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BALTASAR LOPES DA SILVA E A MÚSICA


"Ora bem, da sua faceta de amante da música, sabe-se que Baltasar Lopes tocava alguns instrumentos de corda com destaque para o violino. Igualmente na sua abrangente e profunda actividade de escrita e ensaística, não raro, Baltasar Lopes traz a música implicada no seu texto, ora de forma explícita, ora disseminada entre concepções que ele formulou e nas quais acreditou estarem conformadas às características artísticas que identificam o cabo-verdiano."
In "Baltasar Lopes da Silva e a Música"

Autora: Ondina Ferreira

Editor: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Praia
Colecção: Artes e Letras
Ano de edição: 2006

(fonte: Carlota de Barros)

CHIQUINHO


Um dos melhores romances da literatura cabo-verdiana. Descrevendo Cabo Verde dos anos 30, o seu interesse resulta não somente do facto de estar apoiado numa realidade que até esta altura tinha sido deixada de lado pelos escritores do arquipélago, mas sobretudo da demanda da personalidade cultural do povo de Cabo Verde. Chiquinho é também uma forte denúncia: do abandono a que foram votadas as pessoas de Cabo Verde. As secas destruíam colheitas, a fome estendia as suas garras sobre uma população indefesa e desesperada. No entanto, as personagens desta história alimentam um sonho, uma esperança, todos poderiam ser outra pessoa que não são, se ao menos a terra não fosse madrasta. É aqui que entra o mar, a miragem da América, os baleeiros para correr sete mundos, o futuro prometido para lá da fome, das secas e do sofrimento. Chiquinho é o fio condutor por onde passam todas estas personagens. É através das tribulações deste jovem, de origem modesta, mas livre num mundo desconhecido, que Baltasar Lopes se impõe como um dos principais fundadores da literatura cabo-verdiana.

BALTASAR LOPES (1907-1990) foi um homem de grande e multifacetado talento, sendo pedagogo, filólogo, advogado e escritor. Foi um dos fundadores da revista Claridade, iniciada em 1936 e que operou uma grande viragem na literatura cabo-verdiana.Tendo regressado a S. Vicente aceitou um lugar de professor no Liceu Gil Eanes, onde leccionou durante vários anos. Baltasar Lopes deixou uma marca indelével do seu saber e da sua personalidade em gerações e gerações de estudantes e leitores que unanimemente o elegem como um marco da literatura universal.

Autor: Baltasar Lopes

Editor: Editora Vega
Colecção: Obras Completas de Baltasar Lopes
Ano de edição: 2006

(fonte: Nova Vega)

CLARIDOSOS


Antologia da Ficção-Caboverdiana
Vol. II

ANTÓNIO AURÉLIO GONÇALVES
BALTAZAR LOPES
EUCLIDES DE MENEZES
FRANCISCO LOPES DA SILVA
GABRIEL MARIANO
HENRIQUE TEIXEIRA DE SOUSA
LUÍS ROMANO
MANUEL LOPES
NUNO DE MIRANDA
ONÉSIMO SILVEIRA
ORLANDA AMARÍLIS
PEDRO DUARTE
TEOBALDO VIRGÍNIO
VIRGÍLIO PIRES

No início dos anos 30 do século XX, os escritores Baltasar Lopes, Jorge Barbosa e Manuel Lopes, respondendo às “preocupações longamente alimentadas pelo grupo”, criaram o movimento cultural Claridade, publicando, em Março de 1936, o primeiro número da revista, melhor, do órgão de cultura com o mesmo nome.
A eles se juntaram outros intelectuais: os números quatro e cinco da revista registam, respectivamente, as primeira colaborações de António Aurélio Gonçalves e Henrique Teixeira de Sousa, os quais se viriam a afirmar como dos mais conseguidos ficcionistas cabo-verdianos.
Ao Movimento se emparceiraram outros ficcionistas: Nuno de Miranda, Euclides de Menezes, Luís Romano, Orlanda Amarilis, Pedro Duarte, Teobaldo Virgílio, Gabriel Mariano, Francisco Lopes da Silva, Onésimo Silveira e Virgílio Pires, que figuram nesta antologia. Tanto a ficção como a poesia e o ensaio encontram um lugar de destaque na revista Claridade. O maior acontecimento de todos os tempos na vida literária e cultural de Cabo Verde, que foi o aparecimento da revista, justificou que, no ciclo das comemorações do seu cinquentenário, se tenha tomado a iniciativa de reeditar os seus nove números fac-similados, com depoimentos dos seus fundadores então sobrevivos, Baltasar Lopes e Manuel Lopes, e com o judicioso prefácio, “O fulgor e a esperança de uma nova idade”, do saudoso Professor Manuel Ferreira.
As edições dos números publicados de Claridade constituem, hoje, verdadeira preciosidade e, dado interesse que despertou a sua reedição fac-similada, ela logo se esgotou, o que constitui razão suplementar para a publicação desta colectânea.

