricamente, da plena cidadania portuguesa e fosse reconhecido como “assimilado” aos “padrões civilizacionais europeus”, seria preciso esperar pelo desenvolvimento da propaganda estado novista para que tal facto passasse a ser amplamente publicitado. Assim, aos olhos do regime de Salazar, Cabo Verde foi, sobretudo, um paradigma multirracial e multicultural a brandir contra a crescente vaga anticolonialista e descolonizadora dos anos 50 e 60 do século XX.

Autor: Sérgio Neto

Editor: Imprensa da Universidade de Coimbra
Ano de edição: 2009

(fonte: Imprensa da Universidade - Universidade de Coimbra )

CABO VERDE - WEST OF AFRICA


Para além do seu sucesso como fotógrafo de moda internacionalmente reconhecido, o que lhe levou para os diferentes continentes, Joe Würfel descobriu também no fundo inconscientemente - as fortes raízes, as tradições e os ritmos de povos recolhidos de toda a moderna civilização, cuja conservação é de grande importância.
Com artísticas documentações fotográficas de formas e tipos diferentes, como é o caso deste presente livro, Joe Würfel quer contribuir para a consciencialização da Humanidade perante as tradições que devem ser protegidas e conservadas. Através da sua colaboração imaterial e desinteressada ele dá um exemplo de como contribuir para conservar o modo de vida dessas populações no seu ambiente próprio.

Autor: Joe Würfel

UM CABO-VERDIANO PELO MUNDO


Um Cabo-verdiano pelo Mundo, um apanhado de factos e sentimentos vividos pelo autor que, tendo nascido no Paul, Santo Antão, Cabo Verde, chegou à idade da reforma nos seus serviços e vivências através dos tempos, nos Estados Unidos da América. Durante a sua vida ensinou em vários continentes contactando assim com vários povos e culturas procurando sempre dar o seu melhor no s através do ensino como também nas comunidades onde exercia as suas funções. Hoje revive com alegria e também com muita saudade tudo o que encontrou, tudo o que viu, tudo o que fez nunca esquecendo as pessoas que pelo caminho encontrou.

Autor: Salazar Ferro

Editor: Herms Press
Ano de edição: 2009

SODADE DE CABO VERDE


Entrevistas – Comunidade Caboverdeana em Portugal

Você disse que os cabo-verdianos têm uma pátria de 4033 quilómetros quadrados repartidos por 10 ilhas porque ainda não leu Sodade de Cabo Verde, de Gabriel Raimundo. Quando ler, além de gostar, vai concordar com a Marzia Grassi, que pensa que o território do cabo-verdiano é o mundo, mundo que ele leva enrolado debaixo do braço e que estende ao sabor de um abraço e das viagens que faz na própria emigração.
… um livro de vozes e ecos, de sonhos e saudades, de engenho e luta, da incrível capacidade de contornar obstáculos, relançar o jogo, ganhar sem vencer, e estender a mão para chegar mais longe. Ao lê-lo ia ouvindo ecos e vozes de muitas partes do Mundo, vendo milhares de olhares concentrados nas ilhas e adivinhando esse palpitar único do coração que só de querer o bem grande bem faz à Terra-Mãe.
São mulheres e homens de várias idades, de todas as ilhas e mais algumas, advogados, arquitectos, condutoras e condutores de autocarros, deputadas e deputados, desempregados e domésticas, desportistas, dirigentes associativos, empregados de indústria e de serviços, empresários, enfermeiros, engenheiros, escultores, farmacêuticos, gestores, ilusionistas, investigadores, jornalistas, juízes, médicos, músicos, pedreiros, pilotos aviadores, pintores, polícias, professores da educação infantil ao ensino universitário , sacerdotes, todos partilhando o comum sentimento de pertencerem àquela terrinha e a esperança de um dia a ela voltarem.

Corsino Tolentino

Autor: Gabriel Raimundo

Editor: Autor
Ano de edição: 2008

VOZES DO VENTO


Uma saga colonial em Cabo Verde. Um século em busca de identidade.

Eis a história dos descendentes de Manuel António Martins, o Senhor das Ilhas: do seu inevitável devir, do êxito à decadência e ao esquecimento. Metáfora da ficção histórica que foi o império colonial, este é um romance cabo-verdiano e português, um romance dos improváveis encontros que marcam os destinos humanos.

Autora: Maria Isabel Barreno

Editor: Sextante
Ano de edição: 2009

COZINHA DE CABO VERDE


Cozinha de Cabo Verde é um livro que vai satisfazer a curiosidade e o apetite daqueles que já ouviram tantas vezes falar da cachupa, do xerém, da botchada, do friginato, do pirão ou do gigoti. O livro está dividido em rubricas que vão das sopas, aos peixes e marisco, das carnes, às papas e às conservas, das receitas de cuscus às receitas de bolos e doces até às de bebida e chás medicinais. As receitas são servidas com pequenos trechos de obras de autores cabo-verdianos que a nós, portugueses, transmitem um pouco do ambiente original e que aos naturais de Cabo Verde avivam memórias da terra.

Autor: Maria de Lourdes Chantre
Prefácio: António Aurélio Gonçalves

Editor: Editorial Presença; Instituto Caboverdiano do Livro
Colecção: Habitat
Ano de edição: 1989

(fonte: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Natália Correia)

CABO VERDE - Notas Atlânticas


Notas Atlânticas

Dois etnólogos selam um pacto com Carlos Moreira, um gravador cabo-verdiano residente em Lião e reconhecido na Europa entre os guardiães de uma arte ameaçada Os primeiros, sempre prontos para encontros inesperados quando lhes propõem um enigma, enviam ao segundo, de cada ilha que visitam, um postal emblemático com a descrição de um episódio que ai viveram, podendo, assim, Carlos Moreira ficar a conhecer ao menos uma característica de cada uma das outras ilhas de Cabo Verde, já que conhece apenas Santiago, a ilha onde nasceu.
Conciliando habilmente narração de viagem e ficção, Jean-Yves Loude empreende em Cabo Verde uma apaixonante descrição das paisagens, das mentalidades, da memória e da cultura do arquipélago, abordando na sua fascinante diversidade todas as nuances da identidade cabo-verdiana.

Autor: Jean-Yves Loude

Editor: Publicações Europa-América

LISBOA NA CIDADE NEGRA


"É e não é um relato de Lisboa. É e não é um Guia de Lisboa. É, isso sim, um texto maravilhoso sobre a cidade que deixa de ser ""Branca"" e passa a ser ""Negra"". Lisboa Cidade Negra mostra-nos a influência de África na nossa capital. De Angola a Moçambique, da Guiné a Cabo Verde passando por São Tomé, Jean-Yves Loude mostra-nos a cidade como a capital europeia que mais sofreu a influência africana. Convida-nos a um passeio pela cidade, mostra-nos recantos desconhecidos. Traça-nos um percurso encantador e misterioso."

JEAN-YVES LOUDE, etnólogo e escritor, calcorreia a capital portuguesa à procura da história oculta da presença da imigração africana. 0 autor retoma contactos africanos de viagens anteriores e desenvolve as suas investigações na Lisboa actual, tornando visíveis as influencias culturais dos cabo-verdianos, angolanos, guineenses, moçambicanos e são-tomenses, e dá voz a esta comunidade tanto tempo silenciosa. Bisbilhotando na história antiga ao sabor de um jogo das escondidas, apresenta-nos ao mesmo tempo uma Lisboa que foi durante séculos a capital europeia mais influenciada por África. Elementos jurídicos, acontecimentos históricos, descrições de quadros ou de esculturas, indícios arquitectónicos juntam ao presente o eco do passado. Em companhia do viajante erudito, que também sabe parar para ex­perimentar gastronomias e músicas, revisitamos Lisboa e descobrimos recantos desconhecidos. Um Livro que é um guia cultural maravilhoso e que coloca em paralelo com a mítica «cidade branca» de Alain Tanner esta «cidade negra» misteriosa e encantatória que e a Lisboa africana.

Autor: Jean-Yves Loude

Editor: Publicações Dom Quixote
Colecção: Temas de hoje
Ano de edição: 2005

CABO VERDE - POR ACASO


Mornas Fotográficas

Ernesto Matos fotografou e Pedro Miranda Albuquerque escreveu. O resultado desta conjunção de olhares e sentimentos sobre o arquipélago de Cabo Verde resultou no livro Cabo Verde Por Acaso – Mornas Fotográficas, que o Instituto Camões acabou de lançar, durante a última edição da Feira do Livro de Lisboa.

Através dos olhares dos autores, é possível encontrar as cores, os ruídos, os sorrisos e as tristezas de um povo desde há muito ligado a Portugal, fustigado pela pobreza, mas com uma tremenda alegria de viver.

Autor: Ernesto Matos e Pedro Miranda Albuquerque

Editor: Instituto Camões
Ano de edição: 2003
Patrocínios: Embaixada de Cabo Verde em Lisboa e TACV

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Palácio Galveia)

CABO VERDE: PARÁGRAFOS DO MEU AFECTO


ECOS de latas pelas fontes da sede crioula, do bico da enxada na desbrava da pedra, das quebradas que deram os vales de cana e grogue, inhames, cebolas, agripes e milho verde, de bocas em graça; da vaga do mar em credos? de costa da terra seca em sementes de suor molhadas, do músculo do pilão, da cachupa e da malagueta do caldo fraterno, dos ralos cabelos da tarefa maternal, da hora lírica e da pausa para o amor.

Autor: Teobaldo Virgínio

DESTINO DE BAI


Antologia de poesia inédita caboverdiana

Esta obra reúne composições inéditas de 32 poetas cabo-verdianos residentes no país e na diáspora. Participaram JOSÉ LUÍS H. ALMADA / CARLOS ARAÚJO / EILEEN BARBOSA / KAKÁ BARBOSA / PAULINO DIAS / G. T. DIDIAL / FILINTO ELÍSIO / ANITA FARIA / TCHALÊ FIGUEIRA / JORGE CARLOS FONSECA / MARGARIDA FONTES / CORSINO FORTES / ADRIANO GOMINHO / LAY LOBO / JOSÉ VICENTE LOPES / CHISSANA MAGALHÃES / VASCO MARTINS / MITO / JORGE MIRANDA / ANTÓNIO DE NÉVADA / OSWALDO OSÓRIO / VALDEMAR PEREIRA / MARIA HELENA SATO / LUIZ SILVA / MÁRIO LÚCIO SOUSA / DANNY SPÍNOLA / PAULA VASCONCELOS / ARMÉNIO VIEIRA / ARTUR VIEIRA / ELISA SCHNEBLE / VERA DUARTE / JOSÉ MARIA NEVES.

Organizada por Francisco Fontes

Editor: Saúde em Português
Ano de edição: 2008

PRÉMIO CAMÕES ATRIBUÍDO AO POETA ARMÉNIO VIEIRA DE CABO VERDE


O júri do Prémio Camões decidiu atribuir o galardão deste ano ao poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, disse fonte oficial.

Arménio Vieira disse que, a título pessoal, já esperava "ganhar" mas sublinhou que era ainda cedo para um autor de Cabo Verde ser distinguido. "A título pessoal, eu esperava o prémio. Mas por causa de ser Cabo Verde, admiti que fosse ainda um bocado cedo. É pequeno em relação à imensidão do Brasil, que tem centenas de escritores óptimos. E Portugal também. Seria muito difícil Cabo Verde apanhar o prémio", disse, visivelmente emocionado.

"É uma honra pessoal. Eu é que sou o autor dos livros que ganharam o prémio, porque é atribuído à obra e não à pessoa. Acho que é uma honra para Cabo Verde. É histórico, Cabo Verde nunca tinha ganho. Desta vez lembraram-se do nosso pequeno país", acrescentou Arménio Vieira.

O galardoado manifestou a esperança de que, a partir de agora, a sua obra venha a ser estudada em Cabo Verde e no estrangeiro. "Espero bem que sim, (a sua obra) será mais estudada. Mas ainda não se estuda. Às vezes as pessoas compram livros mas não os lêem", referiu.

Arménio Vieira, o primeiro cabo-verdiano a receber o Prémio Camões, nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de Janeiro de 1941.

Além de escritor, é jornalista, com colaborações em publicações como o “Boletim de Cabo Verde”, a revista “Vértice”, de Coimbra, “Raízes”, “Ponto & Vírgula”, “Fragmentos” e “Sopinha de Alfabeto”. Arménio Vieira foi redactor no jornal “Voz di Povo”.

O Prémio Camões, criado em 1988 pelos governos português e brasileiro, distingue todos os anos escritores dos países lusófonos.

(fonte: Lusa/PUBLICO)

LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA - MARCOS E MARCAS - CABO VERDE


A Língua Portuguesa é responsável pela integração do povo brasileiro, uma vez que falamos em vários sotaques, mas escrevemos numa só gramática. Compartilham conosco o mesmo idioma Portugal e países da África e da Ásia. A série de cinco livros da coleção “Literaturas de Língua Portuguesa: Marcos e Marcas” foi selecionada em concurso, patrocinada pelo Programa de Ação Cultural (PAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, e publicada em função da parceria entre esta Secretaria, a Editora Arte & Ciência e o IBIM - Instituto Brasileiro de Incentivo ao Mérito. São desenvolvidos estudos sobre as literaturas e a cultura dos países de Língua Portuguesa, e seus autores destacam-se como docentes e pesquisadores, que lideram estudos de Literaturas Comparadas em universidades públicas e privadas, com significativas publicações na área. As organizadoras Maria Aparecida Santilli (USP) e Suely Fadul Villibor Flory (UNIMAR), juntamente com todos os autores responsáveis pela coleção, contribuem com uma obra basilar para capacitar os professores em todos os níveis, em especial os de Ensino Fundamental e Médio. A presente coleção preenche uma lacuna na formação do professor, agora muito mais pungente no Brasil, dada a obrigatoriedade da disciplina “História e Cultura Afro-brasileira” nos estabelecimentos de Ensino Fundamental e Médio, oficiais e particulares, por força da lei 10.639 de 09. 01. 2003. Temos a certeza de que a parceria entre Secretaria de Estado da Cultura, Editora Arte & Ciência e o IBIM, para concretizar esta publicação, foi extremamente frutífera, visando não só a integração da comunidade de países de Língua Portuguesa mas, principalmente, o desenvolvimento e ampliação dos horizontes da Educação Brasileira. Obras e autores: Angola - Tania Macedo (USP) e Rita Chaves (USP) Brasil - Antonio Manoel dos Santos Silva e Romildo Sant'Anna (UNIMAR) Cabo Verde - Maria Aparecida Santilli (USP) Moçambique - Tania Macêdo(USP) e Vera Maquêa (UNEMAT) Portugal - Benjamin Abdala Junior (USP).

Autora: Maria Aparecida Santilli

Editor: Editora Arte & Ciência
Patrocínio: Programa de Ação Cultural (PAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Brasil.

(fonte: Arte e Ciência Editora)

ALI BEN TÉNPU DI ALI BABÁ


É um livro de poesia em crioulo que está dividido em duas partes: Ali Ben Ténpu, e Kansons Pa Bó. A primeira parte é satírica e contestatária, retratando uma determinada fase política em Cabo Verde, e a segunda parte é lírica em que a musa cantada é a própria terra amada, transfigurada em mulher.

A linguagem utilizada é bastante metafórica com muitas expressões profundas da língua cabo-verdiana, outras cruas e duras, características de um certo desaforo santiaguense. Um ambiente de precariedade, instabilidade, e mal-estar perpassa por esse poema, pertinente e impertinente, que critica e satiriza de forma mordaz e contundente.
E no outro prato da balança, a lira, a canção, se impõe através de versos suaves e fluidos, carregados de um certo lirismo romântico, e dramático, às vezes.

O título é bastante sugestivo, bastando tão-só ser completado pelo próprio leitor para se chegar ao seu significado subentendido.

Autor: Danny Spínola

Editor: EA
Ano de edição: 2002

(fonte: blog DANNY SPÍNOLA)

UNINE


UNINE é uma menina muito bonita. Tão bonita que o Sol por ela se apaixona, perdidamente.

UNINE é mais um conto que traz à memória a ambivalência e tradições da ilha de Santo Antão. É uma reconstituição livre e desenvolvimento de um mote de conto, perdido no tempo, que agora se recupera. Nele, o belo se eleva para além das suas referências materiais para sublimar outros valores culturais ainda hoje vivos na tradição oral da ilha.

Autor: Leão Lopes

Editor: Embaixada de Portugal em Cabo Verde, Instituto Camões, Centro Cultural Português Praia-Mindelo
Colecção: Livros Infanto-Juvenis
Ano de edição: 1998

TCHUBA NA DESERT


Antologia do conto inédito caboverdiano

Tchuba na Desert, título da obra, é uma colectânea de contos inéditos organizada pelo jornalista Francisco Fontes, que desempenhou funções de delegado em Cabo Verde da Lusa – Agência de Notícias de Portugal, entre 2001 e 2004.

Com a chancela da Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) Associação Saúde em Português, será lançada em Cabo Verde em inícios do próximo mês de Dezembro, e posteriormente em Portugal.

Reúne 26 contos de 18 autores (GERMANO ALMEIDA, CARLOS ARAÚJO, JOAQUIM ARENA, KAKÁ BARBOSA, FÁTIMA BETTENCOURT, JOÃO BRANCO, VERA DUARTE, ONDINA FERREIRA, MANUEL FIGUEIRA, TCHALÊ FIGUEIRA, JOSÉ VICENTE LOPES, LEÃO LOPES, VASCO MARTINS, LE VLAD NOBRE, MARILENE PEREIRA, LUÍSA QUEIRÓS, IVONE RAMOS e MÁRIO LÚCIO SOUSA). Na obra foram ainda inseridos 18 desenhos do pintor Tchalê Figueira, criados propositadamente para Tchuba na Desert.

Ao lançar-se a ideia de organizar uma obra desta natureza pretendeu-se dar uma panorâmica do momento actual da narrativa de ficção caboverdiana, três décadas passadas sobre a independência do país.

Ao invés de evidenciar um definhamento produtivo, que num olhar apressado se tenderia a acolher, dada a diminuta divulgação no exterior de obras e de escritores, Tchuba na Desert confirma um elevado dinamismo criativo por parte de uma geração de autores que a 5 de Julho de 1975, quando se proclamava a independência do país, vivia ainda na meninice, na adolescência ou na verde juventude, e que então da escrita literária ainda pouco uso faria a exaltar a caboverdianidade.
In: VozdiPovo-Online

Organizada por Francisco Fontes
Desenhos de Tchalê Figueira

Editor: Saúde em Português - Associação de Profissionais de Cuidados de Saúde Primários de Língua Portuguesa
Ano de edição: 2006

(fonte: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Palácio Galveias)

CONSTRUINDO GERMANO ALMEIDA


A Consciência da Desconstrução

O objectivo deste estudo prende-se com a elaboração de uma síntese de algumas abordagens possíveis à obra do escritor cabo-verdiano Germano Almeida. A ideia que o guia baseia-se na possibilidade de integração de várias áreas teóricas de estudo – da literária à psico-analítica, culminando nas ciências naturais e cognitivas – de molde a alcançar uma nova e holística visão do texto almeidiano em conjunção com o mundo que o rodeia. O espaço literário que enforma o texto almeidiano insere-se antes de mais na ânsia da criação de uma literatura nacional. No entanto, este desejo de uma linguagem que seja espelho narcísico da nação espraia-se bem para além de si, para outros espaços afirmativos onde o contexto social e político se enquadra com humor e ironia. A obra de Germano Almeida denota, portanto, uma preocupação formal específica do Autor. O modo como a obra se estrutura e organiza na sua globalidade é característica fundamental dos textos e será o que vai permitir visionar uma mistura inovadora face ao espaço literário que a precede, e que o próprio Germano Almeida se encarrega de desmistificar, mas, acima de tudo, face ao contexto presente onde a obra se insere.

PAULA GÂNDARA, Doutorada em Estudos Luso-Africanos pela Universidade de Massachusetts, Amherts, EUA, é autora de uma vasta e diversificada obra literária (ensaio, poesia e conto), que se encontra publicada no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos, e de que se destaca Horas de Língua (poesia), o seu livro mais recente. Professora de Estudos Lusófonos na Universidade de Miami desde 2003, tem dedicado o seu trabalho de investigação à análise das literaturas africanas de expressão portuguesa. Daí este ensaio, resultado da sua tese de Doutoramento.

Autora: Paula Gândara

Editor: Editora Vega
Ano de edição: 2008

(fonte: Nova Vega)

RABIDANTES


Comércio Espontâneo Transnacional em Cabo Verde

Rabidante (porque se mexe) é o agente de um tipo de comércio que a ciência económica trata displicentemente por "informal". E, no entanto, em Cabo Verde, este tipo de actividade constitui um eixo importante dos movimentos económicos e culturais transnacionais que perpassam este país insular de migrantes e que o ligam ao mundo. Formam-se, assim, redes em que os homens, mas sobretudo mulheres, exploram as margens por vezes silenciadas das hegemonias económicas e culturais que integram o nosso mundo globalizado de hoje. Neste inovador estudo, Marzia Grassi abre uma fascinante janela para as vidas destas pessoas tantas vezes esquecidas por quem olha para a economia à distância. Assim, a autora permite-nos compreender melhor o que é Cabo Verde e quais as condições de vida dos cabo-verdianos, mas também como estes participam das redes comerciais globalizadas em que todos estamos inseridos em Lisboa, Amesterdão, Rio de Janeiro e Boston tanto quanto na Cidade da Praia. (João de Pina Cabral).

Autora: Marzia Grassi

Editor: ICS - Imprensa de Ciências Sociais
Colecção: Geral
Ano de edição: 2003

(fonte: ICS - Imprensa de Ciências Sociais)

CANTIGAS DE TRABALHO


Tradições orais de Cabo Verde

Cantigas agrícolas
Cantigas marítimas


Este pequeno trabalho é o resultado de uma proposta que o autor submeteu à Sub-Comissão para a Cultura da Comissão Nacional para as Comemorações do 5º Aniversário da Independência de Cabo Verde, presidida pelo Camarada Primeiro-Ministro, que, de entre as áreas gerais de actividades programadas, à área cultural imprimiu significativo relevo. É nesse âmbito que hoje se publicam estas CANTIGAS DE TRABALHO - 1º volume de uma colecção – “Tradições Orais de Cabo Verde” – que pretende a recuperação do património cultural no domínio das tradições orais, devendo os volumes que se lhe seguirem estudar, ou pelo menos apresentar, outros géneros de literatura oral conservados pela tradição.

Autor: Oswaldo Osório

Editor: Comissão Nacional para as Comemorações do 5º Aniversário da Independência de Cabo Verde – Sub-Comissão para a Cultura
Colecção: Tradições orais de Cabo Verde
Ano de edição: 1980

(fonte: BMOeiras – Algés)

XAGUATE


Romance de uma realidade transformada e de um homem que por ela se vai transformando. Xaguate encerra uma rica simbologia, consubstanciada nas forças da natureza, que brotam dos campos de lava, do rebanho de cabras, do Sol rompendo com vigor e das coxas ardentes de Rosa.

Autor: Teixeira de Sousa

Editor: Publicações Europa-América

(fonte: Publicações Europa-América )

EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO


Este livro apresenta e discute dados que permitem avaliar o nível de concretização do projecto de desenvolvimento do Estado de Cabo Verde nas duas décadas de independência política e a contribuição efectiva da educação ao mesmo, segundo as modalidades e o calendário estabelecidos pelo Estado cabo-verdiano.

Autor: Virgílio Correia

Editor: Edições Colibri
Colecção: Filosofia Social e Política (Extra-colecção)
Ano de edição: 2007

(fonte: Edições Colibri)

A ESTRELINHA TLIM TLIM


"Num certo lugar do Céu mora uma estrela muito bonita, como um candeeirinho que Deus aí pôs para iluminar aquele sítio". Assim começa o livro de Dina Salústio, A Estrelinha Tlim-Tlim, com magnificas ilustrações de Júlio Resende.

Editado pelo Instituto Camões-Centro Cultural Português da Praia, esta obra insere-se na colecção " Livros Infanto-Juvenis", que já publicou obras de LEÃO LOPES, LUÍSA QUEIRÓS, ORLANDA AMARILÍS e FÁTIMA BETTENCOURT.

Autora: Dina Salústio

Editor: Instituto Camões, Centro Cultural Português, Praia-Mindelo
Colecção: Livros Infanto-Juvenis
Ano de edição: 1998

ELAS CONTAM...


O livro “Elas Contam...” reúne 25 contos seleccionados, de 12 mulheres cabo-verdianas, que falam da vivência do arquipélago, sendo que o primeiro é de uma praiense, Maria Adelaide das Neves, do século XIX, extraído do Almanaque Luso – Brasileiro.
DINA SALÚSTIO, LEOPOLDINA BARRETO, MARIA ISABEL BARRENO, FÁTIMA BETTENCOURT, MARIA HELENA SPENCER, ADELAIDE NEVES, MARIA MARGARIDA MASCARENHAS, HAYDEIA AVELINE PIRES, ORLANDA AMARILIS, IVONE RAMOS, são entre outras, as autoras que fazem parte desse projecto iniciado em 2004.
Os contos são todos inéditos e de acordo com a organizadora, algumas das contistas não têm ainda obra publicada.

Autora: Ondina Ferreira (organizadora)

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia
Ano de edição: 2008

(fonte: IBNL)

DA MESTIÇAGEM À CABOVERDIANIDADE


Registos de uma sociocultura

Nenhum dos grupos intervenientes na formação do povo caboverdiano, tanto o europeu como o africano, podia apresentar uma cultura enraizada no terreno. De igual modo, nenhum dos dois grupos, em razão das condições adversas sócio-económico-alimentares, podia sobreviver independentemente do outro. (…) Colocados frente a frente, olhando-se através das barreiras do racismo, os escravos ou antigos escravos e os senhores da escravatura tiveram que se entender, conforme puderam. Surgiria a mestiçagem, a «convivência», uma comunidade de tolerância (…). Dessa convivência nasceria um sentido de lealdade (…) Desse sentimento de lealdade, aliado a uma cultura partilhada na língua, na música, nos costumes, na expressão literária, eclodiria uma nova identidade – a caboverdianidade.

Autor: Luís Manuel de Sousa Peixeira

Editor: Edições Colibri
Colecção: Literatura Africana
Ano de edição: 2003

BALTASAR LOPES DA SILVA E A MÚSICA


"Ora bem, da sua faceta de amante da música, sabe-se que Baltasar Lopes tocava alguns instrumentos de corda com destaque para o violino. Igualmente na sua abrangente e profunda actividade de escrita e ensaística, não raro, Baltasar Lopes traz a música implicada no seu texto, ora de forma explícita, ora disseminada entre concepções que ele formulou e nas quais acreditou estarem conformadas às características artísticas que identificam o cabo-verdiano."
In "Baltasar Lopes da Silva e a Música"

Autora: Ondina Ferreira

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia
Colecção: Artes e Letras
Ano de edição: 2006

(fonte: Carlota de Barros)

O SISTEMA PRONOMINAL CABOVERDIANO (variante de Santiago)


Questões Gramaticais

«O primeiro objectivo desta dissertação foi o de descrever o Sistema Pronominal do crioulo de Cabo Verde, variante de Santiago, no âmbito do quadro teórico da Gramática Generativa. Ao longo de um ano e meio de investigação teórica e de trabalho de campo fui, no entanto, encontrando razões para acreditar que esse primeiro objectivo desaguava num outro, mais vasto e eventualmente mais controverso: o de mostrar que não há evidência empírica para considerar os crioulos línguas menos (nem mais) ricas e elaboradas, do ponto de vista lexical e estrutural, do que as restantes línguas naturais». (Da Introdução).

Autor: Fernanda Pratas

Editor: Edições Colibri
Colecção: Estudos (Universidade Nova de Lisboa)
Ano de edição: 2004

(fonte:Edições Colibri)

PRECES E SÚPLICAS OU OS CÂNTICOS DA DESESPERANÇA


A poesia de Vera Duarte não tece loas ao sucesso, ao consumo, ícones do mercado, onde as próprias pessoas se transformam em mercadorias e, na maioria das vezes, simulacros de produtos originais. Sua poiesis dá as costas a esse tipo de progresso, buscando exorcizar a barbárie através de intenso exercício de captação de lembranças recônditas do outrora.
Carme Lúcia Tindó Secco

Se tivermos em mente que, ontologicamente, a comunicação tem por fim a participação do receptor na relação existencial que o discurso institui, poderemos afirmar que Vera Duarte comunica com os seus leitores em pleno. Assim sendo, ao escrever, Vera enuncia-se e faz, ao mesmo tempo, que o leitor se enuncie também, ecoando as experiências vividas e ou sonhadas/ imaginadas, tornando possível entrar em holística comunhão, não só com a poetisa, mas também, tal como enunciou na saudação à poesia, já por nós referida atrás, com a beleza grandiosa / De povos, raças e credos.
Estela Pinto Ribeiro Lamas

Autora: Vera Duarte

Editor: Instituto Piaget Editora
Colecção: Poética e Razão imaginante
Ano de edição: 2005

CABO VERDE - LITERATURA EM CHÃO DE CULTURA


Desde o seu mestrado sobre Cabo Verde na obra do poeta Daniel Filipe, iniciado em 1976, Simone Caputo Gomes tem se dedicado à pesquisa sistemática e intensa a respeito da cultura e da literatura daquela jovem nação africana. Neste volume, reúne um conjunto de estudos que ganham unidade em torno de temas fundamentais da cultura do arquipélago: o milho, o batuque e o vulcão, através dos quais considera a sobrevivência, a música e a terra nas suas formas de representação literária. Além disso, noticia, apresenta e introduz o seu leitor nas mais recentes produções literárias daquele país, descortinando-nos um panorama bem mais amplo do que aquele a que os estudos brasileiros das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa se conformaram. A autora abre-nos outros campos de reflexão, já que avança para bem além dos tempos de formação da literatura de identidade cabo-verdiana e de suas relações com a literatura brasileira do século XX. – Mário César Lugarinho.

SIMONE CAPUTO GOMES é Professora Doutora de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH-USP. Dedica mais de trinta anos de pesquisa à Literatura e Cultura de Cabo Verde, tendo defendido sua dissertação de Mestrado (Uma Recuperação de Raiz: Cabo Verde na Obra de Daniel Filipe) em 1979, provavelmente a primeira tese/dissertação acadêmica defendida na história da área de Literaturas Africanas e a primeira de Estudos Cabo-verdianos.

Autor: Simone Caputo Gomes

Editor: Ateliê Editorial; Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro de Cabo Verde; UNEMAT
Colecção: Estudos Literários 28
Ano de edição: 2008

GÉNERO E MIGRAÇÕES CABO-VERDIANAS


Nesta colectânea, o eixo que sustenta o género como categoria de analise das migrações cabo-verdianas a desdobrado nas suas implicações políticas, sociais, económicas, psicológicas e históricas, e é considerado uma pedra fundamental nos estudos sobre a migração e a sociedade cabo-verdiana. A inserção da problemática do género no estudo desta migração constitui um elemento importante na compreensão das lutas simbólicas que os diferentes participantes da experiência migratória empreendem para estabelecer o monopólio do tipo de capital que o campo migratório produz. Ao referirem as experiências específicas de homens e mulheres migrantes, e os reflexos da sua migração, os autores analisam aspectos importantes das dinâmicas que marcam as suas posições sociais no tempo e no espaço. Este ultimo a considerado um lugar complexo que reflecte os percursos migratórios, quer nos países de destino dos migrantes, quer em Cabo Verde, país de origem.

MARZIA GRASSI, Economista do desenvolvimento. Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

IOLANDA ÉVORA, Psicóloga social. Centro de Estudos sobre Africa e do Desenvolvimento do Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Técnica de Lisboa.

Autoras: Marzia Grassi; Iolanda Évora (organizadoras)

Editor: Imprensa de Ciências Sociais
Colecção: Estudos e Investigações
Ano de edição: 2007

CABO VERDE, TERRA D'SODADE


Conheço António Rodrigues desde os meus tempos como autarca à frente do Município de São Vicente. Nas deslocações dele a Santo Antão encontrávamo-nos muitas vezes e trocávamos impressões sobre a vida municipal em Portugal e em Cabo Verde. Foi assim que acabei por nele descobrir não só um político informado, dedicado de corpo e alma às populações que o tinham eleito, como também um amigo das gentes e das causas do Concelho da Ribeira Grande, o Município Santantonense com o qual a Câmara Municipal de Torres Novas, sob a sua Presidência, estava em vias de dar forma e conteúdo a uma germinação que se revelaria progressivamente rica de simbolismos e de cumplicidades histórico-culturais.
É sobre essa germinação que trata este simbólico estudo da autoria de António Rodrigues. Enfatizo bem simbiótico porque se trata, na verdade, de um equilíbrio saudável entre a inteligência e a afectividade.
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Onésimo Silveira, Embaixador de Cabo Verde em Portugal

Autor: António Rodrigues

Editor: Autor
Ano de edição: 2003

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa – Palácio Galveias)

CHIQUINHO


Um dos melhores romances da literatura cabo-verdiana. Descrevendo Cabo Verde dos anos 30, o seu interesse resulta não somente do facto de estar apoiado numa realidade que até esta altura tinha sido deixada de lado pelos escritores do arquipélago, mas sobretudo da demanda da personalidade cultural do povo de Cabo Verde. Chiquinho é também uma forte denúncia: do abandono a que foram votadas as pessoas de Cabo Verde. As secas destruíam colheitas, a fome estendia as suas garras sobre uma população indefesa e desesperada. No entanto, as personagens desta história alimentam um sonho, uma esperança, todos poderiam ser outra pessoa que não são, se ao menos a terra não fosse madrasta. É aqui que entra o mar, a miragem da América, os baleeiros para correr sete mundos, o futuro prometido para lá da fome, das secas e do sofrimento. Chiquinho é o fio condutor por onde passam todas estas personagens. É através das tribulações deste jovem, de origem modesta, mas livre num mundo desconhecido, que Baltasar Lopes se impõe como um dos principais fundadores da literatura cabo-verdiana.

BALTASAR LOPES (1907-1990) foi um homem de grande e multifacetado talento, sendo pedagogo, filólogo, advogado e escritor. Foi um dos fundadores da revista Claridade, iniciada em 1936 e que operou uma grande viragem na literatura cabo-verdiana.Tendo regressado a S. Vicente aceitou um lugar de professor no Liceu Gil Eanes, onde leccionou durante vários anos. Baltasar Lopes deixou uma marca indelével do seu saber e da sua personalidade em gerações e gerações de estudantes e leitores que unanimemente o elegem como um marco da literatura universal.

Autor: Baltasar Lopes

Editor: Editora Vega
Colecção: Obras Completas de Baltasar Lopes
Ano de edição: 2006

(fonte: Nova Vega)

CINCO BALAS CONTRA A AMÉRICA


As revoluções também são feitas de histórias de amizade

O Verão de 74 foi quente na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. De Lisboa apenas chegavam rumores de golpe de Estado. Os combatentes pela independência continuavam nas matas da Guiné, o poder andava pelas ruas e a Revolução era uma festa sem fim. O primeiro comandante da guerrilha a desembarcar na cidade chegou disfarçado de emigrante. Gostava de copos e de mulheres e organizava sessões de vigilância contra a eventualidade de um ataque das forças imperialistas. Zapata, Bob, Aristóteles e Frederico foram enviados para a Praia de São Pedro para evitar um desembarque das tropas norte-americanas. Para se defender, receberam um revólver e cinco balas. Viveram então a noite mais longa das suas vidas: a noite em que perderam toda a inocência.

JORGE ARAÚJO nasceu na cidade do Mindelo, em Cabo Verde. Fez o curso de Comunicação Social e Teatro na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. Trabalhou nos jornais O Independente, Já e Correio da Manhã, bem como na TVI e BBC World Service. Venceu o Grande Prémio Gazeta do Clube de Jornalistas (1999) e foi galardoado com o Prémio AMI-Jornalismo contra a Indiferença (2003). Em 2000 publicou Timor, o Insuportável Ruído das Lágrimas. Actualmente é jornalista free-lancer. O Jorge e o Pedro conheceram-se em Díli, Timor-Leste, no Verão de 1999, e ficaram grandes amigos.Em 2003 publicaram o livro Comandante Hussi, vencedor do Prémio Gulbenkian, em 2005 publicaram Nem Tudo Começa Com Um Beijo e em 2006 Paralelo 75.

Autor: Jorge Araújo; Pedro Sousa Pereira

Editor: Oficina do Livro
Ano de edição: 2007

(fonte: Oficina do Livro)

GUIA DAS ILHAS DE CABO VERDE


As Ilhas de Cabo Verde são filhas dos trópicos da antiga Lusitânia Romana, católicas fervorosas, portuguesas pela língua oficial, pela arquitectura religiosa ou rural, também românicas pelo crioulo, do qual mais de 90% do vocabulário procede do português (...) são o modelo mais acabado da mestiçagem latino-africana. Os cabo-verdianos têm o seu destino entre as mãos e ajudam-se a si próprios: assim, o dever dos seus amigos, e sobretudo o dos portugueses, é também de os ajudar. Cada um pode contribuir, indo visitá-los para descobrir a sua personalidade e a sua cultura tão atraentes. Passe férias lusófonas e fraternas em Cabo Verde."
Philippe Rossillon - Ex-Secretário Geral da União Latina

O Guia das Ilhas de Cabo Verde é uma autêntica viagem por estas Terras de Contrastes, abordando as vertentes geográfica (clima, flora, fauna, fauna marinha), histórico-económica (descoberta e povoamento, evolução económica, acesso à independência e período pós-colonial) e terminando numa descrição do Cabo Verde de hoje (problemas actuais, evolução demográfica, emigração, situação económica e perspectivas do futuro). De igual forma, apresenta-nos às suas gentes através de uma descrição da sociedade cabo-verdiana (população, língua crioula, religião, costumes e tradições, literatura, música e gastronomia). O Guia termina com uma apresentação de cada ilha que se inicia com um mapa, passa pela descrição da ilha, percursos e locais a visitar, sua história e informações práticas para a visita de cada uma. Enriquecida com muitos planos, mapas e fotografias, fonte de informações de carácter geral, assim como de esclarecimentos concretos e exactos, esta obra é um excelente utensílio para a preparação de uma viagem e também um indispensável companheiro de caminho.

Autor: Pierre Sorgial

Editor: Lidel Edições

CONTOS, CRÓNICAS E REPORTAGENS


"Maria Helena Spencer percebeu e descreveu com realismo e frontalidade, as condições de vida, a miséria material e humana, a emigração, e as suas contingências, o falalismo, a tristeza, a alegria e a solidariedade. Afinal, tudo aquilo que foma a idiossincrasia do Homem cabo-verdiano."
in Nota Prévia de "Maria Helena Spencer...."

ONDINA Maria Fonseca Rodrigues FERREIRA que também usa o pseudónimo CAMILA MONT’ROND nasceu no mar a bordo do paquete português "Guiné" em viagem de Mindelo para Lisboa a 17 de Agosto de 1946.
Licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, é Mestre em Ciências De Educação pela Universidade de Massachusets ,USA.. Foi membro de Governo (1991-1996) e Deputada da Nação e 1ª Vice-Presidente da Assembleia Nacional (1996-2001).Colaboradora e co-fundadora de Revistas e de Boletins de Ensaio e Crítica literário-cultural cabo-verdianos, destacando-se entre co-fundação e colaboração: "Voz di Letra", "Fragmentos", "Pretextos", "Magna", "Cultura" da qual foi directora, "Arquipélago", "Artiletra", "Farol", "Revista África-Literatura, Arte e Cultura".Também é colaboradora com artigos de opinião nos Jornais "Terra nova" e "Expresso das Ilhas".
Publicou "Amor na Ilha e Outras Paragens” seguido de “Ponto de Partida e outros contos" (fixão) Ed.Artiletra 2001, "Maria Helena Spencer - Contos,Crónicas e Reportagens" - IBNL 2005 e "Baltasar Lopes da Silva e a Música".
É Professora de Língua portuguesa e de Literaturas Portuguesa e Cabo-Vediana no Instituto Superior de Educação e membro da Associação de Escritores Cabo-verdianos (AEC) exercendo as funções de Presidente da Assembleia-Geral.
Tem no prelo "Elas Contam..." Colectânea de contos.

Autora: Maria Helena Spencer
Coordenação e Selecção: Ondina Ferreira

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia
Colecção: Documentos e reedições
Ano de edição: 2005

(fonte: Carlota de Barros)

A DONATÁRIA


O relato é a história de Francisca de Santa Maria do Pragal - também de alguns familiares e amigos seus -, que foi Donatária da ilha de São Tiago e que no ano de 1578 foi prometida em casamento a D. Gonçalo de Ataíde, capitão da cidade de Santiago, e que, chegada a esta cidade em 1582 - o primeiro e grande entreposto de escravos e ponto de paragem das naus das carreiras das Índias -, dela partiu para parte incerta em 1583.
Uma mulher traída. Um homem com uma crença. Outro, de vontade inabalável...sem olhar a meios. Também uma mulata possessiva, um escravo negro...e, outras gentes, e costumes.

É no final do século XVI - quando Filipe de Castela se torna Rei de Portugal -, no auge dos Descobrimentos.

Uma história ocorrida no Pragal, em Portugal, e na cidade de Santiago, dita Ribeira Grande, da ilha de São Tiago, das ilhas de Cabo Verde, nos anos de 1578 a 1583.

Autor: Sérgio Ferreira

Editor: Plátano Editora
Ano de edição: 2005

(fonte: Fnac
; Bibliotecas Municipais de Lisboa - Camões)

OS AVATARES DAS ILHAS


De início ao fecho, esta narrativa prende-nos pela notável capacidade do narrador em nos conduzir ao encontro com o inesperado, com o fenómeno da criação genesíaca - do homem, o inferno e o paraíso -, numa sucessão de tempos e magia, explorados até ao limite da fantasia, da ficção e da criação literária.
De linguagem acessível, Os Avatares das Ilhas, traz novas “cores” ao discurso ficcional cabo-verdiano, pela estrutura complexa do seu enredo, aliada à permanente criatividade de cenários, um exemplo de amadurecimento da Literatura Cabo-verdiana contemporânea. Agradável à leitura, não se propõe a uma leitura rápida, isto é apressada, mas ao prazer, à descoberta da dimensão estética da arte literária. Arte superior de contar que cabe aos leitores avaliar…
Fátima Fernandes, Prof,ª de Literatura Cabo-verdiana no ISE

DANIEL Euricles Rodrigues SPÍNOLA nasceu em Ribeira da Barca, concelho e freguesia de Santa Catarina da Ilha de Santiago de Cabo verde.
Cursou Língua e Literatura Portuguesa no Curso de Formação de Professores do Ensino Secundário da cidade da Praia, Cabo Verde, e Licenciou-se em Língua e Cultura Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Foi professor de língua e literatura portuguesa nos liceus da Praia, da Achada de Santo António, da Várzea e de Santa Catarina, tendo ainda leccionado na Faculdade de Línguas Estrangeiras da Universidade de Havana e na Guiné-Bissau aos voluntários do Corpo da Paz.
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Foi membro fundador do Movimento Pró-Cultura, e da Associação de Escritores Cabo-verdianos (AEC), na qual teve a função de membro do conselho coordenador e responsável pelo Departamento de Actividades Culturais. É membro e Secretário Executivo da Sociedade Cabo-verdiana de Autores – SOCA.
Com colaboração dispersa em vários meios de informação e divulgação, nos domínios de prosa, poesia, ensaios, reportagens e entrevistas, já publicou nos jornais Voz di Povo, Tribuna, A semana, Novo Jornal e Jornal Horizonte, tendo sido director da revista Pré-Textos, da Associação dos Escritores Cabo-verdianos, e editor da revista Emigrason, do Instituto de Apoio aos Emigrantes e do Caderno Cultural do jornal Horizonte, para além de ter pertencido à direcção das revistas Seiva e Fragmentos.
...
Já publicou, de entre outros, os seguintes livros de referência: Lágrimas de Bronze, ficção, EA, Praia –1991 (3ª edição – 2006); Na Kantar di Sol, poesia, EA, Praia –1991; Adon y Éva, poemas, ICLD, Praia – 1999; Infinito Delírio, poemas, IBNL, Praia – 2002; Evocações, ensaios, IBNL, Praia – 2004; Vagens de Sol, poemas, IBNL – 2005; Lagoa Gémia, contos em crioulo, Spleen-edições, Praia – 2006 e Ámen Na Nha Xintidu, poemas em crioulo, EA, Praia – 2006.
Enquanto artista plástico, já expôs em Cabo Verde – Centro Cultural Francês, 1998; Palácio da Cultura, 2002 e 2006; Câmara Municipal da Praia, 2006; na Áustria: Afro-Asiatischen Institut Graz, 2003, Viena: Institut für Romanistik – Universität Wien, 2001; e Associação Amizade Áustria Brasil, 2004.
Foi distinguido pelo Governo de Cabo Verde, em 2005, com o 1º grau da Medalha de Mérito, em reconhecimento pelo seu especial mérito demonstrado no domínio da cultura; e em 2007 foi distinguido pela Câmara Municipal da Praia com uma medalha de mérito enquanto escritor.

Autor: Danny Spínola

Editor: Spleen-edições
Ano de edição: 2008

O PROCESSO DE HERMANO DE PINA


Subsídios para a história da fome e não só, em Cabo Verde

"O martírio maior eram ainda os socorros que chegavam tarde e sonegadamente. Só depois de declarada a fome é que "pintavam" os celebérrimos trabalhos de estrada de que nos fala o livro “Flagelados do Vento Leste” de Manuel Lopes, para os quais se despachavam os mais carenciados e debilitados, mal podendo manejar as enxadas e as picaretas.
.....

Foi, pois, num desses contextos horrorosos que Hermano de Pina foi acusado de criminosa negligência em 1942, na ilha do Fogo. A leitura da sua defesa elucidará o leitor à cerca da gravidade da situação em que então se vivia, da inépcia do governo face a tão magna calamidade e ainda da aleivosia asquerosa dos acusadores. O então Chefe de Serviços de Saúde, por dever do ofício, limitou-se a cumprir com o despacho do Governador, remetendo a respectiva nota da culpa ao arguido, retirada da queixa dos citados esbirros que quiseram encontrar um bode expiatório para o que se estava a passar. Auschwitz, Dachau, Bukenwald, não foram decerto piores campos de concentração do que a ilha do Fogo, em 1940-42."
Henrique Teixeira de Sousa

"Todas estas moléstias são por falta de alimentação ou melhor - FOME. Os doentes que apareciam por toda a parte eram os representados nas figuras do meu documentário fotográfico. Vossa Excelência poderá encontrar ainda vagueando pelas ruas da cidade e pelos sítios dos trabalhos públicos outros pobres desgraçados da laia dos que representam tais fotografias.
.....

Pois eram esses famintos que o meu acusador esbofeteava, chicoteava quando lhe aparecia a aura de impulsividade. Até que um belo dia bateu numa velhota de 76 anos, leprosa, que ripostou com uma cacetada na cabeça do meu Ilustre Acusador. Foi um escândalo! E valeu-lhe a fraqueza da velha lázara porque de contrário hoje já não existia! Toda a cidade de São Filipe, sabe deste facto."
In "O Processo de Hermano de Pina"

Autor: Hermano de Pina
Prefácio: Teixeira de Sousa
Organização : Arsénio de Pina

Editor : Ilhéu Editora, Cabo Verde
Ano de edição: 1992

(fonte: Carlota de Barros)

SONHO SONHADO


Feita uma leitura dos poemas de Carlota de Barros, "Sonho Sonhado", resolvi separá-los em grupos para melhor os poder apreciar.
Assim, os poemas de referência à terra natal, um grupo; os de sinal contra (anti-guerra), o outro; os de amor - mais abundantes em toda a obra - outro. Têm os poemas de acento natal, um eco, uma afeição, uma claridade, um apego, que só a"água do baptismo"pode dar. Fazem uma grande diferença entre"sentir"e "olhar". E porque há neles todo o mimo, o sonho, a candura, a prece da "menina de sua mãe", são hinos largados ao vento pelas searas, as vilas, as gentes de sua ilha:

"ouvi dizer
que o ar se veste de azul
porque a chuva
amou as ilhas perdidamente".......

Notícia enganadora. A constante, quase todos os anos, é a seca, a degradação, o abandono.
Daí o apelo:

"venham todos
que partiram
ergam os braços aos céus
por uma terra com brilho
levantem-se todos
por este sonho sonhado"


Convite heróico em prol do renascer da sofrida pátria caboverdiana!
Fica aqui um convite à leitura geral dos poemas de Carlota de Barros. Um campo fértil. De quantos eu tenho lido, poucos com tal marca!
Teobaldo Virgínio

Autora: Carlota de Barros

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro
Colecção: Artes e Letras
Ano de edição: 2007
Patrocínios: ENAPOR, Tintas SITA, Casa ALVES - S. Nicolau

DE LETRA EM RISTE


Identidade, autonomia e outras questões nas literaturas de Angola, Cabo Verde, Moçambique e S. Tomé e Príncipe

- A recepção das Literaturas Africanas e o exemplo de Pão & Fonema, de Corsino Fortes

Autor: Pires Laranjeira

Editor: Edições Afrontamento
Colecção: Textos/21
Ano de edição: 1992

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Palácio Galveias)

REFLEXÕES E FACTOS DIVERSOS


"Mia Couto é, como confessa, moçambicano, filho de portugueses, nascido em pleno sistema colonial. Combateu pela independência, viveu mudanças radicais do socialismo ao capitalismo, da revolução à guerra civil. Como tivemos algumas vivências comuns e partilhamos, também, alguns pensamentos - ele biólogo, eu médico pediatra, ambos homens de ciência, encontramo-nos a cada passo. Por, questionar modelos de pensamento que aprisionam o mesmo olhar perante os desafios da actualidade e apresentar sugestões para a solução de bastas inquietações, irei partilhar convosco a leitura do livro (Pensamentos - textos de opinião), repicando algumas das suas preocupações e sugestões perfeitamente aplicáveis a Cabo Verde, embora em menor grau, com arranjos da minha lavra (dado que algumas dessas preocupações aparecem em artigos e épocas diferentes), sem alterar o sentido das mesmas, podendo algumas até ser encontradas nos meus livros.” …
In "Reflexões e Factos Diversos" Capítulo - Pensamentos e Preocupações Comuns

Autor: Arsénio de Pina

Editor: Autor, Mindelo
Ano de edição: 2007

(fonte: Carlota de Barros)

FI D’CADON!


"Torna-se imperioso, portanto, compreender melhor os adolescentes de hoje e estabelecer entre jovens e adultos um diálogo aberto. Têm, mais do que nunca, necessidade de adultos em quem possam confiar, sendo a sexualidade uma das questões que mais vezes apresentam e que podem comprometer o seu futuro. A adolescência é o longo caminho que prepara um, ou uma jovem, a assumir a sua liberdade, a sua vida de adulto. O que nos parece incontestável é que nós, os adultos, temos o dever, cada um do seu modo, de agir com eles, e para eles, visando permitir-lhes exercer, amanhã, as suas responsabilidade de adultos, e ser, hoje, adolescentes responsáveis."
In "Fi D'Cadon!"

Autor: Arsénio de Pina

Editor: Autor, Mindelo
Ano de edição: 1999

(fonte: Carlota de Barros)

EILEENÍSTICO


Contos e Crónicas

EILEEN ALMEIDA BARBOSA, nascida numa terça-feira de Carnaval, tem as suas raízes fincadas na ilha do Porto Grande e é a partir do Mindelo que emoldura a sua escrita. Aprendeu a gostar das letras ainda criança. No jardim-de-infância, ensaiava as suas primeiras palavras. Na escola primária e no Liceu, aprendeu a traduzir os desenhos em sinais datiloescritos e, inesperadamente, surgiram os seus primeiros contos e os seus primeiros poemas.

Com o livro Eileenístico, constituído por 48 belíssimos contos e crónicas, alguns embrulhados num aroma de sonhos floridos de uma menina da cidade, outros carregando a alma da cidade, a autora junta-se a um conjunto (ainda estreito) de vozes de jovens do pós‑independência. Em poucas palavras, ela apresenta-nos uma escrita cabo-verdianamente jovem e citadina.
Eurídice

Autora: Eileen Almeida Barbosa

Editor: Autora
Gráfica do Mindelo, Lda.
Ano de edição: 2007

(fonte: Eurídice Furtado Monteiro -
Blog: www.mulhercaboverdiana.blogspot.com)

A TERNURA DA ÁGUA


CARLOTA DE BARROS nasceu na Ilha do Fogo, "entre o fogo e tempestades salgadas", porque nasceu na cidade de S. Filipe, no sopé da ilha montanha, entre o vulto intimidante do vulcão e o mar sempre agitado de ondas altas que quebram em arco antes de banharem a praia negra da Fonte de Vila. A circunstância de ter nascido numa ilha, revisitada, crescida noutras, em mudanças sucessivas com a caravana familiar, terá certamente muito a ver com essa presença constante, obsessiva da água, de transparência e de fluidez das coisas, de seres e de sensações. O mar envolvente, intranquilo, em consonância constante com a alma do poeta parece reflectir as suas próprias inquietações e incertezas.
A temática do mar, que parece uma constante nos poetas das ilhas, mar simultaneamente prisão e fuga ou libertação, assume em Carlota de Barros uma dimensão quase pessoal, íntima, de união física.
Viriato de Barros

"dormi tranquila
com o rumor do mar
e sabor a sal
no ar quente da noite

me uni para sempre
à água
ao sol
à areia"

(in A Ternura da Água)

Autor: Carlota de Barros

Editor: autora
Ano de edição: 2001 (2ª ed.)

HISTÓRIA GERAL DE CABO VERDE


Volumes I e II

Corpo Documental

Depois de diligências oficiais imprescindíveis, coube ao Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga (instituto de Investigação Científica Tropical) e à Direcção-Geral do Património Cultural de Cabo Verde o honroso encargo de preparar uma História Geral da República de Cabo Verde, com a colaboração de historiadores cabo-verdianos e portugueses. Não é esta a oportunidade para fazer o relato dos antecedentes que levaram o projecto à fase de concretização, iniciada em Janeiro de 1988, mas é sem dúvida o momento de explicar que no desenvolvimento do processo se veio a reconhecer a necessidade de publicitar o corpo documental em que os investigadores se apoiaram. Mais ainda: pensou-se que o conjunto da documentação utilizada devia ser colocado ao dispor dos interessados antes de se encontrar concluído o primeiro volume da História, pois está nos planos dos responsáveis pelo projecto submeter os textos nele integrados à crítica de historiadores alheios ao plano, de modo a aperfeiçoar até o limite do possível o trabalho em curso de execução.


Directores do Projecto: Luís de Albuquerque; Maria Emília Madeira Santos

Editor: Instituto de Investigação Científica Tropical – Lisboa; Direcção-Geral do Património Cultural de Cabo Verde
Ano de edição: 1988 e 1990

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Palácio Galveias)

BANA: UMA VIDA A CANTAR CABO VERDE


A diáspora tem muitas figuras brilhantes, todavia “Bana só há um!” - como se escuta em Cabo Verde.

É sem dúvida um dos mais exactos diapositivos da autenticidade crioula. Cada morna, para si, é um distinto de sentimentos, qual heterónimo variante das múltiplas fisionomias mestiças.