Autor: Dulce Almada Duarte e Jorge Miranda Alfama - Organização e apresentação

Editor: AEC – Editora
Ano de edição: 2001
Patrocínio: FAIC – Fundo Autónomo para Iniciativas Culturais

CLARIDADE


Revista de Arte e Letras

O Instituto Caboverdiano do Livro, ao tomar a inicitiva de comemorar o cinquentenário do aparecimento da revista Claridade reeditando os seus nove números, pretende, a par de uma merecida homenagem a todos os que nela colaboraram, chamar a atenção para o alto significado desse movimento que, mau grado o tempo em que surgiu e se desenvolveu, assumiu a consciência literário-cultural caboverdiana. Definindo o Homem como forma priviligiada de comunicação, valorizando uma criação baseada na busca do conhecimento das raízes e do processo da formação social de Cabo Verde, praticando uma intransigência perante falsos valores, as representações carentes de autenticidade e as glórias fáceis, abrindo perspectivas a novos percursos, Claridade assumiu, de facto, uma posição ímpar e decisiva na história da literatura caboverdiana.

Com esta iniciativa, o Instituto Caboverdiano do Livro pretende também propiciar aos homens de cultura, aos caboverdianos espalhados pelo mundo e às novas gerações uma obra de consulta e a oportunidade de encarar´com justiça o que Claridade foi no seu tempo e o que Claridade continua a ser hoje, enquanto verdadeira “proclamação de independência” literária de Cabo Verde.
Jorge Miranda Alfama, Presidente do ICL

Depoimentos de Baltasar Lopes e Manuel Lopes
Prefácio: Manuel Ferreira

Editor: ALAC – África, Literatura, Arte e Cultura; Instituto Caboverdiano do Livro
Ano de edição: 1986