É o testemunho de uma época, do S. Vicente de "nôs tempe" e é inegável que por detrás do esforço do sorriso, se descortina a intenção de camuflar a saudade.

Autora: Raquel Ochoa

Editor: Editora Planeta Vivo
Ano de edição: 2008

(fonte: Editora Planeta Vivo )

PERDIDO DE VOLTA


Neste romance, aproveita o seu profundo conhecimento do imaginário viking e da filosofia zen, bem como a sua vivência em África e na Índia, para nos arrastar através de uma viagem alucinante entre o Fogo, Lisboa e Mumbai. Eis um romance capaz, como poucos, de abalar convicções e de destruir ideias feitas. Cruzam-se, nestas páginas, vidas muito diferentes: uma aeromoça, já não tão moça assim; um professor de português em África; um especialista em desenvolvimento; um dealer; um velho pedófilo. Num perturbador jogo de espelhos, todos eles se reencontram noutras vidas, noutros destinos, noutras geografias, vítimas do grande Maelström (o remoinho gigante das lendas escandinavas), que tudo suga e dispersa. Perdido de volta romance absolutamente original no panorama da literatura em língua portuguesa, anuncia um nome que importa fixar: Miguel Gullander.
José Eduardo Agualusa

MIGUEL GULLANDER é um jovem escritor português de origem sueca. Traduziu, do sueco para o português, as sagas viking, e, a partir do inglês, poesia zen. Foi professor de português na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, e na capital de Moçambique, Maputo, estando actualmente a residir em Benguela, Angola, como docente da Universidade Agostinho Neto.

Autor: Miguel Gullander

Editor: Língua Geral (Brasil)
Colecção: Ponta de Lança
Ano de edição: 2007

(fonte: Língua Geral )

AMOR NA ILHA E OUTRAS PARAGENS


"Pura manifestação de machismo crioulo! Queres ouvir uma coisa? Às vezes penso que a minha geração foi deveras interessante e com ela transportámos coisas bem castiças.
Os homens da Ilha quando ligavam com estrangeiras apenas se contava se eram bonitas, feias, simpáticas, antipáticas ou então se saloias, se finas."
In "Amor na Ilha e outras Paragens"

Autora: Camila Mont-Rond

Editor: Edições - Artiletra
Ano de edição: 2001

(fonte: Carlota de Barros)

MAR - CAMINHO ADUBADO DE ESPERANÇA


(Contos)

Chegar e partir foram, desde sempre, o selo da formação do povo cabo-verdiano.O homem cabo-verdiano que transporta uma cultura bem sedimentada, é frequentemente confrontado com culturas diferentes, sente que é diferente, mas não abre mão das suas marcas identitárias. Ainda assim tem conseguido o compromisso possível entre as duas realidades: a sua e a do outro.A gestão desse binómio produz fenómenos de adaptação muito curiosos e dignos de estudo para a compreensão da nação global que hoje somos. Com o saber adquirido através dos muitos esquemas de sobrevivência que vai inventando, o homem crioulo, na Diáspora, é portador de uma criatividade espantosa, o nosso emigrante vai misturando as duas vivências, procurando o equilíbrio possível entre elas até criar um espaço de respeito, valorização e reconhecimento.É dessa saga anónima que saem os contos desta colectânea que a autora dedica a todos os emigrantes cabo-verdianos espalhados pelas sete partidas.Os contos em número de dez (10) perfazem um total de 150 páginas A4. Variam entre 6 a 18 páginas em que a autora ficciona a realidade da vida dos emigrantes tanto nos países de acolhimento como na sua terra natal, realçando os temas do amor à terra, alguma desagregação familiar, o desejo do regresso, a participação no desenvolvimento. Passam ainda a ideia de que aos poucos o cabo-verdiano vai-se habituando a realizar os seus sonhos na sua própria terra sem necessariamente ter que partir. Aprofunda todavia a ligação ao torrão natal para a grande maioria cuja vida tem raízes seguras nos países de acolhimento.Resumindo, estas histórias fundamentam-se no pressuposto de que a Nação Cabo-verdiana transborda das ilhas e se existe nestas pedras algo eterno que conforta a alma cabo-verdiana, nos emociona e nos projecta como homens e mulheres, então no coração simbólico das Ilhas há lugar para todos.

Autora: Fátima Bettencourt

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia
Ano de edição: 2008

(fonte: blog FÁTIMA BETTENCOURT )

ULI-ME LI!


"A criança tem o direito de ser autodeterminada. A isto ripostamos que, se não for impedida de conservar as suas coisas, de correr na rua, de trepar às árvores, etc., correria o risco de se magoar. Mas, como é que nós, adultos, deixamos a criança viver em quartos ou num ambiente onde possa ferir-se? A falta é nossa e não dela, caso parta objectos."
.....
"Só há duas razões pelas quais não devemos conceder a uma criança todo o direito de decidir por ela própria: a possibilidade e o perigo que representa o ambiente em que vive e nós próprios, pois tratamo-la da mesma maneira que nos trataram quando éramos pequenos."
In "Uli-me Li!"

ARSÉNIO Daniel Fermino DE PINA, pediatra e médico de saúde pública aposentado dos Serviços de Saúde de Cabo Verde e da OMS.
Tem colaboração diversa de índole profissional, social e política em vários jornais, revistas nacionais e estrangeiras e vários livros publicados:"Uli-me li!" - Edição de Autor, Mindelo 1999; "Fi D Cadon!" - Ed.de Autor, Mindelo 1999; "Você Falou em Economia de Bazar?" - Ed. de Autor, Mindelo 2000; "Mania de Pensar" - Ed. de Autor, Mindelo 2001; "O Cérebro, Esse Orgão Perigoso" - Ed. de Autor, Mindelo 2002; "Coisas do Djunga!" - Ed. de Autor; "Quel Canapé de Tr3s Pé" - Ed. de Autor, Mindelo 2005; "Reflexões e Factos Diversos" - Ed. de Autor - Mindelo 2007.

Autor: Arsénio de Pina

Editor: Autor, Mindelo
Ano de edição: 1999

(fonte: Carlota de Barros)

A MINHA ALMA CORRE EM SILÊNCIO


A vida quando transposta para a poesia de Carlota de Barros não é apenas desgraça que se assume com imensa dor e uma infinita capacidade de a chorar. Não, a vida em muitos poemas da autora, é felicidade. É expressada na alegria de viver. É um desfrutar o outro numa imensa e deslumbrada conjugação, é utopia, é esperança e é sobretudo, comunhão. E a autora faz da vida um hino na sua poesia. Exalta os afectos da família, aliás sobre este ponto, Vera Duarte que lhe faz o prefácio deste livro, muito bem notou e ressaltou uma conseguida e feliz descrição, o que este precioso valor, a família, representa na simbologia poética de Carlota de Barros. E a propósito, o delicioso quadro da família à mesa, no movimentado poema:

Regresso a casa

"Todos os dias
regresso à casa
pai
tu e nós
alegremente
à volta da mesa
passa-me a travessa
Carlos
agora é a minha vez
há mais gente
para comer
Hernâni
passa-me o arroz”

Claro que o lado solidário do poeta faz-se também presente. Ele é-nos revelado na partilha, através da palavra poética, do imenso sofrimento que a enormidade das guerras fratricidas, trazem aos meninos de Luandae aos de Timor... Por outro lado, as ilhas são uma constante presença emquase todo este trabalho poético. De, e sob várias formas. Na saudade magoada revelada e que acompanha a autora no seu deambular cosmopolita, por outras terras que vai conhecendo e amando também, mas onde ela procura vestígios, traços, sinais, pequenas e por vezes subtis comparações, com a terra de origem. Mas também os cheiros, as cores, maresia olorosa, o azul, que preenchem a poesia de Carlota de Barros numa sinestesia projectada em fortíssima e belíssima imagética que completam harmoniosamente os quadros poéticos de "A Minha Alma Corre em Silêncio"
Ondina Ferreira

Autora: Carlota de Barros

Editor: autora
Ano de edição: 2003

CABO VERDE E S. TOMÉ E PRÍNCIPE


Educação e infra-estructuras como factores de desenvolvimento

Somos convidados nesta obra a seguir um interessante itinerário que começa pela elucidação da própria ideia de desenvolvimento, prosseguindo com tentativa de contribuir para responder a uma pergunta sempre presente em estudos desta natureza: Como avaliar os processos de desenvolvimento? Para os avaliar, estamos dotados de meios fiáveis para a sua aferição? Que indicadores utilizar? É possível quantificar os progressos do desenvolvimento humano e social? Podemos estar seguros de qual o sentido (na dupla acepção de significado e de direcção) desse mesmo progresso?

Autora: Manuela Cardoso

Editor: Afrontamento
Ano de edição: 2008

(fonte: FNAC )

SENTIMENTUS


Da-m kantinhu na bu vida
Nen si for imajináriu

Bus lábius
Ta rima
Ku beju…

Durmi na bus brasus
É korda nun paraizu
Undi sol é bus odjus
Mar é bu korpu
Y bu amor, nha alimentu

Nha vida
É palku
Undi bu podi rializa
Bus fantazias
Más íntimu

Ramiro Alberto Carvalho Silva (YMEZ) nasceu a12 de Setembro de 1978 na Vila de São Domingos, na ilha de Santiago, Cabo Verde. Aos 16 anos de idade, quando estudava o 11º ano no Liceu Domingos Ramos, na Cidade da Praia, teve de emigrar para os Estados Unidos da América, onde o pai vivia. Ali, no choque das culturas, começaram a surgir os primeiros versos, que mais tarde, após frequentar o Brockton High School e ter feito o curso de sociologia no prestigiado Bridgewater State College, viriam a dar corpo ao seu primeiro livro, Tchuba ka Ben, em 2000. Em 2003, o poeta YMEZ lança o seu segundo livro CRIOLA, que em poucos meses se esgotou. Em 2005 regressa a Cabo Verde, onde primeiro, dá aulas de inglês e trabalha no Corpo da Paz, para em 2007 começar a trabalhar com a editora Alfa-Comunicações. Agora dá à estampa mais um fruto da sua contemplação do mundo, num brotar fluído dos SENTIMENTUS de um jovem que luta para a transformação interna e da realidade cabo-verdiana.

Autor: YMEZ

Editor: Alfa Comunicações
Ano de edição: 2007

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Palácio Galveias)

O TEMPO DE B.LÉZA


Documentos e Memórias

B.Léza, um dos mais célebres compositores cabo-verdianos, só no poeta e também compositor Eugénio Tavares tem um equivalente em celebridade e permanência na memória colectiva cabo-verdiana. Como Eugénio, B.Léza “viveu de sua arte”, afirmou Baltasar Lopes da Silva ao microfone da Rádio Barlavento, por ocasião da morte do compositor.


Autora: Gláucia Nogueira

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia
Colecção: Estudos e Pesquisas
Ano de edição: 2005

O MEU TIO JONAS


Novela Coboverdeana

O Meu Tio Jonas, agora em volume separado, vem mais completo. Revisto e parcialmente remodelado, toma o livro a sua feição definitiva. Assim, ganha o leitor e ganha o autor para quem a forma é a melhor maneira de merecer amigos e honrar a arte.
O Meu Tio Jonas é um livro de certa heroicidade caboverdiana do tempo em que os vivem nele não tinham um mínimo de favores da sorte nem dos homens.

Autor: Teobaldo Virginio

CHINHO E COLIXO


Romance

Prémio de Literatura Africana 2003, Instituto Marquês de Valle Flôr

SAMUEL GONÇALVES é natural da ilha do Fogo - Cabo Verde. Médico de profissão tem exercido a sua actividade em Cabo Verde e Angola, país onde se formou. Estreou-se há 4 anos no campo literário com o Romance Chinho e Colixo, que agora se publica, tendo ganho em ex-aequo o Prémio de Literatura Africana 2003, promovido pelo Instituto Marquês de Valle Flôr.

Autor: Samuel Gonçalves

Editor: Edições Colibri
Ano de edição: 2006
Colecção: Literatura e cultura africana

(Para consulta:Bibliotecas Municipais de Lisboa)

INFINITO DELÍRIO


Infinito Delírio está dividido em seis livros ou cadernos, e cada com um desses livros está dividido por sua vez em doze partes que é, simbolicamente, a medida de ouro, do Cosmos e da perfeição. O livro representa assim o universo e a sua complexidade, as manifestações cósmicas, o renascimento das coisas e a perspectiva do devir e de um certo paraíso geométrico (isto, na linha de alguns teóricos sobre a potência numérica). Os seis livros já estão em sintonia com o princípio dos antagonismos e do destino místicos; fonte de coisas temporais e intelectuais, da questão do bem e do mal, e, potencialmente, também, de uma tendência expansiva e perfeccionista.

Apesar da unicidade de estilo, no todo da obra, cada livro que a constitui possui a sua particularidade em termos formais, de linguagem e do modo de enunciação, para além dos aspectos temáticos e da essência dos conteúdos. Essencialmente imagético e metafórico, o livro possibilita uma multiplicidade de leitura, com algumas passagens próximas de um hermetismo redondo. Indo de questões ontológicas a questões metafísicas e existenciais, os poemas ressumam a indagações filosóficas e místicas. O mistério das coisas e dos desígnios é abordado de diversos ângulos.

É um livro prenhe de simbolismo que percorre a interioridade do homem, da vida, do mundo e do Cosmos; em busca do infinito?! Ou simplesmente dele se aproximando e convivendo?!
Em sintonia com as modernidades contemporâneas, Infinito Delírio é uma obra que atinge os sentimentos dos leitores de uma forma impulsiva e profunda pelo estetecismo dos versos e pela plasticidade das palavras e que exige, contudo, uma leitura atenta ponderada e analítica para se poder colher todo o seu manancial proverbial, profético, messiânico e sugestivo, devido ao seu discurso tecido de um jogo entre a luz e a sombra, o claro e o escuro, o revelado e o oculto.
É um livro para os sentidos, para ser apercebido e absorvido, pelo idealismo e musicalidade da sua escrita e pela sublimidade e fantasia do seu enunciado, às vezes idílico e lírico, às vezes etéreo, às vezes irreverente, às vezes pertinente, às vezes necessário, às vezes chã e exacta.

Autor: Danny Spínola

Editor: IBN
Ano de edição: 2002

NOTÍCIAS QUE FAZEM HISTÓRIA – A MÚSICA DE CABO VERDE PELA IMPRENSA AO LONGO DO SÉC. XX


O livro Notícias que Fazem a História - A música de Cabo Verde pela Imprensa ao longo do séc. XX, mostra aspectos da vida musical e cultural de Cabo Verde permitindo ao leitor percorrer diferentes temas e momentos, conhecer histórias, personagens, mentalidades, enfim, a evolução da vida cultural cabo-verdiana ao longo do século XX, chegando à primeira década do século XXI.
Resulta de pesquisa documental e de entrevistas realizadas pela autora ao longo de vários anos, seja no contexto da sua actividade profissional, ligada ao jornalismo cultural, seja no âmbito do seu projecto – que já leva uma década – de investigação sobre personagens da música cabo-verdiana.
Trata-se de uma colectânea de textos inéditos e outros adaptados, em alguns casos actualizados, da sua publicação original, que ocorreu entre 2002 e 2006, em órgãos de comunicação impressos e online.

GLÁUCIA NOGUEIRA, brasileira, jornalista, vive em Cabo Verde desde 2002. Foi em Lisboa, nos anos 90, que teve os seus primeiros contactos com a cultura e as gentes de Cabo Verde, na altura colaborando no “Novo Jornal Cabo Verde”.
A partir de meados da década de 90 inicia, valendo-se das ferramentas da sua profissão, uma investigação em profundidade e sistemática sobre a música cabo-verdiana, ao mesmo tempo que inicia os seus estudos na área da Antropologia.
Autora também de O Tempo de B.Leza – Documentos e Memórias (Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia, 2005) sobre a vida e obra do maior compositor cabo-verdiano de sempre.

Autora: Gláucia Nogueira

Ano de edição: 2007
Patrocínio: SEGURADORA GARANTIA

CABO VERDE - TRADIÇÃO E SABORES


A gastronomia encerra, nos ingredientes que a compõem, inumeráveis informações históricas, geográficas e sociológicas.
Cabo Verde, nação formada em quinhentos, na confluência das Rotas Atlânticas para as Américas, África e Oriente, vai servir de “estufa” a homens, animais e plantas.
A aclimatização necessária ao trânsito entre espaços diferentes vai proporcionar a absorção de alimentos e modos de os preparar, que vêm um pouco de todo o mundo.
Mas, como em todo o lado, em cada cadinho de arquipélago se desenvolvem iguarias específicas dos seus produtos e saberes dominantes.
A gastronomia é, se dúvida, para além de uma arte de preparação de iguarias e de bem comer, uma Embaixadora Cultural.
A obra “CABO VERDE – Tradição e Sabores” será um instrumento interessante ao serviço da divulgação da multifacetada culinária cabo-verdiana.
Onésimo Silveira, Embaixador

Autora: Yara dos Santos

Editor: Garrido dos Santos
Ano de edição: 2003

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Palácio Galveias)

AGRESTE MATÉRIA MUNDO


O livro de poemas de José Luís Tavares, "Agreste Matéria Mundo", foi galardoado com o mais importante prémio literário cabo-verdiano, o Prémio Jorge Barbosa, atribuído pela Associação de Escritores Cabo-Verdianos.

JOSÉ LUÍS TAVARES nasceu a 10 de Junho de 1967, no lugar de Chão Bom, concelho do Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia. Tem colaboração em jornais e revistas de Cabo Verde, Portugal e Brasil. Pelo seu primeiro livro publicado, "Paraíso Apagado por um Trovão", recebeu o Prémio Mário António de Poesia 2004, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian à melhor obra de autor africano de língua portuguesa e de Timor-Leste publicada no triénio 2001-2003.

Excerto da obra:
ET IN ARCADIA EGO
Lápides e torres. P'lo fumo
coalescendo em tua garganta
ou p'lo murmúrio do papagaioa
finando seu repertório de injúrias,
sabes que é manhã.[...]

Autor:José Luís Tavares

Editor: Campo das Letras
Colecção: Campo da Poesia
Ano de Edição: 2004

(fonte: Campo das Letras)

ASPECTOS POLÍTICO-SOCIAIS NA MÚSICA DE CABO VERDE DO SÉCULO XX


“Estamos perante um trabalho de cunho originalíssimo e que vale a pena ser lido.
(…) Alveno Óscar Pereira Figueiredo e Silva, num rasgo feliz de intuição, demonstra tacitamente que as nossas ilhas estão sempre presentes no palco da universalidade dos factos que tecem a história da humanidade, ainda muito antes do fenómeno formal da globalização.
Isso significa que, de há século, que afinal estamos globalizando e sendo globalizados, sem que pouquíssimos porventura hajam dado por tal.
(…) Talvez, no entanto, possamos afirmar que o cabo-verdiano, por ser ilhéu e situado na encruzilhada das rotas mais dinâmicas do planeta e não por dispor de suficientes recursos naturais disponível, haja sido o produto de uma incomparável hipertrofia, de que Alveno nos dá conta no livro que ora nos traz a lume. Por estar maioritáriamente diasporizadas, pelas quatro partidas do mundo, a nação cabo-verdiana transborda, de modo impressionante e mesmo incrível, o reduzido espaço territorial do arquipélago da sua própria gesta.
Daí a vocação universalista ou planetária da sua própria vivência, embora limitada pelo horizonte que o poeta Jorge Barbosa alega que nos limita sonhos e sufoca desejos, que, no entanto, a música liberta, num fenómeno quiçá único no planeta.
E a obra de Alveno é a evidenciação cristalina desse axioma, que, por o ser, não carece de qualquer processo de demonstração teoremática.”
Francisco St. Aubyn Mascarenhas

ALVENO ÓSCAR PEREIRA FIGUEIREDO E SILVA, nasceu na cidade da Praia, ilha de S. Tiago, a 8 de Agosto de 1996.
A infância e adolescência passou-se na ilha do sal, onde o pai trabalhou como funcionário das Alfândegas. Ainda jovem, entrou para a “Retransmissora do Sal”, onde tomou primeiro contacto com a comunicação social. Pouco tempo depois, em S. Vicente, passou a animar eventos culturais. Em 1987, ingressou como jornalista – apresentador na então TVEC que seria mais tarde transformada em TNCV (Televisão experimental / Nacional de Cabo Verde). É também autor de vários documentários sobre a música e história de Cabo Verde. Representou a televisão de Cabo Verde no Festival Prix Futura de Berlim, na Alemanha 1991. Na Holanda, foi coordenador das emissões da Rádio Voz de Cabo Verde – 1995.
Continua ligado à televisão estatal.

Autor: Alveno Figueiredo e Silva

Editor: Centro Cultural Português – Praia-Mindelo
Colecção: “História da Música em Cabo Verde”
Ano de edição: 2003

(Para consulta: Fonoteca Municipal de Lisboa )

A MEMÓRIA EDUCATIVA RECUPERADA NO CABO VERDE BOLETIM


A obra reproduz a investigação centrada na reconstrução da memória educativa em Cabo Verde no período de 1949 a 1964, com base na documentação recolhida no Cabo Verde Boletim, denominado, de 1949 a 1962, Boletim de Propaganda e Informação e, de 1962 a 1964, Boletim Documental e de Cultura.
Em 2006, foi distinguida com o Prémio Sena Barcelos, instituído pela Associação de Escritores Cabo-verdianos e pelo Instituto Camões - CCP, que efectua a sua edição.

ADRIANA CARVALHO é Mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Pasicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Frequenta, actualmente, o curso de Doutoramento em Ciências da Educação da mesma Universidade. Desempenhou vários cargos técnicos e de direcção em serviços e projectos do Ministério da Educação de Cabo Verde. Foi Directora da Escola de Formação de Professores do Ensino Secundário, Presidente do Instituto Pedagógico e Pró-Reitora da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde. É autora de manuais escolares de História e Ciências Integradas e de obras ligadas à Educação.

Autora: Maria Adriana Sousa Carvalho

Editor: Instituto Camões - Centro Cultural Português
Ano de edição: 2007

ÁFRICA 30 ANOS DEPOIS


ANGOLA / CABO VERDE /
GUINÉ-BISSAU / MOÇAMBIQUE /
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

REPORTAGENS - MEMÓRIAS -

MAPAS - FOTOGRAFIAS

“A VISÂO assinala, com a publicação deste álbum, o 30º aniversário da independência dos países africanos de expressão oficial portuguesa.
Trata-se de uma iniciativa jornalística de grande envergadura, para cuja concretização não foram poupados esforços.
O primeiro dos objectivos que nos nortearam foi dar a conhecer a situação actualmente vivida – nas mais diversas vertentes – nessas antigas colónias, tão familiares aos muitos milhares de portugueses que lá viveram e pátrias de tantas pessoas que actualmente moram e trabalham em Portugal.”

Editor: VISÃO
Ano de edição: 2005

COZINHA TRADICIONAL DE CABO VERDE


A maior parte das ilhas de Cabo Verde são montanhosas e de origem vulcânica. Com tais características, agravadas pelos ventos quentes e secos provenientes de África e pela escassa pluviosidade, encontramos um solo pouco produtivo. Mas o trabalho e o esforço dos cabo-verdianos tem-lhes permitido tirar partido de algumas culturas, tais como o milho, a mandioca e a cana-de-açúcar. Bananas e certos frutos tropicais também fazem parte dos seus recursos. Utilizam por vezes a carne em salga, sendo a base da alimentação o milho, o feijão e a mandioca.
Este povo, apesar das adversidades e das inúmeras dificuldades que enfrenta, é orgulhoso da sua cultura, e isso reflecte-se, também, na gastronomia, rica e inventiva.

Canja de Lagosta # Sarapatel
Bife de Atum # Inhame Refogado
Cachupa de Peixe # Aranha de Coco
Arroz de “Porchave” # Suspiros de “Mancarra”

Autora: Maria Teresa Lyon de Castro

Editor: Publicações Europa-América
Colecção: Cozinha Tradicional
Ano de edição: 2003

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa – Palácio Galveias)

TARRAFAL, MEU AMOR VERDEANO!


Nesta sua obra, GABRIEL RAIMUNDO fornece-nos inúmeras provas de quão vasto é o Tarrafal, pleno de dimensões e de realidades que devemos conhecer, pleno de intensa e humana vivência que supera a dolorosa carga a que o fascismo o remeteu. Por isso, entendeu a Câmara Municipal da Amadora associar-se à publicação deste trabalho, contributo de valor para uma cada vez mais necessária aproximação entre os povos e as culturas.
Fernando Teixeira Pereira

Autor: Gabriel Raimundo

Editor: AQUEDUTO
Colecção: Veredas
Ano de edição: 1993
Patrocínio: Câmara Municipal da Amadora

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa – Palácio Galveias)

O FAZEDOR DE UTOPIAS


Uma Biografia de Amílcar Cabral

A história do homem que liderou a independência das colónias portuguesas e África

«Amílcar Cabral nasceu guineense e cabo-verdiano, numa generosidade pan-africanista que, paradoxalmente, haveria de ser a sua desgraça. Tenho para mim que foi uma das figuras mais interessantes do século XX, uma espécie melhorada (muito melhorada mesmo) de Che Guevara africano. O facto de o seu nome e de a sua obra dizerem hoje tão pouco às novas gerações de intelectuais africanos, e de ser praticamente desconhecido fora do continente, afigura-se-me uma enorme injustiça. Este livro tenta devolver ao grande público essa figura maior de África. Fá-lo numa linguagem jornalística, apoiada numa investigação rigorosa. O facto de o seu autor, António Tomás, ser angolano, não me parece irrelevante. Trata-se de dar a ver um pensador e combatente africano numa perspectiva africana. Algo que teria certamente agradado a Amílcar Cabral.» José Eduardo Agualusa

Os factos da vida de Amílcar Cabral são mais ou menos conhecidos: nasceu na Guiné, Bafatá, em 1924, de pais cabo-verdianos; estudou agronomia em Portugal e fundou o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), movimento na vanguarda das independências dos países africanos de expressão portuguesa. Morreu, em Janeiro de 1973, às mãos dos seus próprios homens, numa conspiração cujos contornos ainda não se conhecem na totalidade. Nesta biografia, a primeira de grande fôlego sobre um líder nacionalista africano, António Tomás não se limita a reconstituir a vida de Amílcar Cabral. Dá igualmente conta da época conturbada em que se desenrolou a gesta nacionalista africana. Numa linguagem simples e acessível, «O Fazedor de Utopias - Uma Biografia de Amílcar Cabral» é também uma reflexão lúcida e perspicaz sobre os movimentos de libertação, quando já se tornaram obsoletos os ideais que lhes deram fundamento.

Autor: António Tomás

Editor: Tinta da China Edições
Ano de edição: Outubro 2007

CESÁRIA ÉVORA


Biografia Autorizada

“Chamam-me a embaixatriz da música de Cabo Verde e da música africana, rainha das mornas, diva dos pés descalços. Também já me chamaram “grogue velho” e “vinho do Porto”. Dizem que é por cantar cada vez melhor. Deve ser por isso que em França escrevem que eu lembro a Edith Piaf, em Portugal já me perguntaram se eu me considerava a Amália Rodrigues de Cabo Verde, os que gostam de jazz sempre falam de Billie Holiday, e até já me mostraram um jornal onde estava escrito que eu era a “Bessie Smith dos Trópicos”.”

JOSÉ MANUEL SIMÕES é licenciado em Jornalismo Internacional, professor de Fotojornalismo na Escola Superior de Jornalismo do Porto e jornalista da secção de cultura e espectáculos de Jornal de Notícias.

Autor: José Manuel Simões
Fotografias de José Simões e Jacek

Editor: Francisco Lyon de Castro – Publicações Europa-América
Colecção: Platina
Ano de edição: 1997

(Para consulta: Fonoteca Municipal de Lisboa e BLx – Palácio Galveias)

ENSAIO E MEMÓRIAS ECONÓMICAS SOBRE AS ILHAS DE CABO VERDE (SÉCULO XVIII)


“Ensaio político sobre as ilhas de Cabo Verde para servir de plano à história filosófica das mesmas; e memórias sobre a Urzela de Cabo Verde e sobre a fábrica Real do Anil na Ilha de Santo Antão”.

Autor: João da Silva Feijó
Apresentação e comentários: António Carreira

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro
Colecção: Estudos e Ensaios - 1
Ano de edição: 1986

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Oeiras )

CABO VERDE NA ROTA DOS NAUFRÁGIOS


EMANUEL CHARLES D’OLIVEIRA nasceu na cidade capital do Senegal, situada na quase ilha do Cabo Verde, cabo que era e ainda é verde, contrariamente às ilhas a que deu o nome que de verde só o nome têm ou que só o são quando chove.
Nela porém, apenas fez o ensino primário, tendo feito a escola secundária na Praia e os estudos superiores nas cidades de Moscovo e Porto. Na primeira, licenciou-se em Cultura Física e Desporto, tendo ainda obtido um mestrado em Ciências Pedagógicas, nessa mesma grande cidade capital da Rússia. Na segunda, obteve também um mestrado em Ciência do Desporto.
No entanto, a sua costela inquieta ou os seus propósitos e ambições profissionais levaram-no a também frequentar cursos de mergulho comercial e recreativo nos EUA, com percurso pela Florida, New Jersey e Massachusetts, detalhe biográfico que faz sentido para quem, como ele, já se formara em Moscovo, como treinador de natação. Em Cabo Verde, dirigiu o Departamento do Desporto da AAC-CV, foi professor de Educação Física, Director Geral do Desporto, fiscal do Governo no projecto de pesquisa arqueológica “Arqueonautas”, exercendo, de novo, na hora presente, a profissão de professor de Educação Física.
Activista desportivo, tem por hábito e gosto envolver-se em projectos da área em que se formou, com gosto acentuado pelo mergulho e actividades marítimas, conexas.
Falta dizer, e é por aqui que devia ter começado esta notícia biográfica, que nasceu no ano de graça de mil novecentos e cinquenta e oito, estando pois na faixa etária pós-balzaquiana dos que ainda não atingiram meio século de idade.
Espírito curioso, indagativo e rigoroso, pendor natural e/ou adquirido que se manifestou com pertinência enquanto fiscal do Governo, como tive a ocasião de constatar na qualidade de presidente do INAC, organismo estatal responsável pelo património cultural, Emanuel T. Charles estava quase fadado, após a sua passagem por “Arqueonautas”, a escrever esta obra pioneira e rica de interesse histórico-cultural, como se pode constatar, mesmo numa leitura em diagonal, não obstante as suas experiências profissionais básicas não se situarem nas áreas da história ou das letras, sendo talvez esta uma das razões que explicam o estilo tão particular desta historia trágico-marítima, numa língua enxuta, informativa e reduzida ao essencial e que, sem flores de retórica nem arabescos exóticos consegue no entanto transmitir com vivido colorido os ambientes, as peripécias e os dramas por que passaram os actores destas aventuras pelos mares que percorreram sendo o das ilhas de Cabo Verde o do seu derradeiro e funesto término.
Mário A. Fonseca

Autor: Emanuel Charles D’Oliveira
Prefácio: António Correia e Silva

Patrocínio: CAIXA ECONOMICA DE CABO VERDE

LITERATURA AFRICANA, LITERATURA NECESSÁRIA


II – MOÇAMBIQUE, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

A independência das ex-colónias portuguesas em África levou o prof. Hamilton a refundir o seu estudo de conjunto sobre as literaturas africanas de expressão portuguesa que, em plena repressão colonial, exprimiam já a consciência nacional dos respectivos povos.
Resultou assim uma obra profundamente diversa da primeira versão, publicada em língua inglesa, tomando já em conta a produção literária do período pós-independência em Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

CABO VERDE

- As origens de uma sociedade crioula
- As origens de uma literatura sui generis
- A poesia moderna e uma nova poesia
- A preeminência da narrativa caboverdiana
- A literatura pouco antes e pouco depois da independência

Autor: Russel G. Hamilton

Editor: Edições 70
Colecção: Biblioteca de Estudos Africanos
Ano de edição: 1984

(fonte: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Orlando Ribeiro)

PINOK E BALEOTE


De Tamarindo, ilha imaginária de Cabo Verde, chega-nos a história de Pinok, um menino crioulo com fama de muito mentiroso. O relato de uma amizade entre homens e animais que acaba por salvar a ilha, semeando solidariedade. Em jeito de contador de histórias, Miguel Horta leva-nos através da atmosfera das ilhas, fazendo-nos sentir a cultura crioula.

Autor: Miguel Horta

Editor: Pé de Página Editores
Ano de edição: 2006

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Orlando Ribeiro)

ILDO LOBO


A Voz Crioula

Impressionava… a sua humildade, apesar da consciência do lugar que lhe cabia no panorama da música cabo-verdiana…. A justificação que ele dava para essa disponibilidade é que ele se achava um cantador e não um cantor, distinção que ele nunca esclarecia mas que arrisco a traduzir como de alguém que, para além do gosto, sentia a missão de cantar para o seu povo.
As boas qualidades humanas terão servido para ampliar, ainda mais a simpatia do povo cabo-verdiano, que, pela certa, se sentirá orgulhoso e grato por esse ilustre filho da terra que muito contribuiu para o seu engrandecimento. A impressionante multidão de gente conhecida e anónima que se juntou para o acompanhar à última morada e as muitas homenagens que se lhe vem prestando desde o seu desaparecimento físico, são prova disso mesmo.
Adalberto Silva (Betú)

YARA DOS SANTOS iniciou a sua carreira literária em 2002, com a publicação em Portugal e Cabo Verde, do livro “Força de Mulher”, seguido de “Cabo Verde: Tradição e Sabores”, em 2003. Licenciada em Comunicação Empresarial e pós-graduada em Marketing Político, Assessoria de Imprensa e Protocolo, trabalha actualmente no Instituto Nacional de Estatística.

Autora: Yara dos Santos

Editor: SeteCaminhos, Produções Editoriais
Ano de edição: 2006

(fonte: SeteCaminhos, Produções Editoriais)

ANTOLOGIA TEMÁTICA DE POESIA AFRICANA 1


NA NOITE GRÁVIDA DE PUNHAIS

Cabo Verde / São Tomé e Príncipe
Guiné / Angola / Moçambique


A poesia africana de escrita portuguesa e crioula, sob o condicionamento da dominação colonialista, articula-se intimamente ao movimento de libertação nacional. Ela ritma o longo combate: negar a negação e realizar a emergência histórica dos povos. Utilizando o privilégio de serem investidos do verbo, os poetas da noite grávida de punhais exprimiram, até às suas derradeiras consequências, os sentimentos informulados que agitavam as massas, dominaram os elementos culturais de afirmação nacional através do grito, do canto e do apelo.
Autor de vários ensaios de carácter político e literário, Mário de Andrade, actualizando as suas obras anteriores, apresenta-nos o primeiro tomo de uma antologia de poesia africana que privilegia os temas, mas considera também as particularidades geográficas e a ordem cronológica.

Autor: Mário de Andrade

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro
Ano de edição: 1980 (3ª)

(fonte: Bibliotecas Municipais de Lisboa – Palácio Galveias)

ANTOLOGIA TEMÁTICA DE POESIA AFRICANA 2


O CANTO ARMADO

Cabo Verde / São Tomé e Príncipe
Guiné / Angola / Moçambique

Os autores aqui reunidos sob o signo da inspiração suscitada pela luta armada de libertação nacional já são contemporâneos das mutações revolucionárias em curso.
Anónimas ou individualizadas, estas produções trazem o testemunho vivo do carácter permanente da poesia, forma de expressão em sintonia com os mais belos projectos de esperança dos homens.

Autor: Mário de Andrade

Editor: Livraria Sá da Costa Editora
Colecção: Vozes do Mundo
Ano de edição: 1979

(fonte: BMBarreiro)

CABO VERDE, SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA NOSSA LUTA DE LIBERTAÇÃO


“Qualquer luta de libertação nacional, qualquer resistência activa a um determinado opressor, tem a sua história.
Escrevê-la é tarefa dos historiadores.
Contá-la é obrigação de todos quantos participaram verdadeiramente nessa luta, se empenharam de facto nessa resistência”.
Participante activo nas lutas de libertação de Cabo Verde, é com estas palavras que Jorge Querido define a razão principal deste seu livro.
Mais do que tudo o que ele pretende é contar “de forma concisa e sem recurso a quaisquer artifícios”, com a isenção que lhe permite o seu actual desengajamento político-partidário, o que foi e como se processou toda essa fase cruciante de luta e resistência anti-colonial.

Autor: Jorge Querido

Editor: Vega
Colecção: Estórias da História
Ano de edição: 1989

(fonte: BLx – Palácio Galveias)

HISTÓRIA DA GUINÉ E ILHAS DE CABO VERDE


Durante milhares de anos, os povos foram mantidos na ignorância por aqueles que viviam do seu trabalho, que os exploravam: os colonialistas levaram este procedimento ao extremo. Assim, os colonialistas portugueses por exemplo, mantinham na ignorância as populações da Guiné e de Cabo Verde; eles tentavam fazer-lhes crer que elas não tinham uma história própria, não tinham passado e que a história começava somente a partir do momento da chegada dos primeiros navegadores portugueses, às costas da África.
Mas hoje em dia, no mundo inteiro, os povos recusam deixar-se explorar e enganar por mais tempo. Na Guiné e Cabo Verde, sob a direcção do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, o povo tomou nas mãos a sua própria orientação, o seu próprio destino. Com as armas na mão, luta contra a barbaridade dos colonialistas. Ele luta para pôr fim à escravatura e à ignorância em que o tinham mantido os colonialistas. Por isso, o povo deve conhecer o seu próprio passado.

PAIGC

Editor: Edições Afrontamento
Colecção: Libertação dos Povos das Colónias
Ano de edição: 1974

(fonte BMOeiras)

REFLEXÕES SOBRE A PESCA EM CABO VERDE


Esta brochura reúne o conjunto dos textos apresentados no I Encontro Nacional das Pescas, realizado por iniciativa da Secretaria de Estado das Pescas de Cabo Verde em Fevereiro de 1985, o qual contou com o apoio da FAO.
Como o Encontro, ela situa-se num momento de balanço de 10 anos de independência, e de preparação do próximo Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) em que o desenvolvimento das pescas constitui uma prioridade. A difusão para um público não especializado (ou para um largo público) visa principalmente permitir a todos que se interessam pelo desenvolvimento de Cabo Verde, poder melhor conhecer e avaliar a importância das pescas.

Editor: Secretaria de Estado das Pescas
Ano de edição: 1985
Patrocínio: FAO (Org. das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura)

(fonte: BMOeiras)

UMA RECUPERAÇÃO DE RAIZ: CABO VERDE NA OBRA DE DANIEL FILIPE


Dissertação de Mestrado defendida em 1979, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil, inaugurou a Colecção TESE do Instituto Caboverdiano do Livro e do Disco.
Apresenta Cabo Verde e sua cultura com base nos textos poéticos de temática crioula de Daniel Filipe.

Autora: Simone Caputo Gomes (Brasil)

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro e do Disco
Colecção: "TESE"
Ano de edição: 1993

(Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro de Cabo Verde)

COMEMORAÇÕES DO 75º ANIVERSÁRIO DA CRIAÇÃO DO LICEU DE CABO VERDE


Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde


A Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde promoveu, entre Outubro e Novembro de 1992, nesta cidade de Lisboa a comemoração do 75º Aniversário da criação do Liceu em S. Vicente de Cabo Verde. O programa mencionava uma publicação que relatasse o evento e fizesse um pouco da história do Liceu.

Editor: Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde
Ano de edição: 1992

(fonte: BMOeiras)

O PERCURSO GEOGRÁFICO E MISSIONÁRIO DE BALTASAR BARREIRA EM CABO VERDE, GUINÉ, SERRA LEOA


As cartas do Jesuíta Baltasar Barreira relativas à missão de Cabo Verde, entre os anos 1604 e 1612, manifestam vários aspectos de interesse sobre a temática dos Descobrimentos e da Expansão Portugueses, por enquadramento na Literatura de Viagens. Tornam-se mais nítidas as questões históricas, sociais e missionárias entre Portugal e África, desde que vistas por uma perspectiva cultural onde as cartas do missionário, além de documentarem o que dizem, exprimem a subjectividade do homem mediante efeitos de estilo tornados sensíveis pela análise literária.
A viagem propriamente dita acentua o tempo real da sua realização entre as ilhas e o continente, o registo do que pareceu notável, os acidentes do trajecto e os aspectos espirituais do evangelizador. O tratamento dos tempos da história, da escrita, da calendarização litúrgica, da atemporalidade do sagrado, oferecem uma excelente base para o melhor entendimento do pensamento dos homens da época e, sobretudo, da verdade das convicções que animam os missionários. A escrita das cartas comporta elementos que a teoria da Literatura e da Linguagem podem elucidar, tendo-se em vista vários aspectos importantes para o estudo do autor, do seu tempo, da importância da fé religiosa como atitude e maneira de conceber a vida das pessoas e das instituições. Podem-se compreender os padrões religiosos, culturais, morais e gnoseológicos que moviam o olhar destes homens sobre os negros-africanos, e entender o relacionamento nestes momentos iniciais dos encontros de culturas, muitas vezes carregados de equívocos.

Autora: Graça Maria Correia de Castro
Prefácio: Maria Emília Madeira Santos

Editor: Sociedade Histórica da Independência de Portugal
Ano de edição: 2001

(fonte: Bibliotecas Municipais de Oeiras )

AMÍLCAR CABRAL



Autor: Carlos Pinto Santos

Editor: Matéria Escrita
Colecção: Breves Biografias
Ano de edição: 1998

(fonte: BLx – Palácio Galveias)

A ODISSEIA CRIOULA - THE CREOLE ODYSSEY


As tristezas, alegrias e esperanças do emigrante cabo-verdiano

Este livro foi escrito para o Povo, para o filho, a filha, a mãe, o pai e os amigos do Povo de Cabo Verde: Por isso procurámos escrevê-lo tão simples quanto nos foi possível para que se possa compreender o que realmente dizemos nele. Ele não é mais nem menos que uma conversa sincera com o Povo no sentido indicado aqui, uma conversa sobre as alegrias, tristezas e esperanças do Povo cabo-verdiano.


This second edition of The Creole Odyssey, i.e., the Capeverdean People's Odyssey is revised and enlarged. Both the first and the second editions have the purpose of functioning as an ideological arm in our fighting for an authentic independence of Cape Verde at all levels: political, economic, intellectual, moral and spiritual.
This anthology is, generally speaking, addressed to all those who are interested in fighting against all forms of dictatorship, being one of them the One Party Regime like the one prevalent in our country from 1975 to 1991, namely the PAIGC/CV which was a communist party, the foundation of which is Marxism-Leninism, an atheistic and materialistic conception of the world and Man. The book is, however, of particular importance for the people of the ex-colonies in the Third World, especially the Portuguese ones, i.e., Cape Verde, Guinea Bissau, S.Tomé e Príncipe, Angola and Moçambique. The book is conceived with the purpose of awakening these people's awareness of their human dignity which, as we hope, may create in them the real sense of moral responsibility, a human characteristic - a moral virtue - without which there will be no good social order and the unity necessary for democracy, liberty and social justice, all of which constitute vital needs of the ex-colonies.
Our anthology contains the contributions of different Capeverdean writers spread over almost the whole world, which means that it has the potentiality to give a rich and correct account of the multifarious experiences vécues of the Capeverdean people residing in various parts of the world.
The term Odyssey is used here in analogy to its original sense as it occurs in the writings of the poet Homeros who describes the Greek Odyssey. The only difference between the two is that the Greek Odyssey is about the struggle and suffering of one man (Ulisses), a suffering which ended with victory and glory, whereas the Creole Odyssey is about the suffering of an entire people, during generations and generations of more than 500 years, a constant agony created by the colonial oppression, an indefinite anguish caused by the hardship of the climate of our beloved country, and the martyrdom and torment engendered by emigration, all these comprising an immense suffering which has not seen its end, and which is still lacking the victory and glory of the Greek Odyssey.
By analysing all these factors which induce in the Capeverdeans all kinds of suffering, by counterbalancing the latter with the few moments of joy and satisfaction, by taking into consideration the everlasting effect of our paciência (patience) and esperança (hope), both of which being the, panacea and comfort of all our suffering, the authors of this book attempt to delineate the necessary ideological and moral presuppositions for a future Cape Verde, one which is capable of dignifying all her children by providing them with the means necessary for the satisfaction of their basic needs, the primary as well as the secondary ones. By doing this through, inter alia, democratic laws and the implementation of social justice, without discriminating anybody, Cape Verde may be respected by all nations of the world, at least by those which are members of the United Nations, that is to say, those that have deliberately and by moral imperative obliged themselves to defend all the articles of the UN:s Universal Declaration of Human Rights!
We deeply apologize for the various mistakes found in the first edition in 1990, which can be explained by the fact that the book was written under a great time pressure. We hope that this edition is better than the former in various respects

DOMINGOS BARBOSA DA SILVA é Licenciado em Farmacologia pela Universidade de Oslo, Noruega e trabalha como farmacêutico na Noruega. Domingos é um colaborador assíduo do Terra Nova do qual é correspondente na Noruega. É, com o irmão António, co-autor do livro KULTURKONFRONTATION – KRIS ELLEER MOJLIGHET? (A Confrontação cultural – conduz ela necessariamente a uma crise ou é uma possibilidade de desenvolvimento da personalidade?), escrito em sueco, norueguês e inglês, Uppsala, 1988. Foi editor do Boletim Informativo, Tribuna do Emigrante, da Associação Cabo-Verdiana de Oslo. Domingos tem publicado vários artigos sobre a farmacologia e a microbióloga clínicas.

ANTÓNIO BARBOSA DA SILVA tem o curso de Electrónica pela Escola Militar de Electromecânica em Paço de Arcos, Portugal, curso correspondente ao Agente Técnico da Engenharia. Estudou Psicologia na Universidade Católica de Lisboa (Instituto Superior de Psicologia Aplicada; estudou Psicologia nas Universidades de Oslo, Noruega e Uppsala, Suécia; estudou Pedagogia na Universidade de Estocolmo, Suécia. Tem o curso de Pastor pelo Instituto Betel, Suécia, onde foi professor durante dois anos. É Licenciado em Filosofia, Doutorado em Teologia Racional pela Universidade de Uppsala onde exerce o cargo de Professor-Catedrático-Assistente (Docent) desde 1982. Durante 1987 desempenhou o papel de Secretário da igreja Sueca para o Diálogo entre o Cristianismo e as outras Religiões. Durante esse tempo escreveu o opúsculo Racismo Entre Nós e o livro Missão e o Diálogo entre o Cristianismo e Outras Religiões (co-autor: padre, Hans Ucko). Desde 1 de Janeiro de 1993 é professor de filosofia da ciência no Nordic School of Public Health (50%). A partir de 1 de Agosto de 1993 desempenha o cargo de professor de Ciências da Religião em Stavanger, Noruega. Ensina, inter alia, ética cristã, os fundamentos ontológicos e gnoseológicos das ideologias contemporâneas (e.g., Marxismo-Leninismo, Existencialismo, Fenomenologia e Humanismo); ensina Ética Medicinal em vários Hospitais Académicos e várias Universidades da Suécia, Finlândia, Aland e Noruega, nos quais se usam alguns dos seus livros e artigos como textos curriculares obrigatórios. Tem dado vários programas e cursos, por exemplo, de Ética Medicinal para estudantes de medicina e enfermagem, na Rádio e na Televisão sueca. António tem também escrito vários artigos em vários jornais internacionais e suecos.

Autores: António Barbosa da Silva; Domingos Barbosa da Silva

Editor: Autores
Ano de edição: 1993 (2ª)

(fonte: Domingos Barbosa da Silva)

UNIVERSIDADE E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL NOS PEQUENOS ESTADOS EM DESENVOLVIMENTO : O CASO DE CABO VERDE


Tese de doutoramento - Ciências de Educação. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Lisboa, 2006. Contém índices e referências bibliográficas.

Autor: André Corsino Tolentino

Editor: Fundação Calouste Gulbenkian
Colecção: Estudos Africanos
Ano de edição: 2007

(fonte: Fundação Calouste Gulbenkian)

LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA


Compilação das comunicações apresentadas durante o Colóquio sobre Literaturas Africanas dos Países Africanos de Língua Portuguesa realizado na Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna em Julho de 1985

- As Estratégias da Repetição nos Contos de Gabriel Mariano de Maria Cristina Pacheco

- O Texto Brasileiro na Literatura Caboverdeana de Manuel Ferreira

- Emigração e Orfandade em Chiquinho de Baltazar Lopes de Alberto Carvalho

Coordenação: Manuel Ferreira – Instituto de Estudos Africanos da Faculdade de Letras de Lisboa

Editor: Fundação Calouste Gulbenkian – ACARTE (Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte)
Ano de edição: 1987

(fonte: Bibliotecas Municipais de Oeiras - Algés)

A PRETA FERNANDA


Recordações de uma Colonial

As memórias de Fernanda do Vale, nascida Andrêsa do Nascimento, cabo-verdeana que foi uma das mais conhecidas cocottes lisboetas dos finais do século passado e do princípio deste, são também um magnífico retrato da Lisboa elegante, galante e boémia da época. Janotas e rufias, fidalgos e toureiros, actrizes célebres e raparigas de vida airada, elegantes do Chiado, encontram-se nos bailes, nos teatros, em ceias pantagruélicas e verdadeiras orgias nos mais conhecidos salões ou casas de passe da época. Tudo isso nos é descrito num tom colorido e vivo, ingénuo ou mordaz, pela pena de quem conheceu bem essa vida por dentro e foi uma das suas mais conhecidas e exóticas protagonistas.
Fernanda do Vale, já quase retirada, aos 58 anos, foi, ainda assim, em 1917, a única mulher que por ocasião da Conferência-Manifesto Futurista de Almada Negreiros não abandonou a a sala quando foi anunciado o Manifesto Futurista da Luxúria.

Autora: Fernanda do Vale

Editor: Edições Teorema
Ano de edição: 1994

(fonte: BLx – Penha de França)

O CRIOULO DA ILHA DE S. NICOLAU DE CABO VERDE


O estudo e valorização da língua cabo-verdiana são hoje (deveriam ter sido sempre) um dever e uma obrigação de todos os filhos desta terra, de todos quantos se identificam com a crioulidade ou se interessam pelos valores da cabo-verdianidade.
Com efeito, em cabo verde, se há algo que melhor exprime a essência e os contornos da crioulidade, que é marca e suporte insubstituível da identidade do nosso povo, que de uma forma abrangente fundamentada consolida os ideais da nacionalidade é o crioulo.
A língua cabo-verdiana moldou e molda de tal maneira a nossa vivência cosmovisão que, se, de repente, ela deixa-se de existir, a nossa sociedade, na sua grande maioria, ficaria transformada num caos; a nossa identidade ficaria, assim, comprometida e a unidade nacional, forçosamente, seria quebrada.
Estudar e valorizar a nossa língua de berço, o veículo principal da nossa cultura, não e apenas um acto cultural, é também um dever de todo o cidadão. Daí que todos os políticos, os homens de cultura e técnicos de língua devem trabalhar de mãos dadas para que a unidade nacional seja reforçada e o legado principal da nossa cabo-verdianidade continue um património.
Eduardo Cardoso, com o seu trabalho sobre a variante de São Nicolau, que se acaba de dar a lume, vem demonstrar-nos que o caminho que temos a percorrer, no âmbito do desenvolvimento linguístico, é ainda muito longo.
Entretanto, o facto de sabermos que esse caminho existe (e ele o demonstra) e que alguns passos já foram dados é já uma vitoria, para muitos, uma certeza de que o nosso rumo tem de ser para a frente, qualquer que seja o vendaval no cume das montanhas despidas de verdura, ou as enxurradas ocasionais pelas estreitas ribeiras das nossas ilhas acidentadas.
Manuel Veiga

EDUARDO AUGUSTO CARDOSO nasceu em São Vicente (Cabo Verde) em Julho de 1955. Licenciou-se em Linguística Geral, em 1981, pela universidade de Aix_Marseille I (denominação original do diploma: maîtrise de science du langage).
Possui também o bacharelato em letras modernas e o diploma para o ensino de francês no estrangeiro, diplomas esses obtidos na Universidade de Nice em 1979 e 1978 respectivamente. Tem colaboração de natureza linguística na revista ponto e vírgula, no boletim do ensino primário Escolativa e no bissemanário Voz di Povo. Foi professor no liceu de Ludgero Lima (São Vicente, Cabo Verde) em 1982-1983. Trabalhou na direcção geral de cultura, como tecnico superior, de Janeiro de 1983 a Agosto de 1986; desde Setembro de 1986 desempenha a doçencia no Liceu de Ludgero Lima, nas disciplinas de françês e português.
Foi menbro da comissão de Cabo Verde para a análise do acordo Ortográfico da Lingua Portuguesa.

Autor: Eduardo Augusto Cardoso

Editor: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa; Instituto Cabo-Verdiano do Livro
Ano de edição: 1989

(fonte: BLx – Palácio Galveias)

A POÉTICA DE SÉRGIO FRUSONI


Uma Leitura Antropológica

Sérgio Frusoni é um dos poucos grandes caboverdianos que ainda não foi objecto de um estudo específico, embora bem o mereça, por vários motivos, entre os quais ter escrito sempre em “crioulo”, língua que dominou com maestria. De Frusoni existem somente referências em antologias, mas nunca alguém se abalançou a debruçar-se sobre a sua poética que, quanto a mim, constitui um “caso” verdadeiramente extraordinário, no contexto da produção poético-literária do Arquipélago. Não porque tenha, realmente, manejado o “crioulo” de S. Vicente como mais ninguém o fez, mas porque a sua produção se situa, verdadeiramente, em todos os quadrantes da poesia: lírica, romântica, de intervenção crítica, sarcástica, realista, narrativa, etc. e, o que é mais interessante, é um poeta que reflecte, pensa e critica a sua terra e a sua sociedade, através de retratos que faz de situações, factos e eventos.

Autor: Mesquitela Lima

Editor: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa; Instituto Caboverdiano do Livro e do Disco
Ano de edição: 1992

(fonte: Bibliotecas Municipais de Lisboa – Penha de França)

CRÓNICA DA LIBERTAÇÃO


Este primeiro livro de memórias, agora editado, que constitui um documento único não só sobre Amílcar Cabral, o PAIGC, e a guerra colonial, a Guiné, mas até relativamente ao movimento libertador africano, fica assim a constituir um precioso documento histórico.