O DIALECTO CRIOULO DE CABO VERDE



Escritores dos Países de Língua Portuguesa 1

Autor: Baltasar Lopes da Silva

Editor: Imprensa Nacional Casa da Moeda
Ano de edição: 1984

CÂNTICO DA MANHÃ FUTURA


BALTASAR LOPES da Silva (de seu nome poético OSVALDO ALCÂNTARA) que nasceu na ilha de S. Nicolau, a 23 de Abril de 1907, marca uma época na vida social e cultural cabo-verdiana. Partindo adolescente para Portugal, onde completou os estudos liceais, voltaria para Cabo Verde no início da década de 30, licenciado em Direito e Filologia Românica. Regressaria ainda a Lisboa, por mais dois anos, a fim de frequentar o estágio de ensino liceal cujo exame de estado concluiria com invulgar brilho e celebrada fama.
Professor do Liceu de S. Vicente, onde durante cerca de cinquenta anos exerceu o magistério, deixou a marca indelébel do seu saber e da sua personalidade em gerações e gerações de estudantes que unanimemente o elegem como o símbolo vivo da sua escola. A par do professorado, exerceu uma intensa advocacia, esta, como há bem pouco reconheceu, “mais solicitada pela necessidade de ser útil a uma larga percentagem desprotegida da população do que por intuitos profissionais que nunca verdadeiramente (o) impulsionaram”.
Filólogo distintíssimo, dedicou ao estudo da língua cabo-verdiana a profundidade dos seus conhecimentos e ergueu-lhe um monumento de investigação científica que é a monografia O Dialecto Crioulo de Cabo Verde.
Um dos fundadores, na década de 30, da revista de artes e letras Claridade, seria o seu principal animador no decorrer dos naos e distinguir-se-ia pela sua obra de ficcionista cujo ponto alto é o romance Chiquinho que, no dizer do prof. Jean-Michel Massa “reste encore la plus grande oeuvre romanesque de la literatura de cette jeune nation. C’est une sorte d’évidence rarement mise en doute”. O conjunto dos seus contos tem publicação anunciada para breve em colectânea intitulada Os Trabalhos e os Dias.
A obra poética de Baltasar Lopes, assinada desde sempre pelo nome literário de Osvaldo Alcântara, só agora se reúne em livro e comprova as lúcidas palavras que lhe dedicou Jaime de Figueiredo: “Uma atenta vigilância na captação de virtualidades emotivas pressentidas, do mesmo modo que a recuperação rememorativa de vivências, se conjugam na elaboração dessa poesia que ao cabo se cristaliza num estilo pessoal enriquecido pelo vasto conhecimento dos recursos vocabulares e o uso de uma imagística fortemente reveladora e elucidativa. Entre as solicitações de um espírito culturalmente exigente e a desperta disponibilidade às provocações circundantes, Osvaldo Alcântara nos mais conseguidos poemas dá-nos a vibração tensa de uma atitude integral ante o drama de todos os dias, numa forma expressiva de frequente tom augural, em que do fundo agnóstico ascende um grave ressonância humana”.

Autor: Osvaldo Alcântara

Editor: Banco de Cabo Verde
Ano de edição: 1986

(fonte: BMOeiras - Algés)

A CADERNETA



Le Carnet

Uma mulher do povo da ilha de S. Vicente (com o maior porto do Arquipélago de Cabo Verde) pede a um personagem influente da ilha para interceder em seu favor para que fique livre de toda a suspeita afim que o Administrador da cidade de Mindelo lhe retire a caderneta da vergonha.


Editor: Instituto Caboverdiano do Livro / Centre Culturel Français


BALTASAR LOPES com extrema simplicidade captou neste texto curto e denso o essencial da vida no dia a dia de uma parte do povo de Mindelo enquadrando em simultâneo a quinta-essência do universo quotidiano das ilhas de Cabo Verde.
Este conto foi publicado em 1949.




The Booklet


Tradução: Vicente Rendal Leite

Editor: Instituto Caboverdiano do Livro
Colecção: Ficção
Ano de edição: 1987

CHIQUINHO


Romance caboverdeano

A situação geral de Cabo Verde numa centena de anos foi depaurada por forças nem sempre muito claras, mas certamente muito complexas.
Aqui se cruzaram tantas diversidades, tantas semelhanças, que nunca se poderia chegar a uma situação senão igual àquela que se viveu a partir dos finais de vinte.
A sobrevivência colocava problemas reais.
Urgia mudar o curso dos acontecimantos. Tarefa difícil, de longo alcance, mas urgente. Completou-se um ciclo no momento em que a Claridade soube ultrapassar as aprências imediatas, numa atitude inequívoca de assunção de identidade e denúncia.
Mais do que representativo, paradigmático mesmo, deste ciclo, é o romance de BALTASAR LOPES, Chiquinho.

Editor: Edições Calabedotche - S. Vicente
Ano de edição: 1997



BALTASAR LOPES (da Silva) nasceu em 1907 na Vila da Ribeira Brava, Ilha de S. Nicolau, Cabo Verde, tendo falecido em 1989, em Lisboa. Licenciou-se em Direito e Filologia Românica na Universidade de Lisboa, tendo voltado a Cabo Verde para ingressar como professor no antigo Liceu Gil Eanes, de São Vicente, de que, mais tarde, chegou a ser reitor. Com outros intelectuais cabo-verdianos fundou, em 1936, a revista Claridade, um marco na história literária das ilhas. O romance «Chiquinho» foi inicialmente publicado em 1947. É também de sua autoria o livro «O Dialecto Crioulo de Cabo Verde», publicado em 1957.

Editor: Círculo de Leitores

(fonte: Renhaunhau)