Autor: Luís Cabral

Editor: Edições “O Jornal”
Ano de edição: 1984

(fonte: BLx – Penha de França)

RETALHOS DE UMA CULTURA - "TCHÁPA-TCHÁPA"


SANTIAGO – CABO VERDE

Este livro constitui a concretização de um sonho antigo!
Desde muito jovem sempre me interessei pelo saber dos mais idosos, pelo saber transmitido quotidianamente pelos nossos bisavós, avós e pais.
Recordo-me de passar horas a escuta (papá-Romã, papá-Kulau) histórias, lendas, contos, adivinhos, e hábitos, alguns já em desuso na minha infância e juventude. Através destas mensagens pude perceber melhor a nossa cultura, compreender a acompanhar a evolução de alguns aspectos/costumes. E foi isto que me motivou a passar para o papel muitas destas informações, de modo a que não caíssem no esquecimento privando os mais jovens desta riqueza. Julgo que a identidade de um indivíduo tem que ser cimentada no conhecimento das suas raízes. Com este objectivo e de modo a dar um pequeno contributo às crianças e jovens caboverdianos ou de origem caboverdiana, que não tiveram a mesma sorte que eu no contacto directo com muitas das testemunhas vivas deste passado (por vezes tão recente). Compilei o “RETALHOS DE UMA CULTURA” “TCHÁPA-TCHÁPA”.
Pretendo ainda com este trabalho promover o diálogo entre os adultos e os mais jovens, proporcionando-lhes temas de conversa. Foi o que experimentei com os meus filhos e também desenvolveu em mim a capacidade de criar histórias para os mesmos. Ao escrever fi-lo como sei e como o meu nível académico permitiu em português aprendido na Escola Primária e crioulo do dia-a-dia sem demasiadas preocupações gramaticais, concordância, etc.
Peço a vossa compreensão para este facto! Este pretende ser um livro de uma mulher do povo para o povo!!
Quero agradecer de todo o coração ao meu falecido esposo, filhos e amigos que acreditaram e valorizaram estas recolhas e memórias.

Com especial apreço em BEM HAJA à Câmara Municipal de Oeiras na pessoa do Senhor Presidente Dr. Isaltino Morais que tornou possível este sonho…
Agradeço também ao Casino Estoril na pessoa do Dr. Lima de Carvalho e Dr. Edgardo Xavier, ao nosso Embaixador em Portugal, Dr. João Higino.
E o casal amigo Laláchu e Fafá pelo seu parecer e encorajamento!

Autor: Maria Alice Fernandes – DJIBÍLA

Editor: Câmara Municipal de Oeiras – Gabinete de Comunicação
Ano de edição: 2002

(fonte: BMO – Algés; SOS Racismo)

SELOS POSTAIS - PALOP


(Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa)

A história da República Popular de Angola, da República de Cabo Verde, da República da Guiné-Bissau, da República Popular de Moçambique e da República Democrática de S. Tomé Príncipe, traduzida filatelicamente, engloba duas épocas, a segunda das quais se iniciou com a independência, que suscitou o aparecimento de novos coleccionadores sem arrefecer o entusiasmo de antigos.
Tem-se, porém, notado a falta de um catálogo que ajude a arrumar e a cotar o material filatélico numa tentativa de actualização de valores em função da raridade de algumas peças e da lei da oferta e da procura.
Esta primeira edição do Catálogo de Selos dos PALOP tem algumas lacunas, e talvez lapsos, resultantes da falta de elementos informativos provenientes destes novos países. Se obtivermos esclarecimentos complementares, estes serão introduzidos em própria edição, contando, desde já, com a amabilidade dos nossos eleitores.
A Filatelia reflecte a vida das Nações.
Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, quando falam e quando escrevem, utilizam um traço de união que liga milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, pelo que o início e a continuidade de selos desses países agradam a muitos filatelistas.
Albertino de Figueiredo

Editor: AFINCA
Ano de edição: 1991

(fonte: BLx – Camões)

SELOS POSTAIS DAS EX-COLÓNIAS PORTUGUESAS


Têm pois os coleccionadores à sua disposição um trabalho complementar do anterior, elaborado em bases semelhantes, as quais mostraram ser mais práticas e acessíveis aos principiantes, e dar ao mesmo tempo plena satisfação aos mais avançados.
Pela primeira vez em Portugal se edita um trabalho plenamente ilustrado das emissões postais das ex-colónias. Todos quantos se dedicam a esta especialidade, sabem por experiência própria das dificuldades e do tempo ingloriamente gasto na classificação dos respectivos selos, sobretudo pela falta de imagem que, imediatamente, e com toda a segurança, permita identificar as diversas espécies.

Editor: AFINCA – Núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto
Ano de edição: 1991

(fonte: BLx – Camões)

A ILHA DE SÃO NICOLAU DE CABO VERDE NOS SÉCULOS XV A XVIII


Teses

Se é certo que existem outras obras sobre esta ilha do barlavento caboverdeano, o certo é que esta vem preencher um vazio historiográfico. É que o volume de fontes inéditas e editadas de que o autor se socorreu, a argúcia com que as interpretou e a metodologia a que foram sujeitas, conferem-lhes um valor e uma singularidade na história de Cabo Verde dignos de menção. Se o passado deste país fica muito enriquecido com esta obra, também a história atlântica portuguesa dela beneficia.
É o que o Dr. André Pinto, analisando com pormenor e grande rigor a história local, insere-se na do arquipélago e até numa ou noutra perspectiva da história atlântica.

Autor: André Pinto de Sousa Dias Teixeira

Editor: Centro de História de Além-Mar – Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Colecção: Teses 3
Ano de edição: 2004

(fonte: BMOeiras)

IDENTIDADE


Extractos:

(...) Muitos intelectuais cabo-verdianos, na sua maior parte já nascidos nos Estados Unidos, tinham aderido a esse movimento de afirmação étnica. Mas a maior parte da comunidade imigrante cabo-verdiana observava, sem intervir, o que se passava sua volta. De um modo geral não aprovavam certas manifestações exteriores dessa forma de afirmação étnico-política e que se traduzia, entre outras coisas, numa certa maneira de vestir, na barba crescida que alguns jovens passaram a usar e no acentuar de certas características étnicas. Por vezes o conflito de gerações era agravado pela oposição ostensiva e sistemática a determinados valores avaramente preservados pela comunidade ao longo de várias gerações. Os afro-americanos investigavam com um novo orgulho as suas próprias raízes étnicas. Os cabo-verdianos mais jovens, confrontados com as perguntas dos seus colegas negros nas escolas que frequentavam, punham essas mesmas perguntas aos pais. O que é que nós somos afinal? Cape Verdean não é raça. Nesse enorme cadinho que constituía a sociedade americana, um "melting pot" onde na realidade os diferentes elementos não só não se misturavam, como viviam numa contiguidade que era tudo menos pacífica, a pergunta assumia formas dramáticas.— Man, what are you?— I'm Cape Verdean.— Yeah, but what's that, Black, Hispanic, what?— Well, I am black. I can't speak for all the others.— But you don't act black!A perplexidade do protagonista deste diálogo com um colega afro-americano perante as suas dúvidas foi manifesta ao Jaime por um jovem cabo-verdiano nascido nos Estados Unidos, a propósito destas questões.

Autor: Viriato de Barros

Ano de edição: 2001

(in: Viriato de Barros)

NOVA HISTÓRIA DA EXPANSÃO PORTUGUESA – A COLONIZAÇÃO ATLÂNTICA


Volume III - Tomo 2

A Nova História da Expansão Portuguesa é um projecto de âmbito científico e com ele pretende-se alcançar objectivos que se consideram fundamentais.
Antes de mais, importa preencher-se o vácuo que em Portugal, nessa área do conhecimento, principia a verificar-se.
Para tal haverá que recorrer-se quer a historiadores já consagrados quer a historiadores mais jovens, empenhados na continuidade e na renovação dessa área fundamental do conhecimento do passado português.
Com efeito, desde os princípios do século XV até ao terceiro quartel do século actual – a expansão marroquina, os descobrimentos marítimos, a colonização de ilhas e de terras continentais, os tráficos transoceânicos, as permutas culturais, etc. – eis aí uma sucessiva e vária projecção de Portugal no Mundo, sem cujo conhecimento não é inteligível o que foi ocorrendo na metrópole europeia.
Naturalmente, pretende-se ainda que a Nova História da Expansão Portuguesa alcance quer a nível de rigor indispensável quer a abordagem de campos até agora pouco explorados quer ainda a ousadia das interpretações, sem o que não há historiografia que valha a pena levar-se por diante.

Direcção: Joel Serrão e A. H. de Oliveira Marques
Coordenação: Artur Teodoro de Matos

Editor: Editorial Estampa
Ano de edição: 2005

(fonte: BMOeiras)

DESCRIÇÕES OITOCENTISTAS DAS ILHAS DE CABO VERDE




Autor: António Carreira – Recolha, anotações e apresentação

Ano de edição: 1987
Patrocínio: Presidência da República de Cabo Verde

(fonte: BMOeiras)

DISTÂNCIA


Novela caboverdiana

O mais telúrico de toda uma obra centrada nas raízes da terra onde o comum do povo e personagem em revelo. Relevo, exactamente pela sua simplicidade e autenticidade. Nisso, toda uma mistica de contar da gente que de manh? a noite vive a amar; pois, se sofrer ? amar, ele, o povo, e quem mais ama. Nada seria mais grato para qualquer autor, que fixar-lhe as penas, espretir-lhe o sonho, se o desejo de viver? Sonhar.

Autor: Teobaldo Virgínio

(In: Caboverdeonline.com)

HISTÓRIAS DE UM SAHEL INSULAR



A insularidade, o posicionamento peri-africano e o clima saheliano (entre outras coordenadas de identidade geográfica) não podem ter deixado de pesar profundamente sobre o percurso histórico cabo-verdiano.
A geografia aparece-nos como um constrangimento de tal modo marcante que não pode ser esquecido ou relegado sob o risco de mutilarmos a compreensão histórica. Estes ensaios pretendem recolocar a acção dos homens no espaço.
O autor propõe, sem determinismos simplistas, uma Geo-História do arquipélago.

Autor: António Leão Correia e Silva

Editor: Spleen – Edições – Praia
Ano de edição: 1996 (2ª)
Patrocínio: Instituto Nacional de Cultura (INAC) - Praia

(fonte: BMOeiras)

ILHA DA BOA VISTA – CABO VERDE


Aspectos históricos, sociais, ecológicos e económicos.
Tentativa de análise.


A ilha mais oriental de Cabo Verde, Boa Vista, possui uma história cheia de acontecimentos e fatalidades. Com efeito, no passado, a ilha, que foi mais verde, sofre hoje da conhecida problemática “saheliana” do continente africano que se caracteriza por longos períodos de seca e pelos problemas da desertificação, erosão e emigração das populações.
No decorrer da sua história que, tanto do ponto de vista político como económico, foi consideravelmente determinada pelo estrangeiro, a ilha conheceu momentos altos como importante centro de comércio das rotas marítimas internacionais, alternados com tempos de crise em que a fome e a miséria devastavam a população. A sinuosa via do desenvolvimento reflecte-se hoje na ideologia do povo da Boa Vista, ma também a cada passo nos vestígios do passado da Ilha, que constituem testemunhos notórios de tempos florescentes, cujos frutos eram recolhidos por um punhado de mercadores e negociantes privilegiados, enquanto que este, à esmagadora maioria do povo só deixavam as migalhas.

Autor: Josef E. Kasper

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro
Colecção: “Estudos e Ensaios"
Ano de edição: 1987
Patrocínio: SWISSAID, Fundação Suiça da Cooperação para o Desenvolvimento, no quadro do Projecto Integrado do Desenvolvimento da Boa Vista (PID-BV / CABO VERDE).

(fonte: BMOeiras)

CLAR(A)IDADE ASSOMBRADA


ao meu país com amor
como se nascesse hoje
das espumas do mar

e como se da sirena o cântico
seu encanto me prendesse
aos seus cabelos escorridos nesse atlântico
como erva verde molhada pelo vento

Autor: Oswaldo Osório

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro
Colecção: Poesia
Ano de edição: 1987
Patrocínio: Empresa Nacional de Produtos Farmacêuticos - EMPROFAC

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Oeiras - Algés)

CABO VERDE - VIAGEM PELA HISTÓRIA DAS ILHAS


Viagem pela História das Ilhas

Cabo Verde, Viagem pela História das Ilhas não é um guia turístico. Como o seu nome pretende, o livro é o resultado de uma digressão por grande parte do que ao longo dos anos se foi contando sobre Cabo Verde e sobre os cabo-verdianos. Porém, importa desde já ressalvar: como em todas viagens, nem o autor viu tudo que existe, nem vai poder contar tudo que foi vendo.

Autor: Germano Almeida
Fotografias de José A. Salvador

Editor: Editorial Caminho
Ano de edição: 2003

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa e Bibliotecas Municipais de Oeiras )

CRIOLA


Criola é o título do segundo livro de poesia do jovem poeta cabo-verdiano, YMEZ, um santiaguense residente nos Estados Unidos da América desde de 1995. De nome próprio Ramiro Alberto Carvalho Silva, Ymez é assumidamente um poeta romântico que faz da mulher cabo-verdiana a sua principal fonte de inspiração, razão pela qual atribuiu a obra o título Criola.

O autor, pretendendo ter o rosto de uma “criola” na capa do seu livro, lançou um concurso para selecção de “uma jóia” e, pelo que disse à caboverdeonline.com, registou-se uma estrondosa participação de beldades de origem cabo-verdiana. O resultado está impresso na capa deste livro de 108 páginas repletas de mensagens amorosas mas também com algum cunho social.
Santos Spencer

Autor: Ymez

(In: Caboverdeonline.com)


PARA LÁ DE ALCATRAZ


Onde os ventos se cruzam

Excerto:

...No seu reencontro com Mindelo, David percorria as ruas da cidade a pé, ora só, ora acompanhado, atento a tudo o que o rodeava, numa redescoberta do que quinze anos antes deixara. O escritor Vitorino Nemésio, outro ilhéu, que uma vez passou por Mindelo vindo do Brasil, comparou as árvores da Rua de Lisboa, a nobre artéria da cidade, a pincéis de barba gastos pelo uso. A comparação tinha sido feita com simpatia, quase ternura. Não obstante, David lembrava-se de que a descrição não lhe tinha agradado muito na altura, por mais poética que outros leitores a tivessem achado. Mas quando desta vez olhou para aquelas árvores que enfeitavam a cidade de B.Léza, José Lopes, Roque Gonçalves, Frusoni, Djunga, Jota Monte e Manuel de Novas, não deixou de sorrir: autênticos pincéis de barba! Sim, mas quem usa esse método para se barbear, conhece o apego que se ganha àquele pincel usado, retorcido e gasto com que diariamente afagamos o rosto nesse ritual matutino.
A pouco e pouco, de ternura em ternura, sorriso em sorriso, interior, topada em topada, exterior, David foi recuperando o Mindelo que quinze anos atrás, com muita relutância, adolescente, deixara. E as grandes referências ali estavam afinal: para além da imensa baía azul, do Monte Cara e das areias douradas de Salamansa, Matiota, Lajinha, Praça Nova, Eden Park, o Liceu, o Palácio, as lojas, farmácias, botequins, canecadinhas. Até algumas daquelas chamadas figura típicas da terra; só que quinze anos mais velhas, as que sobreviveram. Mas coisas novas animavam a cidade. Prédios, Hotel Novo, Novo Cinema do Tuta, animado, alegremente ruidoso, em concorrência amigável, fraterna, com o já clássico Eden Park. Certos cafés ou bares eram verdadeiras instituições, como o Bar Estrela e o Mochin Mercone, e outros novos se intituiram. Era só acertar o passo e retomar o pé.

Autor: Viriato de Barros

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro (IBNL)

(in: Viriato de Barros)

DO MAR AO CHÃO DOS TEUS PÉS


Longe da aventura do mar, antes a amargura do torrao perdido, a desgraça colectiva em barcos de carga humana...

Cinco séculos eram passados. Nas ilhas esparsas do Atlântico era proclamada a Pátria dos Caboverdianos.
Mar, vela, vento e luta, tais as matrizes do hino de tal povo!

Autor: Teobaldo Virgínio

(In: Caboverdeonline.com)

O MENINO DO CAMPO


O Menino do Campo é o título do segundo livro de Viriato Gonçalves. Um livro de crónicas que versa sobre as experiências e os condicionalismos da vida das pessoas. O livro é também uma viagem indelével aos valores da nossa cultura: um olhar atento às pequenas coisas, pessoas e lugares. Foram precisos, segundo o autor, vários anos para escrever essa obra.
A obra funciona para o autor, como uma forma de exorcizar o passado. O Menino do campo, segundo Viriato foi uma expressão que desde a infância o acompanha. E este livro, do seu ponto de vista, é apenas uma parte desse mundo. Há outras coisas igualmente interessantes a serem retratadas, a seu ver. A importância da educação; a emigração; as religiões e a intolerância colonial, tudo isso são aspectos interessantes do livro.
Para entrar no âmago da obra de Viriato Gonçalves, talvez seja imperativo ler esse trecho que ele deixa na primeira pessoa numa entrevista concedida à cvmusicworld:
“Eu vivi os meus primeiros 33 anos debaixo de um sistema colonial de opressão e dominação. Sofri na pele toda essa dor. Fui rejeitado na escola da minha ilha e da minha cidade. Acompanhei o drama da minha família. Perdi uma irmãzinha, porque o médico recusou-se a atendê-la. A minha irmã não foi para a escola, porque o meu pai não podia custear os seus estudos na Praia ou em S.Vicente. Vivi ao lado de pessoas que morriam de fome, miséria, doenças e mal nutrição. Disse adeus “aos contratados” no momento de sua partida para as roças de S.Tomé e Príncipe, de onde muitos deles nunca regressaram.”
Viriato Gonçalves considera o seu livro “rico e culturalmente denso”. Os lugares revisitados pela obra são Fogo, Santiago e Brava, mas também retrata pessoas de outras ilhas e suas peculiaridades. Aí reside, portanto, a dimensão da obra, cujo lançamento aguardamos aqui no país.

VIRIATO GONÇALVES é natural da Ilha do Fogo e reside nos Estados Unidos. Em 1987 escreveu Grito, um livro de poemas que traduz momentos de frustração da dor e do sofrimento das pessoas. Já participou em três antologias, Odisseia Criola, A Travessia do Atlântico, e uma antologia com poetas brasileiros, cabo-verdianos e açorianos.

Autor: Viriato Gonçalves

(in: Os Momentos)

CABO VERDE - PEQUENA MONOGRAFIA


Agência-Geral do Ultramar

Ano de edição: 1966 (2ª)

(fonte: BMOeiras)

CABO VERDE - OPÇÃO PARA UMA POLÍTICA DE PAZ


Seminário sobre a África de Língua Oficial Portuguesa, Portugal e os Estados Unidos da América

Comunicação apresentada pelo Sr. Dr. Renato Cardoso, conselheiro de S. Ex.ª o Primeiro-Ministro de Cabo Verde

Lisboa, 14 a 16 de Maio de 1985

Autor: Renato Cardoso

Editor: Instituto Caboverdeano do Livro
Colecção: Estudos e Ensaios
Ano de edição: 1986

(fonte: BMOeiras)

CABO VERDE


Fotos


Autor: Christian Bossu-Picat

Editor: Delroisse; SERBAM

(fonte: BMOeiras)

CABO VERDE 72 - ANO QUINTO DE SECA


Como vivem os que trabalham no Portugal europeu e os que permanecem nas ilhas do arquipélago

As reportagens que constituem o presente volume foram publicadas em 1972, no “Diário de Notícias” - as seis que constituem a parte primeira, de 1 a 6 de Agosto, dedicadas ao viver dos caboverdianos na metrópole, para onde vieram em demanda de trabalho; as últimas treze, ou seja a parte segunda, de 14 a 26 de Novembro, relatando o que se passa no arquipélago, onde há cinco anos não chove e que está a suportar uma das maiores secas de toda a história.

Autor: Handel de Olivreira

Ano de edição: 1973

(fonte: BMOeiras)

TEMPOS DA MORAL MORAL


VASCO MARTINS, compositor caboverdiano de sabidos méritos (basta que se diga que compartilhou as suas aspirações com Fernando Lopes-Graça), certamente que será surpresa (e grande) para quem o descobrir como romancista através do seu título Tempos da Moral moral.
Que tema o desta obra? Basta que o enunciemos para que a atenção do leitor desperte em todos os sentidos: trata-se de uma história situada no futuro-presente, num mundo em que ser honesto é sinónimo de idiota, poeta sinal de ingénuo, humanista igual a ultrapassado – e em que a moral é tida como pensamento arcaico e isento de qualquer préstimo.
Ma que o leitor se não desnorteie, pois que o pano de fundo do romance também admite pela máxima de Jung desta maneira expressa: “Deixemos de nos conduzir na vida só pelos critérios do dinheiro e do poder, pois o importante é a paz do espírito.”
Não se creia, no entanto, que estamos face a um romance de princípios morais, herméticos e religiosos. É um romance que, pela intuição de Vasco Martins, uma intuição presente e futura, se insere no século XXI…

Autor: Vasco Martins

Editor: Vega
Colecção: Palavra Africana
Ano de edição: 1996
Patrocínio: UCCLA

(fonte: BMOeiras)

SANTIAGO DE CABO VERDE


A Terra e os Homens

Numa recensão da última tese de doutoramento em Geografia pode ler-se: “É a quarta ilha do Atlântico cuja monografia nos é oferecida pela escola geográfica portuguesa” (DAVEAU, 54). Trata-se do estudo de Francisco TENREIRO, “A Ilha de S. Tomé” (1961), precedido dos livros de Orlando RIBEIRO, “L’île de Madère” (1949) e a “Ilha do Fogo e as Suas Erupções” (1954), e de Raquel SOEIRO DE BRITO, “A Ilha de São Miguel” (1955). Como é natural, dada a afinidade do assunto, foi a monografia de Orlando RIBEIRO a que mais tive presente ao elaborar este trabalho.
Que Santiago não desmereça o lugar que vai ocupar na linha de estudos apontada e que possa, ao lado do Fogo, servir o arquipélago de Cabo Verde e trazer elementos que ajudem a solução de alguns dos seus problemas.

Autor: Ilídio do Amaral

Editor: Junta de Investigações do Ultramar
Colecção: Memórias da Junta de Investigações do Ultramar
Ano de edição: 1964

(fonte: BMOeiras)

CRIOULOS DE BASE PORTUGUESA


O Essencial sobre Língua Portuguesa

Na nossa comunidade, muitas são as certezas, por vezes contraditórias, sobre o que é um crioulo. Mas, apesar de o estudo científico destas línguas (de que o filólogo português Adolfo Coelho foi um dos pioneiros) remontar ao século XIX, ainda hoje os linguistas dificilmente convergem na definição do conceito.
N’O Essencial sobre Crioulos de Base Portuguesa discutem-se os usos vulgares do termo e as principais perspectivas da investigação sobre os crioulos, encarados estes como línguas autónomas, resultantes de uma forma muito especial de contacto sociolinguístico.
Para que o leitor possa ter uma ideia do que afinal é um crioulo e das suas principais características, dão-se exemplos de múltiplos crioulos existentes no mundo: de base europeia (não só portuguesa mas também francesa, inglesa, neerlandesa…) e não europeia.
São, no entanto, os crioulos de base portuguesa que ocupam o lugar principal deste livro: desde os africanos (em Cabo Verde, na Guiné-Bissau e em São Tomé e Príncipe) aos asiáticos (como o de Korlai, na Índia, e o Papia Kristang de Malaca), alguns com grande vitalidade, outros em perigo de extinção ou mesmo já extintos.
Nos últimos capítulos do livro faz-se ainda uma reflexão sobre o futuro das língua crioulas e sobre a sua importância para a compreensão mais geral da linguagem humana.

Autor: Dulce Pereira

Editor: Editorial Caminho
Colecção: O Essencial sobre Língua Portuguesa
Ano de edição: 2006

MUNDO LUSO-TROPICAL


Três estudos de caso

O Luso-Tropicalismo é um tema controverso da sociologia de Gilberto Freyre. O presente livro é uma valiosa contribuição da Mestre Cátia Miriam Costa para a sua avaliação científica.
Narana Coissoró, Presidente do Instituto do Oriente, ISCSP-UTL

Autor: Cátia Miriam Costa

Editor: Editorial Minerva
Ano de edição: 2005
Patrocínio: Fundação Luso Africana para a Cultura e Fundação do Oriente

(fonte: BMOeiras – Algés)

CULTURA CABOVERDEANA


Ensaios

Datados da segunda metade da década de 50, os “Ensaios de Gabriel Mariano, agora reunidos em livro (“Cultura Caboverdeana – Ensaios”), tiveram como objectivo essencial o repúdio pela situação colonial então vivida em Cabo Verde.
Duas espécies de temas ensaísticos coexistem nesta obra de Gabriel Mariano:
Ensaios de índole sociológica sobre a formação da sociedade caboverdeana, os quais põem acento tónico na miscigenação das etnias e no papel do mulato como mestre da floração da cultura de Cabo Verde; e ensaios literários sobre os poetas caboverdeanos Jorge Barbosa, Eugénio Tavares e Osvaldo Alcântara, os chamados “poetas da inquietação” (amorosa, marítima e social).
O autor, que ao tempo frequentava a Faculdade de Direito de Lisboa, breve se deu conta de que escrever para publicar acarretava riscos quer para a liberdade física, quer para a liberdade moral. Daí, por consequência, a necessidade de circunlóquios, de eufemismos, etc…
Entendeu Gabriel Mariano que não deveria “actualizar” a linguagem dos “Ensaios”, pois assim eles valem como retrato de uma época em que se tinha de recorrer a meias palavras para denúncia da situação degradante então vivida em Cabo Verde, sua “pequena e querida pátria”.

Autor: Gabriel Mariano

Editor: Vega
Colecção: Palavra Africana
Ano de edição: 1991

(fonte: BLx – Camões)

PROBLEMAS DA ILHA DE S. NICOLAU (CABO VERDE)


Estudos, Ensaios e Documentos 101

O trabalho que se apresenta contém ideias que a leitura e, sobretudo, o contacto de uns meses com Cabo Verde, nomeadamente S. Nicolau, nos sugeriram. É o resultado de leituras, meditações, conversas, discussões, e deve ser tomado como uma tentativa no sentido de esclarecer pontos de vista e de contribuir para o fomento da Província.
Procurou-se analisar as condições de vida dos habitantes de S. Nicolau, os meios de que dispõem e que utilizam e as possibilidades potenciais que se lhe oferecem.
A resultante não se nos mostra prometedora nem de maneira a suscitar esperanças. A população – a única riqueza da ilha – não encontra condições satisfatórias de existência nem de ocupação.
O ritmo do aumento populacional obriga a pensar em novas ocupações. Se estas não surgirem imediatamente, há que dar emprego, fora do arquipélago, à população sobrante, defendendo-a material e moralmente.

Autor: Mateus Nunes

Editor: Junta de Investigações de Ultramar
Ano de edição: 1962

RECAÍDA


Os grandes romances, quando complicados no seu entrecho, são simples leitura e de uma atracção profunda para qualquer leitor. E isso pelo singelo motivo de não mentirem, de não mistificarem a realidade, de serem feitos de terra, de sentimentos, de palavras de todos os dias, seja um nome, um número de porta, as meras sílabas de uma recordação.
Recaída, de António Aurélio Gonçalves (escritor cabo-verdiano já falecido), é um título notabilíssimo de ficção – e tão bem contado que para sempre se imiscui na nossa atenção, aperfeiçoando inclusive os sentimentos de que todos nós somos feitos. Não se trata de um livro moralista, com o propósito de nos dar uma lição que nos afaste, de maneira simplista, dos ínvios caminhos da vida. Não: é um escrito exemplar que coloca o homem nu perante as mil facetas da realidade. Numa palavra: um romance de amor (alto, dorido, de experiência feito) que, no âmbito psicológico em que se desenvolve, se nos apresenta como obra-prima para enriquecimento perene da nossa Literatura.
Tão segura é a sua estrutura que o leitor não será afectado se lhe dissermos alguma coisa sobre o entrecho: um homem casado, habituado à sua casa, encontra um dia uma antiga namorada… - Ora que fazer? Mais não se deve adiantar – e acentuar somente que toda a acção (rica de personagens, paisagem, cogitações) circula em torno (e com que subtileza!) daquela interrogação, a mais implacável a que um ser humano tem de responder na brevidade da vida. Só isto, mais nada, tudo tão simples como olhar as mãos e ter de optar por uma delas.

ANTÓNIO AURÉLIO GONÇALVES, um dos nomes da revista Claridade (1936/1937), órgão de um movimento literário cabo-verdiano que se tornou ponto de referência irreversível no panorama da Literatura local. O autor escreveu ainda uma série de outras novelas, naturalistas e realistas, demonstrando de feição insofismável o que aprendera (sem os imitar) em Balzac, Dostoievski e Tchecov.

Autor: António Aurélio Gonçalves

Editor: Vega e Instituto Caboverdiano do Livro
Colecção: Palavra Africana
Ano de edição: 1993
Patrocínio: UCCLA

(fonte: BMOeiras)

MORNA


Contos de Cabo Verde

De Morna escreveu-se: “… são páginas em que a veia satírica de Manuel Ferreira se alia a um fino sentido poético que nunca o transvia da atmosfera própria das ilhas, permitindo que os seus contos nos surjam repassados de uma cor local delicadamente temperada de ironia…”
“Lendo estes belos contos de Morna, comparei mentalmente, os dons tão bem comandados pelo seu autor com os malabarismos “populistas” a que se têm prestado certos escritores de metrópole. E a mim mesmo perguntei que haveria nele a mais. Experiência do povo? Conhecimento da vida? Talento literário? Um pouco de tudo: ora crítico de costumes, ora “regionalista”, ora psicólogo, ora simples paisagista”.
João Gaspar Simões

Autor: Manuel Ferreira

Editor: Início
Ano de edição: 1967 (2ª reescrita)

(fonte: BMOeiras)

ALGUNS ASPECTOS DO PROBLEMA DA MODIFICAÇÃO DAS NUVENS PELO HOMEM


Chuva provocada e luta antigranizo
(Relatório de estágio)

Tendo tido a honra de ser premiado no concurso para investigadores no Ultramar, aberto pela Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar em Maio de 1951, com o trabalho intitulado As Crises de Cabo Verde e a Chuva Artificial, coube-me escolher o país onde iria aperfeiçoar os meus conhecimentos sobre o problema da chuva artificial e de física de nuvens. Escolhi a França….
As experiências de René Eyraud e os trabalhos da Associação de Estudos de Meios de Luta contra os Flagelos Naturais são mais que suficientes para nos animarem a realizar experiências de chuva artificial em Cabo Verde, com o fim de investigar em que medida poderemos influenciar a pluviosidade média das Ilhas e minorar os sofrimentos da sua população.

Autor: H. Duarte Fonseca

Editor: Ministério do Ultramar – Junta de Investigações do Ultramar
Ano de edição: 1954

QUEM MANDOU MATAR AMÍLCAR CABRAL?


Amílcar Cabral foi assassinado a tiro, à porta da sua residência na Guiné-Conacri, na noite de 20 de Janeiro de 1973. Sabe-se que é líder do PAIGC e principal dirigente dos movimentos de libertação das colónias portuguesas foi morto por um companheiro de luta, fuzilado dias depois, juntamente com quase uma centena de conspiradores. O que nunca se soube foi quem verdadeiramente o mandou matar, quem, na sombra, preparou e organizou o crime e tentou um golpe de estado no interior do partido. Terá sido uma facção guineense e negra, que não aceitava a liderança dos cabo-verdianos e mestiços? Qual o papel do despótico presidente da República da Guiné, Sekou Touré, que não suportava a projecção internacional de Cabral e a sua ligação à cultura portuguesa? E da PIDE/DGS, que pusera a sua cabeça a prémio, que se infiltrara na direcção do PAIGC e que tudo fizera para eliminar o principal inimigo do regime? Enfim, será que os militares portugueses estiveram de todo alheados desta trama, eles que, anos antes, comandados por Spínola, não haviam hesitado em invadir Conacri?
O livro que constitui o desenvolvimento de uma reportagem publicada no “Expresso” em 1993 procura desvendar todos estes enigmas, a partir de uma investigação feita em Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Senegal e República da Guiné, de uma centena de entrevistas e da consulta inédita aos arquivos da PIDE/DGS e do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Um contributo para desvendar um crime que permanece misterioso. Uma homenagem a uma figura grande da História contemporânea de África, comparável a Nelson Mandela.

Autor: José Pedro Castanheira

Editor: Relógio d’Água
Ano de edição: 1999 (3ª)

(fonte: BMLx – Palácio Galveias)

MOLUSCOS MARINHOS DA ILHA DE S. VICENTE


(Arquipélago de Cabo Verde)

O presente trabalho, cuja publicação a Câmara Municipal de Oeiras decidiu promover, resulta de duas missões científicas no domínio da biologia marinha realizadas pelos autores no arquipélago de Cabo Verde, com especial incidência na ilha de São Vicente.
Para tal decisão concorreram razões decorrentes da privilegiada relação estabelecida entre os municípios de Oeiras e S. Vicente, a qual se exprime numa já longa e profícua colaboração, consubstanciada em acções de índole educativa, desportiva ou social cuja relevância e alcance para as populações locais só no terreno pode ser devidamente compreendida e avaliada. As tais antecedentes, soma-se, naturalmente o próprio interesse intrínseco deste trabalho, o qual vem preencher uma lacuna no conhecimento do património natural daquela ilha, designadamente ao nível da caracterização da sua fauna malacológica. A publicação desta obra constitui por conseguinte contributo relevante para uma realidade viva, quase desconhecida, mas relevante, cuja fragilidade, decorrente de uma pressão humana cada vez mais forte, impões esforços acrescidos de preservação: nesse âmbito, continuará, seguramente, um importante documento de trabalho que não deixará de ser tido em consideração, não só pela comunidade científica em geral, mas sobretudo pelas populações locais, a quem importa dar a conhecer o rico património biológico do litoral do arquipélago, especialmente da bela ilha a que o trabalho particularmente se reporta.
Assim sendo, sem negar a matriz científica que a informa, deve estender-se como destinada, essencialmente, a um público mais vasto, procurando atingir em especial a população escolar, através de uma prosa acessível, e apresentada de forma didáctica e sugestiva, onde a ilustração a cores detém, naturalmente, importância acrescida.
Isaltino Afonso Morais

Autor: A. Guerreiro; F. Reiner

Editor: Câmara Municipal de Oeiras – Gabinete de Comunicação
Ano de edição: 2000

(fonte: BMOeiras – Algés)

TCHUTCHINHA


Contos

O dragoeiro: Tal como Homem, de uma semente são necessárias várias gerações para ser árvore. Espécie rara. Fóssil vivo, teimosamente resistente desde a noite dos tempos. De um tronco esguio, crespo e agreste rebentam no topo braços e folhas-lanças espetadas para o céu.
O dragoeiro e o Homem cabo-verdiano, uma teimosia, dois caprichos da Natureza.
Gilberto Lopes

Autor: Ovídio Martins

Editor: Grafedito - Praia
Colecção: Dragoeiro

O ELEITO DO SOL


ARMÉNIO VIEIRA, poeta caboverdeano, natural da Praia, foi um dos elementos dinamizadores do grupo que criou Sèló, suplemento literário do Notícias de Cabo Verde (1962).
Jornalista, desenvolve actividade crítica e na sua geração desempenha um papel fundamental de reflexão sobre a modernidade literária.
Segundo Fernando J. B. Martinho, a imagem do “poeta” que se desenha na obra do autor “muito tem a ver com toda uma tradição cultivada nos últimos séculos – a tradição do poeta inconformista, rebelde, irreverente, louco, e, enfim, maldito”. Postura que lhe vale, nas palavras do poeta caboverdeano Jorge Carlos Fonseca, a designação de “Irreverente, indomável espadachim da sorte e da morte, poeta de vento sem tempo”.
Em 1990, estreia-se na ficção com O Eleito do Sol, livro que inaugura novas vertentes temáticas e formais no panorama da prosa caboverdeana. Uma vez mais, Arménio Vieira instaura um discurso transgressor em relação aos poderes instituídos, realizando uma estranha e surreal alegoria onde a figura de um escriba egípcio atravessa os trilhos do tempo em demanda crítica do onirismo mais vital. Beleza e crueldade, saber e poder, ambição e despojamento, na encruzilhada pícara e maravilhosa de O Eleito do Sol, a permanência de princípios e valores intemporais.

Autor: Arménio Vieira

Editor: Vega
Colecção: Palavra Africana
Ano de edição: 1992
Patrocínio: UCCLA

(fonte: BMLx – Palácio Galveias)

VAMOS CONHECER CABO VERDE


O Ano Europeu Contra o Racismo, celebrado em 1997, legou-nos este interessante livro, especialmente indicado para os mais jovens de outras nacionalidades que queiram conhecer Cabo Verde. Segundo José Leitão, então Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, o livro "previne preconceitos que nascem do desconhecimento e cria condições para estabelecer laços não apenas de cooperação ou de solidariedade mas de afecto e de verdadeira cumplicidade..." Por seu lado, Miguel Ponces de Carvalho, Secretário Executivo do Secretariado Coordenador dos Programas de Educação Multicultural, refere "o alto nível de escolaridade do povo, a sua dignidade, a fraternidade do seu convívio e a sua cultura", lembrando "as duras condições de habitação e trabalho e a degradação dos bairros em que muitos vivem", o que justificou o apoio à edição deste livro, "fruto do entusiasmo, do engenho e da generosidade do antropólogo e professor universitário João Lopes Filho".
Enriquecido por ilustrações de David Levy Lima, o livro é escrito em linguagem apelativa, dirigida especialmente a alunos do ensino básico.

Autor: João Lopes Filho
Capa e Ilustrações: David Levy Lima

Editor: Embaixada da República de Cabo Verde, em Portugal
Ano de edição: 1998

(fonte: Ernestina Santos; BMLx - Palácio Galveias)

O CORPO E O PÃO


O vestuário e o regime alimentar cabo-verdianos

Dado que a maneira como as pessoas vestem diz muito do que elas são, o traje dá conta da sua cultura e do seu desenvolvimento económico. Daí que a especificidade da sociedade cabo-verdiana e a sua evolução económico-cultural estejam presentes no vestuário comummente usado no arquipélago.

O regime alimentar cabo-verdiano resultou da combinação daquilo que as condições climáticas das ilhas permitiam produzir, com os hábitos das diferentes etnias que tomaram parte no seu povoamento. Porém, à medida que a população foi crescendo e aumentou a desertificação do arquipélago, a escassa produção local mostrou-se insuficiente e houve que recorrer à importação. O contacto com outras culturas vulgarizou diferentes hábitos alimentares e facilitou a adaptação aos novos produtos, ao mesmo tempo que as influências do emigrante torna-viagem e a comunicação social ajudaram a alterar as dietas baseadas numa maior diversidade de alimentos disponíveis.

Autor: João Lopes Filho

Editor: Câmara Municipal de Oeiras
Ano de edição: 1997

(fonte: BMOeiras – Algés; BMLx - Natália Correia)

VOZES DA CULTURA CABO-VERDIANA


Cabo Verde visto por cabo-verdianos

Tentar saber como a sócio-cultura cabo-verdiana é vista e/ou sentida pela “gente da terra”, levou-nos a conversar com personalidades de diferentes quadrantes da sociedade local, procurando recolher elementos com vista à concretização da nossa pretensão.

O presente conjunto de entrevistas destinava-se, em princípio, à revista Ponto & Vírgula onde aliás, algumas chegaram mesmo a ser publicadas. Face à interrupção da mesma e dado o inusitado interesse manifestado pelos leitores relativamente às entrevistas publicadas, mostrou-se nos aconselhável preparar uma colectânea, integrando não só as divulgadas anteriormente como, também, as inéditas, que constituem a grande maioria.

Autor: João Lopes Filho

Editor: Ulmeiro
Ano de edição: 1998
Patrocínio: Câmara de Vila Franca de Xira

(fonte: BMLx – Palácio Galveias)

UNIVERSO DA ILHA


Para todos que vivem na ilha
E procuram o cosmos.
Para todos que vivem no cosmos
E procuram a ilha.


Autor: Vasco Martins
Ilustrações: Luísa Figueira

Editor: Autores e Instituto Caboverdiano do Livro, Praia – Cabo Verde
Colecção: Poesia
Ano de edição: 1986

(fonte: BMOeiras – Algés)

O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL (1936 - 1954)


A Origem e o Quotidiano

Pretende-se com este trabalho saber o porquê da construção do Campo de Concentração; o porquê da escolha do Tarrafal; quantos reclusos foram deportados para ali; quais eram as origens e os motivos das suas prisões. Também se pretende saber como era o quotidiano dos reclusos dentro dessa prisão. Tenciona-se, ainda, transmitir a ideia que o Concelho de Tarrafal não foi aquilo que foi divulgado pelos antigos presos que passaram pelo Campo de Concentração, como sendo o pior dos piores sítios de Cabo Verde, mas sim, que Tarrafal foi e continuará a ser um dos melhores lugares, da maior Ilha de Cabo Verde, que Salazar escolheu para fazer calar os seus inimigos políticos.

JOSÉ SOARES é natural de Cabo Verde, Tarrafal, Chão Bom. Em 2002 Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. E em 2006 obteve o grau de Mestre em História Cultural e Política, na mesma Faculdade, com a tese intitulada: O Campo de Concentração de Tarrafal (1936-1954) – A origem e o Quotidiano, agora publicada em livro. Entrou em Portugal como seminarista da Diocese de Cabo Verde no Seminário Diocesano de Leiria, depois seis anos no Seminário da Diocese de Cabo Verde. Tem uma vasta experiência ligada à Educação. Entre 2003 e 2006, foi Técnico de Educação nos Colégios de Santa Catarina e Pina Manique da Casa Pia de Lisboa. Entre 2000 e 2003 desempenhou funções de Monitor no referido Colégio de Santa Catarina, na Instituição Obra do Ardina e também Monitor, Tutor e Coordenador de Apoio Escolar na Morna Associação Luso-Africana, com crianças do Concelho de Amadora. Fundou e dirigiu o Núcleo dos Estudantes Cabo-verdianos da FCSH-UNL, o Grupo de Jovens Católicos Cabo-verdianos em Lisboa (JCCL) e a Associação dos Tarrafalenses em Portugal.
Silvino Évora, Jornalista

Autor: José Manuel Soares Tavares

Editor: Edições Colibri
Ano de edição: 2006
Patrocínios: Casa Pia de Lisboa, Câmara Municipal do Tarrafal e Embaixada da República de Cabo Verde em Portugal

ASPECTOS EVOLUTIVOS DA MÚSICA CABO-VERDIANA


O diplomata de carreira, Manuel de Jesus Fortes Tavares da Cruz Silva, lançou no dia 14 de Dezembro de 2006, no Auditório do Centro Cultural da Embaixada de Portugal, na Cidade da Praia, a obra Aspectos Evolutivos da Música Cabo-Verdiana que, além de periodizar as várias etapas que conheceu a música de Cabo Verde - os períodos eugeniano, beleziano, da mundialização da música de Cabo Verde, dos instrumentos eléctricos na música cabo-verdiana, da pré-independência de Cabo Verde, da nova geração e o regresso às origens e da moderna música cabo-verdiana - aborda, de uma forma geral, os diversos géneros da música cabo-verdiana, propondo uma reflexão em torno de questões como a sua origem, o contexto social do seu desenvolvimento e a caracterização musical e instrumental actual, exemplificados com 42 (quarenta e duas) canções elucidativas e respectivas transcrições musicais, e ainda anexos com o registo de todos os tocadores de alguns instrumentos tradicionais - violão, gaita, cimboa e violino -, bem como uma enumeração de grupos musicais fundados por cabo-verdianos, no país e na diáspora, ao longo do século XX.

A obra foi galardoada com o prémio “Sena Barcelos” instituído pelo Instituto Camões e a Associação Nacional dos Escritores de Cabo Verde, “com o objectivo de estimular a reflexão sobre temáticas de interesse no espaço da CPLP, incentivar o surgimento de novos escritores e promover a Língua Portuguesa como ferramenta de trabalho científico”. Instituído em 2005, distingue, anualmente, uma obra original em Língua Portuguesa de um cabo-verdiano, tendo como referência a História e Cultura de Cabo Verde.

O autor é natural de Calheta da Ilha do Maio e passou parte da sua infância em Pedra Badejo, Concelho de Santa Cruz, onde o pai exercia funções docentes, e onde também iniciou e finalizou a instrução primária. Fez os estudos secundários na Cidade da Praia e licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Possui ainda o Curso de Administração e o Curso de Formadores em Administração Pública Local para os PALOP além de várias outras formações de capacitação nos domínios sobretudo da Administração.
Músico multinstrumentalista - toca violão, violino, cavaquinho, piano - e é investigador da música tradicional cabo-verdiana.
Mafaldo Carvalho

Autor: Manuel de Jesus Tavares

Editor: Centro Cultural Português / Instituto Camões - Praia
Ano de edição: 2006

KAB VERD BAND


Cabo Verde Band

O jornalista Carlos Gonçalves lançou, no dia 7 de Dezembro, no Instituto Camões/Centro Cultural Português, na Praia, o seu livro intitulado "Cabo Verde Band". A obra, que compila o material escrito pelo jornalista sobre a música cabo-verdiana, ao longo dos seus cerca de 30 anos de carreira, não só traça a história dos géneros musicais crioulos como também levanta novas pistas sobre a origem de alguns deles.
Baseado em entrevistas e conversas conduzidas por Carlos Gonçalves e em documentação escrita sobre a música de Cabo Verde, de vários autores (desde o príncipio até ao final do século XX), "Cabo Verde Band" é um livro que, começou a ganhar forma em 1993/94: "Possuía já nessa altura todo o material que escrevi durante os meus anos de carreira de jornalista. A estes quis juntar novos dados. Por isso, iniciei nessa época uma nova fase de pesquisa".
Reunido todo o material, Carlos Gonçalves compôs, como o próprio diz, "um protótipo, que serviria para mostrar aos potenciais patrocinadores". À cabeça da lista estava o Arquivo Histórico Nacional porque, explica o jornalista, "queria uma editora que pudesse, de facto, interessar-se e dar-me cobertura, pois tratava-se de um projecto caro, com muitas fotografias e exigia papel de grande qualidade. E consegui".
Assim, quem folheia "Cabo Verde Band" fica a conhecer as interrogações de Carlos Gonçalves sobre a história da música de cabo-verdiana, tem acesso à análise que o jornalista faz sobre os géneros musicais do arquipélago e encontra informação diversa sobre instrumentos musicais, conjuntos, cantores, festivais, discografia e editoras. Tudo isto acompanhado de cerca de 100 fotografias. E a quem desejar ir mais longe do que uma simples leitura, Gonçalves faculta uma discografia selectiva de quatro/cinco discos, no final de cada capítulo, e um índice onomástico.
Segundo o autor, "Cabo Verde Band não traz nenhuma verdade insofismável". Apenas, diz Carlos Gonçalves, "levanto algumas pistas sobre a música cabo-verdiana, nomeadamente as fontes da morna, que não têm sido aceites". O jornalista é, entretanto, peremptório quanto ao futuro da música caboverdiana: "Ela está de boa saúde, apesar das preocupações com as influências externas. Aliás, tanto as influências como as preocupações com ela sempre existiram, pude constatar durante a pesquisa para este livro. Quanto ao futuro, creio que é risonho".
Teresa Sofia Fortes

Autor: Carlos Filipe Gonçalves

Editor: Instituto do Arquivo Histórico Nacional
Ano de edição: 2006

(fonte: jornal ASemana)

CABO VERDE: OS BASTIDORES DA INDEPÊNDENCIA


Lançado em 1997, Cabo Verde, Os Bastidores da Independência é o primeiro livro de José Vicente Lopes, no qual o autor investiga e narra o processo da independência e, em seguida, da construção do Estado naquele país africano de língua oficial portuguesa. A obra em apreço é construída a partir de entrevistas com mais de 100 personalidades cabo-verdianas, guineenses e portuguesas, através de um confrontar de percursos e depoimentos, entremeados com fontes documentais e bibliográficas. A presente edição surge revista e melhorada, isto é, com novos dados e peças documentais que em muito enriquecem a anterior.

JOSÉ VICENTE LOPES nasceu na Cidade do Mindelo, Cabo Verde, em Outubro de 1959. Profissional de imprensa, licenciou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Brasil, em Dezembro de 1986.
Entre outras funções desempenhadas, foi editor de Cultura e de Economia no “Voz di Povo”, de 1987 a 1992, altura em que o mesmo jornal foi extinto. Antigo colunista do jornal “Terra Nova”, é actualmente membro da equipa redactorial de “A Semana” e correspondente em Cabo Verde da BBC e do jornal “Público”. Em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio Jornalista do Ano pelas crónicas em “A Semana”, no ano anterior.
Foi o primeiro presidente da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), de 1990 a 1994. É também autor de ensaios culturais e políticos publicados na imprensa cabo-verdiana (“Ponto & Vírgula”, “Fragmentos”, “Pré-Textos”, “Anais”, etc.) e estrangeira (Portugal, França, Dinamarca, Áustria), bem como de comunicações sobre jornalismo e política apresentadas em conferências e encontros realizados em Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Macau e Brasil.

Autor: José Vicente Lopes
Capa: Mário Lúcio Sousa

Editor: Spleen edições – Cidade da Praia
Ano de edição: 2002 (2ª)
Patrocínio: Fundo Autómono para Iniciativas Culturais

(fonte: BMLx - Palácio Galveias)

MIGRAÇÕES NAS ILHAS DE CABO VERDE


No segundo semestre de 1974, a Universidade Nova de Lisboa, por iniciativa do Professor Vitorino Magalhães Godinho, criou um grupo de trabalho constituído pelos Drs. António Barreto e Maria Beatriz Rocha Trindade, com vista à elaboração de um esquema de estudo, integrado no projecto colectivo Mão-de-obra, emprego e emigração, e de seguida confiar aos que quisessem nele colaborar, a execução de trabalhos de conjunto, ou parcelares, por temas e áreas geográficas.
Dos nossos encontros resultou ser-me atribuído o encargo de fazer a análise das migrações nas ilhas de Cabo Verde. Tinha publicado um artigo intitulado A reconversão da Agricultura em Cabo Verde e a integração dos trabalhadores rurais no sector industrial, nos nºs 22 e 25 da revista Presença Cabo-Verdiana, Boletim Cultural e Informativo da, então, Casa de Cabo Verde, em Lisboa. Baseara esse artigo em elementos compilados em pesquisas de arquivo iniciadas em 1964, para o estudo alargado do problema. Daí tivesse sido esse artigo uma das razões de se terem lembrado do meu nome. De qualquer modo entendi que não deveria negar o meu concurso ao empreendimento. Exigia-o a muita consideração que tenho pelos organizadores do plano; e para além disso a incontestável capacidade de realização e o valioso currículo científico de cada um deles. E ao aceitar a incumbência decidi manter, no trabalho, a mesma linha de orientação traçada de há anos, em relação a estudos da vida social e económica das minhas ilhas, de que a dúzia de publicações dadas à estampa são prova.

Autor: António Carreira

Editor: Universidade Nova de Lisboa, Área das Ciências Humanas e Sociais
Ano de edição: 1977

(fonte: BMLx – Palácio Galveias)

O TRÁFICO DE ESCRAVOS NOS RIOS DE GUINÉ E ILHAS DE CABO VERDE (1810-1850)


(subsídios para o seu estudo)

As sucintas notas que seguem mais não pretendem ser do que um contributo para o esclarecimento de alguns dos variados e complexos problemas do tráfico negreiro na área geográfica situada entre o rio Senegal e a Serra Leoa no decurso de 1810 a 1850. Baseiam-se elas, de um lado, em elementos extraídos de diversa documentação publicada e, de outro lado, em fontes primárias dos arquivos de Cabo Verde e de Lisboa.

Autor: António Carreira

Editor: Junta de Investigações Científicas do Ultramar
Colecção: “Estudos de Antropologia Cultural”
Ano de edição: 1981

DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA DAS ILHAS DE CABO VERDE E "RIOS DE GUINÉ"


(Séculos XVII e XVIII)

A publicação deste volume visa portanto a divulgação de documentos de grande interesse para o conhecimento da acção dos portugueses na costa ocidental africana nos anos de 1600 até final de 1700. Por um lado, eles mostram as vicissitudes por que passaram os contratos de arrendamento de tratos e resgates, e as falcatruas cometidas pelos contratadores, falcatruas essas facilitadas pela impossibilidade do Governo controlar os negócios; e do outro lado, o contrabando de escravos e a desenfreada concorrência comercial de Franceses, Ingleses e Holandeses, por vezes apoiada na guerra de corso, visando pôr termo às actividades dos Portugueses na costa a partir do Cabo Verde até à Serra Leoa.

Autor: António Carreira

Ano de edição: 1983

(fonte: BMLx - Palácio Galveias)

NA CORDA BAMBA


“Dizem, mas não se confirma, que do outro lado da noite copos de cristal estalaram com um brinde.
Dizem também que na sala iluminada há muito se carpia pela morte e depois a saudade entrou funda na terra grávida. Só então Nando penetrou a noite romântica, onde só há luz e nada.
Dizem... dizem muitas coisas, mas eu, Francisco do meu nome e um dos personagens do livro que tendes na mão, não posso confirmar nada e antes pelo contrário até prefiro desmentir pois é do meu conhecimento que normalmente quem afirma são os inventores de verdades que se encontram no dealbar da selvajaria.
Hoje, amigos, completamente desiludido com a política e com os homens, mas não com a vida, resta-me ainda uma pergunta e uma esperança: que será do mundo se um dia a cultura, a arte a o respeito pela vida passarem a ser as principais preocupações da mente humana?
...
Lembrar-se-ão de perguntar pelo estado do meu próprio cálice?
Não se terá ele quebrado naquela noite?
Desejo-vos uma boa leitura na companhia de todos nós.
P.S. Quem sabe, não falarei com o Nando ainda hoje?”

Este extracto do prólogo indicia o mistério e a densidade emocional com que o autor conduz o leitor ao longo do romance, mantendo intacto o seu interesse pelo desenrolar da história até à última página. Se referirmos ainda o “Poema do Absoluto” (“O relógio não deu horas / Nos sinos de São Salvador / Porque não há horas / Nem sinos de São Salvador”) extraído do magistral romance “A Casa do Pó”, de Fernando Campos, inscrito no primeiro capítulo do livro, cuja numeração, aparentemente aleatória, parece chamar-nos a atenção para a cronologia dos factos, não nos admiramos à partida que o romance tenha conquistado o Grande Prémio Sonangol de Literatura (Consagrados) em 1999.

Autor: Carlos Araújo

Fotocomposição, impressão e acabamento: Ponto Um, Indústria Gráfica (Luanda)
Ano de edição: 2000
Patrocínio: Sonangol Holding

(fonte: Ernestina Santos)

CONTOS E FACTOS


Por considerar o presente trabalho “como necessário e útil às gerações presentes e futuras”, Fátima Bettencourt aceitou prefaciar este livro de crónicas de Mário Matos, lembrando que o viu pela primeira vez no palco do Éden Park na representação de uma peça teatral. Segundo afirma, são “subsídios para a história de São Vicente”, “páginas de história duma cidade com história” pois os textos têm o dom de trazer “as memórias antigas de São Vicente / Mindelo com a mais valia do registo e fixação de um património que contém aspectos determinantes para a evolução da ilha e cidade e a compreensão dos seus habitantes”.
Fátima Bettencourt refere a oportunidade do aparecimento deste livro no final do século e do milénio pois, “apesar dos altos e baixos por que passou esta ilha / cidade”, foi o berço da Claridade, anfitriã de homenagem dos três maiores poetas de então, (Januário Leite, Eugénio Tavares e José Lopes), terra natal da maior organização juvenil de todos os tempos nas ilhas (SOKOL’S), sede do primeiro liceu de Cabo Verde, onde Amílcar Cabral foi aluno brilhante e primeiro bolseiro, e berço da primeira Academia de Música (1899). Por isto e ainda pelas gentes que fazem parte integrante da baía, pela vivência própria nos arrabaldes e na cidade, pelas “labaredas líquidas que invadem os telhados” ao pôr do sol, pelos acordes de violão sempre presentes na noite morna e enluarada, pela piada oportuna e pelo riso fácil e acolhedor, que são factos presentes nas crónicas de Mário Matos, ela defende que deveria ter precedência no título a palavra “factos”.

Autor: Mário da Silva Matos

Edição de autor
Ano de edição: 1999

(fonte: Ernestina Santos)

HORA DI BAI - OS CABO-VERDIANOS E A MORTE


Uma Abordagem Antropológica Através da Literatura e da Ficção

Excelente estudo de antropologia da literatura sobre a morte na ficção cabo-verdiana.

As ciências sociais caracterizam-se, cada vez mais, por uma prática e um discurso multidisciplinar e essa capacidade de integração de conceitos e métodos tem permitido a criação de interessantes e inovadores trabalhos.
Nessa linha, uma das áreas mais em foco é a da utilização da literatura nos mais variados campos, passando da história, à sociologia, à antropologia, à ciência política ou à musicologia.
Em Portugal, no entanto, a ciência tem demorado a proceder a semelhante abertura metodológica e conceptual e subsistem velhos arquétipos científicos que em nada contribuem para o desenvolvimento da mesma. No campo da reutilização da literatura são muito poucos os trabalhos que têm visto a tipografia e só por isso, este estudo da antropóloga Margarida Fernandes já merecia destaque.
A abordagem faz-se aqui através da literatura de ficção cabo-verdiana e o objectivo é encontrar no conto e no romance a relação deste povo com a morte, ou seja, fazendo da literatura fonte da antropologia e extrair dela elementos que possibilitem uma abordagem etnográfica. A literatura aqui é um documento etnográfico. O título Hora di Bai (hora da despedida) é extraído de um poema de Eugénio Tavares, traduzido em apêndice.
De início, um necessário enfoque em temas mais ligados à história, à geografia e à economia de forma a possibilitar a compreensão da realidade cabo-verdiana, da mundividência do seu povo. Só então, depois de esclarecidos as dificuldades de Cabo Verde (“Se chovia, morria-se afogado; se não chovia, morria-se de fome” Teixeira de Sousa, Xaguate, cit. pela autora, p.30) se dá relevo aos rituais de morte, tema central do livro.
Neste capítulo encontramos a morte propriamente dita, o velório, o funeral, o luto, as solidariedades e a morte na “terra longe”, fora de Cabo Verde. É neste capítulo que através de pequenos excertos literários ficamos a conhecer a realidade dos actos fúnebres, desde a saída do corpo de casa para o cemitério, à guisa, mulher carpideira por muitos dias, à tabanca que se une em redor do defunto, à solidariedade de vizinhos que ajuda nas preparações – “a morte é, para os cabo-verdianos, um acto social colectivo” (p.58).
Surpreende, ou nem tanto, a extraordinária quantidade de referências à morte na literatura cabo-verdiana mas também não é possível esquecer a realidade de quem “fugia apenas para morrer noutro lugar” (Didial, O estado impenitente da fragilidade, cit. pela autora, p.47). A diferença entre a “boa morte” e a “má morte” é indissociável dessa realidade e uma constante na ficção cabo-verdiana aqui estudada.
Em suma, estamos perante um trabalho que importa ser lido pelo seu conjunto: nem só pela literatura, nem só pela antropologia, mas pelo conjunto homogéneo e que, em última análise, muito pode contribuir para um melhor conhecimento da literatura cabo-verdiana entre nós, pois tanto pode ser lido por quem dela já tenha alguns conhecimentos e os queira aprofundar, como por quem pouco ou nada leu e pode, a partir daqui, iniciar uma leitura sistemática.
Rui Santos, Jornalista

Autor: Margarida Fernandes
Desenho da capa: Mito "Sambo"
Prefácio: José Carlos Venâncio

Editor: Nova Vega
Colecção: Palavra Africana/Ensaio
Ano de edição: 2004

(Para consulta: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Palácio Galveia)

CABO VERDE: O CICLO RITUAL DAS FESTIVIDADES DA TABANCA


Um dos grandes problemas da cultura crioula de Cabo Verde é saber, em termos antropológicos, o que é nitidamente africano e o que é europeu e, muito particularmente, reinol, isto é, português. Aliás, tem havido poucas tentativas deste género. Assim, pode dizer-se que, em Cabo Verde, nunca houve uma Etnografia, Etnologia ou Antropologia Cultural ou Social, cujos estudos nos pudessem fornecer ideias seguras para, numa análise do tipo sócio-antropológico, tentar separar os dois elementos fundamentais dessa cultura compósita.
…, esta obra tem antes de mais o mérito de ser pioneira. E mais: vem colocar o elemento cultural Tabanca no seu devido lugar, no contexto da cultura caboverdiana que, até aqui, era tomada ou considerada das manifestações culturais mais africanas de Cabo Verde, o que não é totalmente verdade, pois é um ritual em que a África está presente, sim, mas apenas nalguns detalhes, como, por exemplo, nos rituais dos tambores (não na forma do instrumento que é reinol), na música, nas lenga-lengas e nas danças (estas, sim, de origem nitidamente africana), pois que o seu significado profundo anda à volta de paradigmas e padrões portugueses das festas populares de Sto. António, S. João, S. Pedro e Sta. Cruz, correntes em Portugal, nas ilhas atlânticas e noutras partes do mundo em que os portugueses se foram fixando ao longo do tempo. Possivelmente uma incursão comparativa com as festas de Sta. Cruz talvez fosse de interesse imediato, dado me parecer vislumbrar na estrutura da Tabanca traços similares, ou, então, produtos de convergência cultural.


Autor: José Maria Semedo e Maria R. Turano

Editor: Spleen-Edições – Praia
Ano de edição: 1997

(fonte: BMO – Algés)

TENPU DI TENPU


1 168 dibiña tradisional

Volumi I


Tenpu di tenpu e un libru ki ta ferese un konzuntu di 1168 dibiña tradisional na Kauberdi, rodiadu di konsiderasons di sklaresimentu y nkuadramentu, undi finalidadi e sobrutudu kontribui pa divulagason, un forma di torna da povu kusa ki povu da.
Es 1168 dibiña rakojedu, na Kauberdi y na Portugal (entri imigrantis kauberdianu), juntu di informantis natural di diversus konseju y ila di país, na un spasu di tenpu ki ta bai di 1976 ti parti di 1988. Na es rakoja, sta nvolvedu varius kuletor y informanti, dibasu di direson di Dipartamentu de Tradisons Oral di Direson Zeral di Patrimoni Kultural (ántis Direson Zeral de Kultura), regra zeral.
Ántis di mas, e altura di sklarise nomi di es libru ki, posivimenti, tene un o otu interesadu na el ku algun fadiga. Pamodi Tenpu di tenpu? Pamodi es libru ta ferese kusas ki izizi tenpu pa fasedu y tenpu pa konsedu y sirbidu di es, pau n banda y, pa otu banda, pamodi kusas ki es obra ta ferese e frutu di tenpu ki tenba tenpu pa daba spritu kumida y pa fase spritu kiria y dizanvolve, na induvidu y kumunidadi, kultura ki (pa si bes) e fiju y pai di kultura.

Autor: T. V. da Silva

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro e do Disco
Colecção: Tradições Orais
Ano de edição: 1992
Patrocínio: Instituto Nacional da Cultura
Financiamento: República Federal de Alemanha

(fonte: Daniel Martinho)

B.LÉZA


Cadernos de um Trovador

No prefácio, Mário Alves, Presidente da Associação Cultural Etnia, descreve como descobriu B.Léza, levado por um amigo a ouvir Travadinha, nos final dos anos 70, seguido de outros notáveis da música cabo-verdiana, após o que Cabo Verde lhe "entrou na cabeça e no coração". Mais tarde, quando a ETNIA já estava instalada em S. Bento, descobriu que a música e a história de B.Léza esteve sempre por detrás de tudo isso, tendo-se então apercebido "da importância e do significado da vida e da obra do genial criador de Mar Azul".
A partir do projecto InterculturaCidade, Mário Alves reencontrou-se com B.Léza, Francisco Xavier da Cruz de baptismo, "primeiro nas cordas de Armando Tito e nas telas do António Firmino... depois nos velhos discos de vinil e documentos... e finalmente na revelação luminosa do 'Bronze', o mítico violão de B.Léza, único como ele só" que expuseram na montra do Centro InterculturaCidade para assinalar a proximidade do seu 1º centenário".

Autor: Veladimir Romano

Editor: ACE - Associação Cultural ETNIA - Coordenação
Ano de edição: 2004

(fonte: Ernestina Santos)

A LOUCA DE SERRANO


"Para Júlia, uma mulher louca que me amou mal eu tinha vivido, essa loucura de não poder esquece-la" é a dedicatória no início do romance que adverte o leitor que vai ao encontro de uma história diferente.

Na realidade, o primeiro romance de Dina Salústio surpreende a cada momento, enredando o leitor numa leitura que não consegue suspender até beber no final a revelação do intrigante e cativante trama da história que tem por centro a vivência enigmática dos habitantes de Serrano, uma aldeia esquecida da civilização.

DINA SALÚSTIO (Bernardina de Oliveira Salústio) tem desenvolvido diversas profissões - professora, assistente social e jornalisata – e colaborado em prosa e poesia na imprensa cabo-verdiana e estrangeira. Participou na Antologia de poesia cabo-verdiana Mirabilis – de veias ao sol e na colectânea Cabo Verde: insularidade e literatura, nas versões portuguesa e francesa.

Autor: Dina Salústio

Editor: Spleen Edições e autora
Ano de edição: 1998
Patrocínio: X Feira do Livro Português

(fonte: Ernestina Santos)

UM CERTO OLHAR...


Crónicas

"Nascidos de sangues cruzados, nossas cabeças e valores meio confusos, mestiços sempre balançando entre a senzala e o sobrado, neste o pé esquerdo, naquela o direito, assim vamos nós reivindicando avós brancos perdidos na bruma do passado, insistindo em desenterrá-los das cinzas de séculos, limando arestas, burilando qualidades, se foi criminoso vira nobre perseguido, se foi prostituta passa a virtuosa donzela; sobre os outros avós, os escravos, uma cortina de silêncio, instransponível reposteiro, qual quarto escuro que de tanto temer nem sequer mencionamos."

Este delicioso extracto dá-nos uma indicação do humor crítico com que Fátima Bettencourt analisa nestas crónicas os factos e acções do dia a dia da vida nas ilhas cabo-verdianas.

Segundo a autora, são crónicas que apareceram em diversos jornais, como A Semana, Novo Jornal de Cabo Verde e Horizonte, e revistas, como Artiletra e Cultura, bem como no Suplemento Açoriano da Cultura, sendo umas fruto da observação directa da vida, outras de simples reflexão e outras ainda "do riso, algum", que confessa ter descoberto "no fundo da indignação que é, na maior parte dos casos, a alavanca da pena" que manuseou.

FÁTIMA BETTENCOURT desempenhou, a par da docência do ensino preparatório, diversas actividades paralelas, entre elas locutora e produtora de programas radiofónicos e escritora de contos e artigos, tendo ainda participado na preparação de livros didácticos para o ensino.

Autor: Fátima Bettencourt

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional (Praia)
Ano de edição: 2001
Patrocínio: Fundo Autónomo para Iniciativas Culturais (FAIC)

(fonte: Ernestina Santos)

A CASA DOS MASTROS


Contos Caboverdianos

Destino: entre o amor e a morte, só a diáspora persiste. Mas se a diáspora existe, o amor é, então, mais forte: tem-se saudades da terra e da mãe. Se a terra é madrasta e a morte levou a mãe, só resta a memória de um pai castrador: casa dos mastros (monárquica, republicana), poder paternal. Mulheres à deriva, perdidas, insuladas, buscando o amor. Homens, seus iguais. Há muitas solidões e desencontros no arquipélago da vida. Há uma ilha dentro de nós, nas ilhas da diáspora, nas ilhas. Rodrigo, Violete, Jack, Tosca, Aninhas, Laura, Maira: gente desafortunada!
Pires Laranjeira

Autor: Orlanda Amarílis

Editor: ALAC (África, Literatura, Arte e Cultura)
Colecção: Africana
Ano de edição: 1989

(fonte: BMLx – Palácio Galveias)

SAARACI, O ÚLTIMO GAFANHOTO DO DESERTO


Autor: Luísa Queirós – Texto e Ilustrações

Editor: Instituto Camões / Centro Cultural Português Praia – Mindelo
Colecção: Livros Infanto-Juvenis
Ano de edição: 1998 (2ª)

(fonte: BMLx – Palácio Galveias)

NASCIMENTO DE UM MUNDO


Poesia

MÁRIO LÚCIO SOUSA, nasceu no dia 21 de Outubro de 1964 na vila do Tarrafal de Santiago, Cabo Verde. Publicou no Podogó, Ponto & Vírgula, Fragmentos, Voz di Letra, Voz di Povo, Tribuna. É licenciado em Direito.

Autor: Mário Lúcio Sousa

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro e do Disco
Colecção: Poesia
Ano de edição: 1991
Patrocínio: Gabinete do Primeiro Ministro por ocasião do XV Aniversário da Independência Nacional

(fonte: BMLx - Penha de França)

ESTUDOS DE ECONOMIA CABOVERDIANA


Estudos de Economia Caboverdiana, abrangendo a análise nos campos histórico, económico e social, de três dos principais géneros de exportação, segundo o papel desempenhado na vida insular, em especial quanto ao volume e ao valor mercantil de cada um, a saber: Urzela, cana sacarina (açúcar, aguardente e mel) e semente e azeite da purgueira. Na apreciação do processo evolutivo da exploração dos géneros procurou-se dar relevo ao contraste entre o regime de monopólio legal por que se regeu a urzela e o regime do seu comércio livre. Anote-se que a urzela constitui (com a PANARIA) durante mais de três séculos e meio, o grande esteio da vida económica das ilhas. Sem ela, também, dificilmente a indústria europeia de tinturaria de têxteis finos teria tido a expansão e o explendor que teve; e com eles os volumosos lucros auferidos pelos industriais britânicos e outros. Em outro plano mais modesto, outro tanto se pode dizer da purgueira em relação à indústria de saboeira.
Não tivemos de modo algum a pretensão de apresentar trabalho perfeito, esmerado, isento de defeitos. Todavia, como até agora nenhum dos inúmeros estudiosos da coisa caboverdiana (de tantos que esbracejam e gritam por aí) tentou nada semelhante, resta-nos aguardar a palavra dos eventuais críticos – sempre oportuna, bem vinda e salutar.

Autor: António Correia
Colaboração: Associação Portuguesa de História Económica e Social, sob a orientação do Prof. Doutor Magalhães Godinho

Editor: Imprensa Nacional – Casa da Moeda
Ano de edição: 1982

(fonte: BMLx – Camões)

OCEANOS


SAGRES – CABO VERDE

…E aqui se inicia também uma viagem pelo Atlântico que nos leva mais longe que os Açores; é do arquipélago de Cabo Verde, “caso notável” da Expansão e lugar de fortíssima evocação do legado linguístico, histórico, cultural e social da presença portuguesa, que se fala desenvolvidamente neste número. ...
António Mega Ferreira

Revista OCEANOS

Editor: Comemorações dos Descobrimentos Portugueses
Ano de edição: 1990

NO REINO DE CALIBAN


Antologia panorâmica da Poesia africana de expressão portuguesa I
Cabo Verde e Guiné-Bissau

Raras vezes um autor e uma obra terão estado desde o início e por definição destinados a tão íntima e lógica associação como, neste caso, Manuel Ferreira e No reino de Caliban.
Autor desde sempre profunda e exemplarmente vinculado ao estudo e divulgação da problemática cultural africana de expressão portuguesa; ele próprio favorecido por uma vivência pessoal africana de doze anos, responsável por algumas das melhores páginas da novelística cabo-verdiana (Hora di Bai, Terra trazida, Voz de prisão, aos quais haverá que acrescer o ensaio A aventura crioula), acreditamos não ser talvez errado, e muito menos audacioso, avançar que em Portugal e hoje, somente Manuel Ferreira seria capaz de cumprir a tarefa de organizar e apresentar um instrumento de cultura como este No reino de Caliban: Não será por acaso ter sido o autor, depois de 25 de Abril, convidado para reger, na Faculdade de letras de Lisboa, a recém criada disciplina de literatura africana de expressão portuguesa.
O que significa dizer que, cinco anos de trabalho, representam assim um sem número de dificuldades, decorrentes tanto da metodização e da responsabilidade inerentes à representação nominal, como da necessidade de reunir todos os autores que contribuem para a construção da poesia africana de língua portuguesa.
Carlos Monteiro dos Santos

Autores cabo-verdianos mencionados:

JORGE BARBOSA / MANUEL LOPES / OSVALDO ALCÂNTARA / PEDRO CORSINO AZEVEDO / ANTÓNIO NUNES / ARNALDO FRANÇA / GUILHERME ROCHETEAU / NUNO DE MIRANDA / TOMAZ MARTINS / AGUINALDO FONSECA / GABRIEL MARIANO / OVÍDIO MARTINS / ONÉSIMO SILVEIRA / TERÊNCIO ANAHORY / YOLANDA MORAZZO / CORSINO FORTES / ARMÉNIO VIEIRA / JORGE MIRANDA ALFAMA / MÁRIO FONSECA / OSWALDO OSÓRIO / ROLANDO VERA-CRUZ / JORGE PEDRO BARBOSA / VIRGÍLIO PIRES / ARMANDO LIMA JR. / DANTE MARIAO / SUKRATO / TACALHE / ANTÓNIO MENDES CARDOSO / DANIEL FILIPE / JOÃO VÁRIO / LUÍS ROMANO / TEOBALDO VIRGÍNIO / EUGÉNIO TAVARES / PEDRO CARDOSO / SÉRGIO FRUSONI / ARTUR VIEIRA.

Autor: Manuel Ferreira – Organização, selecção, prefácio e notas

Editor: Seara Nova
Ano de edição: 1975

(fonte: BMLx - Camões)

A AVENTURA CRIOULA


Ensaio

Para o conhecimento de Cabo Verde, vem Manuel Ferreira munido de uma condição indispensável: a ausência total de preconceitos. Ele não pertence, felizmente, ao número dos que, apressados ou dogmáticos, querem meter à força Cabo Verde e o seu “caso” numa moldura premeditada. pelo contrário: aborda-o com humildade e com deliberação de o compreender, amando-o. E como Ferreira é bom conhecedor da terra e das gentes, os pontos de vista que tem apresentado ao longo de um debruçar, que não vem de ontem, sobre estes temas representam sempre valorações pertinentes; mesmo quando não concordemos totalmente, a nossa discórdia nunca deixa de ser acompanhada do respeito por este escritor, digo, por este homem profundamente sincero. Porque, perante o diálogo que Manuel ferreira vem mantendo com Cabo Verde, não é o escritor que primacialmente avulta para nós das ilhas: é o homem fraternal e militante.
Os assuntos versados neste livro, ..., inserem-se entre os de maior relevância para o conhecimento de Cabo Verde; e podemos acrescentar – os mais difíceis.
Baltasar Lopes

Autor: Manuel Ferreira

Editor: Plátano Editora
Ano de edição: 1985

(fonte: BMLx - Camões)

CANÇÕES INFANTIS


Julgo que esta pequena colectânea de canções infantis vem favorecer a aprendizagem musical das crianças não só pelo lado intencionalmente pedagógico em que foram escritas, mas igualmente pelo lado lírico e recreativo adaptados ao ambiente e temperamento espiritual Caboverdiano.

Autor: Margarida Brito
Ilustrações: Luísa Queirós

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro e do Disco
Colecção: Infantil
Patrocínio: Direcção Geral do Património Cultural

(fonte: Bibliotecas Municipais de Lisboa - Natália Correia)

ESTUDOS DA HISTÓRIA DE CABO VERDE - 2


"Cabo Verde é um país cheio de estórias para contar. Mas mais importante para todos é contar a sua História! É a essa tarefa difícil, mas indispensável, que se dedica, faz muito anos, Daniel Pereira...

... os oito estudos aqui reeditados são uma selecção de contribuições que o autor deu à estampa em circunstâncias que explica. Estes ensaios recortam os séculos XVII e XVIII, numa apresentação que segue uma ordem mais cronológica que temática.

... Daniel Pereira consegue imprimir uma paixão pela História e seus pequenos episódios que fazem dos sujeitos algo de palpitante, aguçando a curiosidade dos leitores ou estudantes.

... Acreditamos que a História é o terreno predilecto para a construção da identidade e, como tal, não pertence em exclusivo a ninguém. Essa convicção também explica porque o autor se achou na obrigação de rever minimamente esses seus textos, antes publicados de forma dispersa, a fim de aumentar o número dos que podem entrar no debate.

... Boa leitura por uma digressão histórica muito importante.
Carlos Lopes

Autor: Daniel A. Pereira

Editor: Alfa-Comunicações, Lda (Praia)
Ano de edição: 2005 (2ª edição)
Patrocínio: IPAD – Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento

(fonte: Ernestina Santos; BMLx - Orlando Ribeiro)

MANUEL LOPES


Rotas da vida e da escrita

O nome da Manuel Lopes é já familiar entre os escritores lusófonos. Há contudo, em volta do seu nome, uma aura, não só de mérito literário, mas de cidadão que, ao longo de uma vida inteira, construiu e reconstruiu, sem cessar, espaços preciosos para a identidade cabo-verdiana. O drama da população cabo-verdiana, os flagelos das secas e da fome, atinge na obra de Manuel Lopes um momento alto, quer se fale de vida ou de literatura.

Este volume, modesto como o autor que se propõe dar a conhecer, é um gesto de homenagem simbólico, onde se reuniram testemunhos fotográficos e uma extensa entrevista ao autor, introduzidos por uma biografia e depoimentos de personalidades várias, cuja postura traduz, de forma inequívoca, a solidariedade incondicional de Portugal e de Cabo Verde em torno desta figura emblemática.
Com a recolha destes elementos e a sua apresentação nestas Rotas da Vida e da Escrita, o Instituto Camões junta a sua voz aos intelectuais que, de há longa data, reconhecem no nome de Manuel Lopes um dos mais importantes pilares da edificação de uma rota de caboverdianidade.

Autores: António Loja Neves e Maria Armandina Maia

Edição:Instituto Camões
Ano de edição: 2001
ISBN: 972-566-221-0

(fonte: Ernestina Santos)

ESTUDOS DA HISTÓRIA DE CABO VERDE


O aparecimento de uma obra de investigação histórica sobre Cabo Verde é sempre acolhido com expectativa. Expectativa que é talvez uma apelação do próprio passado, que dinamicamente viaja por dentro de nós e nos determina num comum destino, expectativa que talvez esteja ancorada nesta necessidade que todos sentimos, após a independência, de um conhecimento mais cuidadoso e profundo do nosso enraizamento no tempo.
Com efeito, o acesso à independência nacional, ao colocar nas nossas mãos os poderes políticos de decisão da práxis colectiva, abriu-nos às possibilidades de aquisição dos instrumentos técnico-científicos e culturais de aceleração do processo histórico e veio a restituir-nos, em termos de autonomia existencial, a dimensão fundamental que o colonialismo tinha subjugado - o tempo.
...
Henrique Teixeira Oliveira

Autor: Daniel A. Pereira
Capa: Pedro Rolando Martins

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro
Colecção: Estudos e Ensaios
Ano de edição: 1986

CLARIDOSOS


Antologia da Ficção-Caboverdiana
Vol. II

ANTÓNIO AURÉLIO GONÇALVES
BALTAZAR LOPES
EUCLIDES DE MENEZES
FRANCISCO LOPES DA SILVA
GABRIEL MARIANO
HENRIQUE TEIXEIRA DE SOUSA
LUÍS ROMANO
MANUEL LOPES
NUNO DE MIRANDA
ONÉSIMO SILVEIRA
ORLANDA AMARÍLIS
PEDRO DUARTE
TEOBALDO VIRGÍNIO
VIRGÍLIO PIRES

No início dos anos 30 do século XX, os escritores Baltasar Lopes, Jorge Barbosa e Manuel Lopes, respondendo às “preocupações longamente alimentadas pelo grupo”, criaram o movimento cultural Claridade, publicando, em Março de 1936, o primeiro número da revista, melhor, do órgão de cultura com o mesmo nome.
A eles se juntaram outros intelectuais: os números quatro e cinco da revista registam, respectivamente, as primeira colaborações de António Aurélio Gonçalves e Henrique Teixeira de Sousa, os quais se viriam a afirmar como dos mais conseguidos ficcionistas cabo-verdianos.
Ao Movimento se emparceiraram outros ficcionistas: Nuno de Miranda, Euclides de Menezes, Luís Romano, Orlanda Amarilis, Pedro Duarte, Teobaldo Virgílio, Gabriel Mariano, Francisco Lopes da Silva, Onésimo Silveira e Virgílio Pires, que figuram nesta antologia. Tanto a ficção como a poesia e o ensaio encontram um lugar de destaque na revista Claridade. O maior acontecimento de todos os tempos na vida literária e cultural de Cabo Verde, que foi o aparecimento da revista, justificou que, no ciclo das comemorações do seu cinquentenário, se tenha tomado a iniciativa de reeditar os seus nove números fac-similados, com depoimentos dos seus fundadores então sobrevivos, Baltasar Lopes e Manuel Lopes, e com o judicioso prefácio, “O fulgor e a esperança de uma nova idade”, do saudoso Professor Manuel Ferreira.
As edições dos números publicados de Claridade constituem, hoje, verdadeira preciosidade e, dado interesse que despertou a sua reedição fac-similada, ela logo se esgotou, o que constitui razão suplementar para a publicação desta colectânea.

Autor: Dulce Almada Duarte e Jorge Miranda Alfama - Organização e apresentação

Editor: AEC – Editora
Ano de edição: 2001
Patrocínio: FAIC – Fundo Autónomo para Iniciativas Culturais

A VERDADE DE CHIANDO LUZ


O mistério de África nas noites lisboetas e a busca das origens num grande romance luso-africano

Arsénio Cruz é um jornalista que durante semanas acompanhou a ascensão meteórica de Chindo Luz à categoria de estrela televisiva do momento. O suicídio de Chindo Luz, depois de vencer um reality show de sucesso, deixa todos espantados e é motivo suficiente para que Baldo, o irmão mais novo, inicie uma investigação sobre o caso.
Baldo e Chindo cresceram num dos bairros da zona oriental de Lisboa, no seio de uma família de emigrantes cabo-verdianos. Após o 25 de Abril, a família ocupou um casarão antigo, local de passagem para muitos compatriotas. Após a morte do irmão, Baldo acompanha a mãe por uma errância pela ilha natal, onde conhecerá Eva Lima, responsável por uma ONG, que o vai recolocar, com a ajuda de Arsénio Cruz, na pista do misterioso desaparecimento de Chindo Luz.
Traçando um primoroso retrato de um certo Portugal dos últimos trinta anos, A verdade de Chindo Luz é uma obra que nos apresenta o processo de descoberta da identidade cultural pelas comunidades emigrantes que habitam na orla das grandes cidades, mas que nos proporciona, também, uma viagem ao mundo das figuras saudosistas da dolce vita das colónias sob os auspícios do Império.

Autor: Joaquim Arena

Editor: Oficina do Livro
Ano de edição: 2006
ISBN: 989-555-190-8

(fonte: Oficina do Livro)

MÚSICA E CABO-VERDIANOS EM LISBOA


O jornalista cabo-verdiano Vladimir Monteiro anuncia o lançamento on-line do seu livro:

MÚSICA E CABO-VERDIANOS EM LISBOA

A obra, resultado de uma grande reportagem realizada entre 2000 e 2002 tem sido progressivamente actualizada.

A edição on-line nasceu de uma proposta dos webmasters cabo-verdianos José Monteiro e Marlene Nobre, da Caboindex, em Lisboa. É deles a ideia, concepção gráfica e várias fotografias. Por seu turno, o designer português André Seguro concebeu a capa da obra.

Sobre a obra, apenas dizer que tem três capítulos:
- "Rostos de Lisboa " (os precursores, os jovens e os músicos de que nunca se fala);
- "Aqui faz-se música" (informações sobre o papel dos bairros e dos restaurantes, como e onde gravar, a relação que os pintores cabo-verdianos de Lisboa como Mito ou David Levy Lima mantêm com a música);
- " Encontros lusófonos" (traz uma selecção de textos variados que falam de Lisboa em bem ou mal assim como o encontro entre os músicos crioulos e lusófonos na capital portuguesa).
Finalmente, o livro tem dois anexos as músicas de Cabo Verde e sobre a imigração cabo-verdiana em Portugal.

Por: Vladimir Monteiro (adaptado por Terra Sabi)

EVA


Uma mulher e três homens constituem o núcleo duro deste novo romance de Germano Almeida. A história arranca nos anos 60, em Lisboa, transfere-se para Cabo Verde após a independência e termina em Lisboa numa longa investigação às origens. Que motor impulsiona estes personagens?
O que move estes homens – sabemos - a paixão por Eva, a busca tenaz e persistente que cada um deles desenvolve para a fechar na sua própria teia. Mas qual o motor que faz mover Eva? Isso, em última instância, não saberemos nunca. Não o sabe o próprio autor, que nos dá neste livro um dos mais fascinantes personagens da sua já longa e bem povoada galeria de retratos.

GERMANO ALMEIDA nasceu na ilha da Boavista, Cabo Verde, em 1945. Licenciou-se em Direito em Lisboa e exerce actualmente a advocacia na cidade do Mindelo. Estreou-se como contista no início da década de 80, colaborando na revista Ponto & Vírgula. A sua obra de ficção representa uma nova etapa na rica história literária de Cabo Verde. Está publicada em Portugal pela Caminho e começa a despertar interesse no estrangeiro, nomeadamente o romance O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo, do qual vários países compraram os direitos, encontrando-se já publicado no Brasil, na Itália e França. O filme de baseado nesta obra (O Testamento do Senhor Napumoceno) foi recentemente galardoado com o 1º Prémio do Festival de Cinema Latino-Americano de Gramado, no Brasil; foi igualmente distinguido com os prémios para o melhor filme e melhor actor no 8º Festival Internacional Cinematográfico de Assunción, no Paraguai.

Autor: Germano Almeida

Editor: Editorial Caminho
Ano de edição: 2006
ISBN: 972-211-789-0

CAPITÃO DE MAR E TERRA


A temática do mar foi a obsessão e o fascínio de Teixeira de Sousa, o que é característico, aliás, em diversos escritores cabo-verdianos. É o mar cercando as ilhas, o mar convidando à evasão, o mar, em suma, aprisionando e aliciando à aventura, à emigração. Foi assim em Contra Mar e Vento e em Ilhéu de Contenda, é assim em Capitão de Mar e Terra.
O mar assume aqui uma presença omnipotente, através da personagem principal - um velho capitão de longo curso que luta contra a decadência inexorável da idade e não se conforma com a preterição sofrida no campo amoroso e na esfera profissional.
É a eterna temática da senectude, com o cortejo das suas amarguras, a impotência física, a marginalização, a solidão, a inadaptação ao moderno, o ruir de todas as fantasias, o saudosismo pelos tempos que não voltarão mais. Nunca mais. É uma luta que o velho capitão desenvolve, sem dar conta da sua inutilidade. Luta que culmina em naufrágio. Naufrágio em terra do veleiro que vinha construindo, desmantelado pela forte ventania. Naufrágio, afinal, dele próprio, esgotadas todas as possibilidades de levar por diante o último sonho da sua vida.

Autor: Henrique Teixeira de Sousa

Edição: Publicações Europa-América
Colecção: Contemporânea
Ano de edição: 1998

(fonte: Ernestina Santos)

MÚSICA CABOVERDEANA


Mornas para Piano
de Jorge Fernandes Monteiro
(Jòtamont)

O presente caderno de MORNAS (música e letra) é o primeiro de uma série que Jorge Monteiro pretende publicar com o generoso patrocínio da ENACOL (Empresa Nacional de Combustíveis) à semelhança do que vem acontecendo em todos os países onde as empresas mais dinâmicas e, consequentemente, mais florescentes, se orgulham se seguir o exemplo de Mecenas, o mais célebre protector das Artes e das Letras na antiga Roma.
Às primeiras trinta, todas da autoria de Jorge Monteiro (música e letra) seguir-se-ão três cadernos com MORNAS, respectivamente, de Eugénio Tavares, Francisco Xavier da Cruz (B.Léza) e diversos, contando-se entre estes Luís Rendall, Jacinto Estrela, Jack de Carmo, Lela de Maninha, Olavo Bilac e outros mais.
Para não encarecer a edição a música do primeiro caderno é para piano, enquanto que, nos restantes se limita à melodia, mas com a promessa de uma segunda edição com música para piano, do ou dos cadernos que se esgotarem mais rapidamente, visto que o produto da venda respectiva fica reservado para esse fim.
Note-se que o projecto é mais ambicioso, porque Jorge Monteiro tem as gavetas cheias de músicas caboverdeanas, uma boa parte da sua autoria, acumuladas ao longo da sua carreira profissional, iniciada aos 14 anos de idade, com tanto entusiasmo que desde logo passou a ser chamado Jorge Cornetim, como aliás continua sendo (familiarmente) mesmo depois de ter sido nomeado para exercer o cargo de Professor de Canto Coral do Liceu ou de Regente da Banda Municipal, tanto no Mindelo como na Praia.
O facto de ainda estar regendo a Banda do Mindelo (com ordenado simbólico) apesar dos seus setenta e quatro anos bem contados, é prova evidente de que se entrega de alma e coração à menina dos seus olhos, desinteressadamente.
Da sua competência profissional falam eloquentemente não só o seu currículo, como também as palavras de apreço que lhe dirigiu o Sr. João Duarte Sarrado, Distinto Presidente e Maestro das Bandas de Belo Horizonte, Sabará e Caèté, no Brasil, em carta de 19 de Abril de 1984, depois de ter tido oportunidade de apreciar os seus conhecimentos da Arte Musical, a sua "capacidade para dirigir qualquer tipo de organização musical e ainda a facilidade com que compõe, instrumenta e escreve sem o uso de qualquer tipo de instrumento".
Confessando-se 2grato pela colaboração eficiente que nos deu, ensinando-nos como deve reger uma Banda de Música… esperamos um dia poder cantar a alegria do seu retorno a Minas-Gerais, Belo Horizonte, onde estaremos de braços abertos para o receber".
Escusado acrescentar que Jorge Monteiro é caboverdeano e nasceu na Ilha de São Vicente, porque as Mornas já o dizem. São todas de bom nível artístico, de um lirismo caboverdeano bem vincado, e a prova disso é que muitas delas estão gravadas em disco e cassete.
Félix Monteiro

Autor: Jòtamont

Ano de edição: 1987
Patrocínio: ENACOL

MORNAS E CONTRA - TEMPOS


Coladeras de Cabo Verde

Muito se tem escrito, em prosa, poesia, contos, sobre Cabo Verde, mas pouco ou quási nada, se não estou em erro, se tem divulgado a propósito das nossas melodias, representadas em caracteres musicais.
Debrucei-me sobre este pequenino e desprentencioso livrinho, tão somente para que as nossas melodias fiquem gravadas em papel de música, porque… MORTE É LADRON…

Recolhas de Jòtamont

Ano de edição: 1987
Patrocínio: ENACOL

MÚSICA CABOVERDEANA


Mornas de Francisco Xavier da Cruz
(Bê Léza)

Transcritas por Jòtamont

Ano de edição: 1987
Patrocínio: ENACOL

MÚSICA CABOVERDEANA


Mornas de Jorge Fernandes Monteiro
(Jòtamont)


Prefaciar um caderno de Mornas, como modestamente resolveu o mestre Jorge Monteiro chamar a essa pequena colectânea de música caboverdeana, é para nós, leigos em música, um prazer e não deixa de ser uma honra porque nos reconheceu gosto e sensibilidade. Mas de qualquer modo, conscientes das nossas limitações musicais, fazemo-lo confiante no conhecimento que temos da nossa cultura e apoiados nos apetrechos técnicos da literatura e da etnologia da música.
Jorge Monteiro, mindelense ferrenho, é neste momento uma das mais finas sensibilidades da velha escola caboverdeana de música; e este caderno além de texto escrito que é, de grande utilidade para os nossos alunos de música e não só, ficará na história da música caboverdeana juntamente com os outros dois, sobre Eugénio Tavares e de outros compositores de música tradicional caboverdeana, também como um dos maiores contributos prestados à nossa música por quem de facto a conhece profundamente.
G. Moacyr Rodrigues

Autor: Jòtamont

Ano de edição: 1987
Patrocínio: ENACOL

MÚSICAS DE CABO VERDE


Mornas de Eugénio Tavares

Sob pretexto que o fio melódico de algumas mornas de Eugénio Tavares vem sendo adulterado ao longo dos anos, havendo casos até em que também é alterado, mais ou menos inconscientemente, a articulação do ritmo musical com o dos versos respectivos, Jorge Monteiro não inclui neste caderno mais do que vinte mornas, deixando para melhor oportunidade as que se lhe afiguram susceptíveis de recuperação (música e letra) com o concurso de músicos e cantores mais próximos de contemporâneos de Eugénio.
Do seu confronto com o livro Mornas – Cantigas Crioulas organizado e prefaciado por Eugénio pouco antes de morrer (1930) se verifica que não é coincidente a ordem seguida, sendo de se presumir que, no referido livro, o autor logicamente terá seguido a ordem cronológica, talvez com uma excepção, na hipótese de a Morna “Bidjiça” ter algo de autobiográfico, isto é, ter surgido quando o autor começava a envelhecer. A dedicatória de “Ná, ó menino ná” ao que parece nada tem a ver com a antiguidade dessa morna, cuja letra é estranha ao trágico acontecimento indirectamente invocado.
Por outro lado figuram neste caderno algumas mornas com letra em português e que não constam da primeira edição do citado livro, pela simples razão de este ser de “cantigas crioulas”.
Félix Monteiro

Transcritas por Jòtamont

Ano de edição: 1987
Patrocínio: ENACOL

56 MORNAS DE CABO VERDE

Recolhas de Jòtamont

É lugar comum dizer-se que nunca é tarde para se fazer uma obra prima!, e para comprovar essa asserção popular, - vem Jorge Fernandes Monteiro, também conhecido por Jòtamont, seu nome artístico, generosamente presentear aos seus compatriotas, mais um opúsculo de 56 Mornas de diversos autores Caboverdianos, as quais se traduzem em melodias e poemas escritos no nosso idioma, para assim não deixar escapulir nem um só átomo do seu sentimento e genuidade da sua essência original, evitando a sua alteração com o rodar do tempo.
Essas melodias estilizadas em Mornas, contém, para além do mais, dois protagonistas principais: o sentimento telúrico e líricodos ilhéus, fixados pelos poetas/ou compositores nas suas horas em que a alma está sossegada e predisposta para o acto; os pés fincados no chão pátrio e o raciocínio envolvido pelo calor e colorido do meio que os inspirou.
Marmellande

Autores diversos

Ano de edição: 1988
Patrocínio: Companhia dos Tabacos de Cabo Verde

DRAMA DE UMA FAMÍLIA CABO-VERDIANA


Impressionado vivamente com o drama da estiagem que, volta e meia, assola as nossas ilhas, sobretudo as mais agrícolas, e, particularmente, S. Nicolau, talvez a mais sofrida do Arquipélago, o autor, como tantos outros, não resistiu à tentação de contar, muito a seu jeito, um dos aspectos dessa tragédia humana.
Com efeito, Martinho de Mello Andrade, numa linguagem peculiar, procura transmitir-nos a forma como sente os problemas de uma família pobre, que a seca tortura ainda mais, numa atroz miséria material, com todas as consequências decorrentes.
As narrações, os diálogos, os episódios, uns após outros, sucedem-se, numa sequência, de factos que nos dão uma ideia do que sejam os tormentos quotidianos não só dessa família, tomada como paradigma, mas de muitas outras, que a falta de chuvas acarreta em Cabo Verde.
Da pobreza discreta à pobreza envergonhada e até à extrema miséria, essa família enfrenta situações adversas, sem contudo, perder a vontade indómita de superar as maiores dificuldades, não fosse o caboverdeano modelo exemplar do estoicismo humano, em especial contra as calamidades naturais, que vão desde a estiagem prolongada e ininterrupta até às cheias que tudo levam: casebres, plantações, solos aráveis, gado, crianças e até pessoas. Daí a morna: se a chuva não vem, morre-se de sede; se ela vem, morre-se afogado. Um autêntico dilema esse do caboverdeano rural, que, por isso, e bastas vezes, só encontra alternativa na emigração, mesmo para terras donde regressa mais miserável, mais adoentado, mais acossado, como S. Tomé.
Daniel Bacelar

MARTINHO DE MELLO ANDRADE, nasceu no campinho, na ilha de S. Nicolau, em 12 de Novembro de 1933.
Escreve em caboverdeano e a sua obra encontra-se dispersa em: Presença Caboverdeana; Tchuba com ilustrações de Frank Barbosa; Revista Fraternidade, em Portugal; A Razão; Terra Nova e Voz di Povo e está presente no livro ContraventoAntologia bilingue de poesia Caboverdiana.
Tem a publicar Contos Populares em idioma caboverdiano.
É autodidacta e usa o pseudónimo de Marmellande.

Autor: Martinho de Mello Andrade
Capa: Mário Pires

Editor: Autor
Ano de edição: 1984

VINTI SINTIDU LETRÁDU NA KRIOLU


Son di Nôs Eransa
Son di Ravoluçôn


A produção literária de C. Barbosa, que ora vem a lume, é, em grande parte, como que um arranjo poético daquilo que, habitualmente, se dá o nome de “Sabedoria Popular”. A forma, o ritmo e, por vezes mesmo, o conteúdo lembra-nos algo: qualquer coisa que já tivemos oportunidade de viver, de ouvir, de sentir – e por que não? – de apreciar também.
A pena de autor tem o mérito de, ao escrever, fazer história e sociologia ao mesmo tempo. Em determinados poemas, a forma e o ritmo quase que se confundem com a estética da nossa tradição oral. O tema, porém, retrata o quotidiano do nosso povo, num permanente devir. Há o ontem, mas também há o hoje e o amanhã.
Um aspecto importante que é mister frizar-se, na obra poética de C. Barbosa, é a arte de ter imprimido um adequado equilíbrio na própria dialéctica existente entre o moderno e o intelectual. O devido enquadramento das partes não só elimina os antagonismos, como ainda estabelece um entendimento necessário entre dois aspectos de uma mesma cultura.
Manuel Veiga

CARLOS Alberto Lopes BARBOSA, (KAKÁ BARBOSA, de seu "nome em casa") nasceu a 1 de Maio de 1947 na cidade do Mindelo, S. Vicente, tendo vivido toda a sua infância e juventude na Vila de Assomada – Ilha de Santiago onde seus pais se radicaram como comerciantes.
O meio rural santiaguense viria a influenciá-lo, marcando profundamente a sua personalidade.
Foi assalariado do colonial-funcionalismo, cumpriu o serviço militar e, mais tarde, ingressou como empregado de escritório numa firma comercial em S. Vicente.
Em 1971 emigrou, tendo regressado em 1972 à sua terra natal para não mais se ausentar, voltando a exercer a sua anterior profissão de empregado de escritório em Mindelo até 1975, data que passou a desempenhar funções sindicais.
Cedo descobriu a sua vocação artística, iniciando-se no violão com a idade de 14 anos.
Os seus primeiros tentames em verso datam de 1968.
É de uma família de músicos e tem várias composições musicais inéditas e algumas já gravadas em disco.
Esta é a sua estreia poética e os poemas vêm escritos em cabo-verdiano, em cujo futuro literário aposta.
Pensa organizar para publicação, um caderno com todas as suas composições musicais.

Autor: Kaká Barbosa
Capa: Dipala

Editor: Instituto Kabuverdianu di Livru
Ano de edição: 1984

DEMOGRAFIA CABOVERDEANA


(subsídios para o seu estudo)
(1807 / 1983)

O arquipélago de Cabo Verde foi achado em 1640, acerca de 14 anos após a descoberta da “Guiné” em 1446. Está situado a cerca de 455 quilómetros do continente africano, e a sua superfície total é estimada em 4.033km2. O nome deriva da circunstância de as ilhas suas componentes se localizarem defronte do Cabo Verde, próximo de Dacar. Compreende dois grupos:
- O de Sotavento, com Santiago, Maio, Fogo e Brava, e os ilhéus de Luís Carneiro, Sapado Grande e de Cima;
- O de Barlavento, com S. Antão, S. Vicente, S. Nicolau, Sal e Boa Vista; a de Santa Luzia, despovoada, e os ilhéus Raso e Branco, estes conhecidos, respectivamente, nos textos de Quinhentos, por “ilha Raza” e “ilha de Má Sombra”. As de S. Vicente e Sal foram conhecidas por “Desertas”, e só começaram a ser povoadas nos finais do século XVIII.
Poucas décadas após o achamento, deu-se a divisão do ponto de vista político-administrativo, passando a designar-se “Capitanis das ilhas de Cabo Verde e terra firme dos rios de Guiné”. Por terra firme entendia-se a Praça de Cacheu (1596) e Presídio de S. Cruz da Guínala (Buba). Os outros Presídios, de Geba, de Farim, de Ziguichor e de Bissau, foram criados já no século XVII.
O chefe da Capitania residia na ilha de Santiago, numa primeira fase na Ribeira Grande (ou Cidade Velha), e mais tarde (1779) na Vila da Praia de Santa Maria; e tinha sob a sua jurisdição (teórica) o capitão-mor de Cacheu e os capitães-cabos dos Presídios. Esta divisão perdurou de 1614 a 1879, data em que por Decreto de 18 de Março, foi instituído o Governo Autónomoda “Guiné”, ainda sem uma área definida de concreto, dado o desconhecimento do que constituía o interior. De jure a “Colónia da Guiné” surgiu em resultado do Acordo Luso-Francês de 12 de Maio de 1886. Deu-se deste modo a constituição de dois governos distintos: o de Cabo Verde e o da “Guiné”.
O arquipélago começou a ser povoado em 1462, embora com alguma lentidão, para vir a tomar vulto consoante se foi intensificando o tráfico de escravos, designadamente, e com carácter clandestino, para as Antilhas (Ilha de S. Domingos), e mais tarde para o Brasil.

Autor: António Carreira

Editor: Instituto Caboverdeano do Livro
Ano de edição: 1985

HORA DI BAI


Prémio Ricardo Malheiros

Uma presença geográfica, física – Cabo Verde; uma presença humana, telúrica – os homens que o habitam. E, principal personagem do romance, insinuando-se como água na areia, tão presente e profunda como o mar que separa e une as ilhas do arquipélago – a Fome.
Não uma entidade metafísica, literária, mas qualquer coisa de muito concreto que rói os ossos, esventra o entendimento das coisas, transforma em esqueletos vivos as pessoas e os sonhos – que, depois a carroça da Câmara arrasta, indiferente, para a vala comum, como numa estampa medieval. As intrigas; os passes políticos; os amores permitidos ou clandestinos; os pequenos dramas do quotidiano vividos por uma população relativamente enraizada ou flutuante, formam uma ilha onde há fartura de tudo (até de “whiskey”). Em outras ilhas minúsculas que o sol queima, e queima, as crianças morrem nos ventres das mães, os pássaros arrancam os olhos aos moribundos, no oceano, pacientes, os tubarões aguardam – e a revolta cresce – enquanto ao longe se ouve uma morna entoada por um emigrante que – ontem como hoje – conseguiu fugir, e foge, levando a ilha na viola e na voz, ao mesmo tempo, no estômago vazio (por isso foge) e no coração cheio (por isso quer ficar).

Hora di Bai foi publicado em França com o título “Le pain de l’exode”, tradução de Gilles e Maryvonne Lapouge, edição Castermann. Incluído na lista de “Os livros da Semana” do “Fígaro Literaire”, o romance de Manuel Ferreira foi saudado pela crítica francesa como um modelo do romance neo-realista capaz de levantar os mais graves problemas do homem em sociedade.

MANUEL FERREIRA nasceu em Gândara dos Olivais – Leiria em 1917. Concluiu o curso de Farmácia e o curso de Ciências Sociais e Política Ultramarina, tendo frequentado ainda a Faculdade de Letras de Lisboa.
De 1941 a 1947 destacado como expedicionário em Cabo Verde, ali casa e lhe nasce o filho mais velho. Nestes seis anos convive com o grupo da revista Claridade e exerce decisiva influência no aparecimento do grupo Certeza.
Entretanto permanece seis anos na Índia e dois anos em Angola. Colaboração dispersa pela Revista Vértice, Seara Nova, “Cultura e Arte” d’O Comércio do Porto, Página Literária do Diário de Lisboa, Revista de Portugal, Ocidente, Estudos Ultramarinos, Colóquio/Letras, Província de Angola, e outros. Foram-lhe atribuídos os prémios Fernando Mendes Pinto para Morabeza, Ricardo Malheiros para Hora di Bai, Imprensa Cultural para A aventura crioula.
Esta longa experiência ultramarina vai ser decisiva na sua carreira de esvritor e explicar a predominância da motivação africana na sua actividade literário, traduzida não só na ficção como no ensino, na literatura infantil, e em artigos, colóquios, etc.

Autor: Manuel Ferreira
Capa: Criner y Dintel

Editor: Plátano Editora
Ano de edição: 1972

(fonte: BMLx - Camões)

OS MAIS BELOS CONTOS TRADICIONAIS


Contos da Lusofonia

A Feiticeira e a Pombinha
O Feiticeiro de Santo Antão

Textos recolhidos por M. Margarida Simões-Muller
Ilustrações de João Caetano

Editor: editora Civilização
Ano de edição: 1998

(fonte: BM Oeiras - Algés)

A CABEÇA CALVA DE DEUS


Pão & Fonema
Árvore & Tambor
Pedras de Sol & Substância


Ultimando as balizas da presente trilogia Pão & Fonema, Árvore & Tambor e Pedras de Sol & Substância, queiram permitir-me, Caros Leitores, enfantizar as expressivas contribuições recebidas desde os cultores da nossa tradição oral, nomeadamente os Trovadores, aos fundadores do Movimento Claridoso – os principais artífices da independência cultural de Cabo Verde, como dar graças, Ilhana e penhoramente, a todos aqueles que, na diáspora, vêm, de geração em geração, enriquecendo e transmitindo o testemunho da especialidade cultural desta pequena pátria no baricentro de três continentes.

CORSINO António FORTES nasceu em 14 de Fevereiro de 1933, em Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde. Licenciado em Direito (Lisboa, 1966), veio a exercer as funções de delegado do Ministério Público e juiz de direito, em Angola, até ser exonerado a seu pedido, em Abril de 1975, do cargo de magistrado. Em 1974-1975, como militante activo do PAIGV exerceu as funções de representante do Partido em Angola, de director-geral dos Assuntos Judiciários da República da Guiné-Bissau e de emissário especial da República de Cabo Verde junto dos governos da República Popular de Angola e da República Democrática de São Tomé e Príncipe. Entre 1975 e 1981, foi embaixador extraordinário e plenipotenciário da República de Cabo Verde junto da República de Portuguesa, desempenhando idênticas funções junto dos Governos de Espanha, França, Itália, Noruega e Islândia. Em 1981, foi nomeado secretário de Estado-adjunto do primeiro-ministro e, em 1983, secretário de Estado da Comunicação Social.
Em 1986, Corsino Fortes foi delegado plenipotenciário da República de Cabo Verde ao encontro de Unificação Ortográfica de Língua Portuguesa, realizado no Brasil.
Entre 1986 e 1989, regressa à diplomacia como embaixador de Cabo Verde junto da República Popular de Angola, exercendo idênticas funções junto dos Governos de São Tomé e Príncipe, Zâmbia, Moçambique e Zimbabué.
Entre 1989 e 1991, exerce as funções de ministro da Justiça pelo Governo de Cabo Verde. Em 1992 como consultor diplomático identifica o I programa PALOP a favor dos cinco países de língua oficial portuguesa finaciados pela União Europeia (1992) e integra a equipa plurinacional que identifica o II programa PALOP em 1998.
Hoje exerce as seguintes funções:
Presidente da Fundação Amílcar Cabral.
Presidente do Conselho de Administração de Impar – Companhia Cabo-Verdiana de Seguros.
Vice-presidente do Conselho de Administração da Caixa Económica de Cabo Verde.
Foi condecorado pelo Governo Português com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique e com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito; pelo Governo Francês com o Grand Officier de l’Ordre Nacional du Mérite; e pela Presidência da República de Cabo Verde com a Ordem do Vulcão.
O autor nunca quis publicar em volume os poemas escritos até meados da década de 60, salvo poesias dispersas no jornal do 3.º ciclo liceal (1957), Boletim de Cabo Verde, no último volume da revista Claridade e na Antologia da moderna poesia cabo-verdiana.
A obra poética que se resume na trilogia Pão & Fonema, Árvore e Tambor e Pedras de Sol & Substâncias, sob o título A Cabeça Calva de Deus, já foi objecto de vários estudos e faz parte de várias antologias em língua inglesa, brasileira, francesa, italiana, holandesa, etc.

Autor: Corsino Fortes
Tradução: Arnaldo França
Posfácio: Ana Mafalda Leite

Editor: Publicações Dom Quixote
Ano de edição: 2001
Patrocínio: Câmara Municipal de Viana do Castelo

(fonte: BMO - Algés)

A ILHA DO FOGO E AS SUAS ERUPÇÕES


Na manhã do dia 13 de Junho de 1951, informado pelos jornais que tinha começado, na véspera, uma erupção vulcânica na ilha do Fogo, o geógrafo Orlando Ribeiro ofereceu-se para ir observá-la. Foi para ele a ocasião de realizar não apenas o estudo aprofundado da erupção mas também o da geografia da ilha, completado com um magnífico álbum de fotografias da terra e da gente.
O destino deste trabalho foi feliz: descrevendo sem rebuços a seca, a miséria e as hecatombes de fome que flagelavam as ilhas de Cabo Verde, a publicação quase oficial do livro, pela Junta de Investigações do Ultramar, foi um facto que ajudou a que se tomassem posteriormente algumas providências administrativas para evitar o sofrimento e a morte.
Cabo Verde não esqueceu o geógrafo que tinha vindo ajudar a “tapar o vulcão” e dedicado tanto amor à sua gente. Em 1985, Orlando Ribeiro, convidado pelo Presidente da República de Cabo Verde, voltou a visitar o arquipélago, na companhia de sua mulher, Suzanne Daveau, que agora preparou a presente reedição.

Autor: Orlando Ribeiro
Apresentação: Susanne Duveau

Editor: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses
Colecção: “Outras Margens”
Ano de edição: 1998

VULCANISMO DAS ILHAS DE CABO VERDE E DE OUTRAS ILHAS ATLÂNTIDAS


Estudos, Ensaios e Documentos 117

O presente trabalho foi feito a expensas da Junta de Investigação do Ultramar e tem por fim principal o estudo do vulcão do Fogo, Cabo Verde.

Autor: Frederico Machado

Editor: Junta de Investigações do Ultramar
Ano de edição: 1965